Política

ELEIÇÕES 2020

A Bancada Revolucionária foi a única candidatura que denunciou o regime do golpe

Candidatura coletiva de trabalhadores do MRT para vereador em São Paulo centrou sua campanha em denunciar este regime político fruto do golpe institucional e cujas instituições atacam cotidianamente os trabalhadores, diferenciando-se assim do restante da esquerda.

domingo 15 de novembro| Edição do dia

Nestas eleições, as primeiras realizadas após Bolsonaro assumir a presidência, vimos muitas candidaturas de esquerda tratando com normalidade o processo eleitoral. Em uma postura muito distinta, a Bancada Revolucionária de Trabalhadores do MRT, candidatura coletiva que concorre a vereador em São Paulo, denunciou o que representa esse regime. Diana Assunção, trabalhadora da USP e integrante da bancada, disse ao Esquerda Diário:

“Vivemos hoje num regime político que é fruto do golpe institucional de 2016, em que Congresso e STF se uniram para desrespeitar o direito ao sufrágio universal e dar um golpe institucional, que, apesar de ter retirado o PT do governo, teve como alvo central os trabalhadores, pois o objetivo que tinham ao colocar Temer no governo era aprovar ataques contra nossos direitos, como a reforma da previdência, a lei de terceirizações, a reforma trabalhista. Nós da Bancada e do MRT nunca apoiamos politicamente os governos petistas porque eles sempre defenderam os capitalistas, fazendo com eles acordos e negociatas, colocando seus representantes no governo e garantindo seus lucros milionários. Mas que isso implicasse numa defesa política do governo, estivemos sempre na linha de frente da luta contra o golpe porque sabíamos que ele era dado justamente para aplicar esses ataques contra os trabalhadores.

Entendemos que essa eleição representa também uma continuidade desta batalha, pois Bolsonaro, como sucessor deste golpe, em uma eleição manipulada onde Lula foi proscrito, segue aplicando à risca os golpes dos patrões de mãos dadas com STF e Congresso, tal como a reforma da previdência e agora planejando a reforma administrativa. Por isto levantamos como palavra de ordem central na nossa candidatura o fora Bolsonaro, Mourão e os golpistas, pois entendemos também que não basta lutar para tirar Bolsonaro, mantendo todo esse regime de pé. Defendemos a mobilização dos trabalhadores, lado a lado com a juventude, as mulheres, negros e LGBTs para impor uma Assembleia Consituinte Livre e Soberana que possa varrer esse regime do golpe e lutar pelas nossas demandas.”

Também Marcello Pablito, membro da Bancada Revolucionária, comentou ao Esquerda Diário como veem a atuação da esquerda neste cenário:

“Muito diferente deste combate central contra o regime do golpe que levantamos, o que vimos na atuação da esquerda foi uma postura de adaptação a este regime, centrando sua campanha em fazer promessas eleitorais como se bastasse eleger um prefeito ou vereadores de esquerda para poder atender as demandas dos setores explorados e oprimidos. Em alguns casos, vimos inclusive o PSOL se aliando aos partidos de conciliação como PT e PCdoB e partidos patronais como PDT, PSB ou REDE, e ainda sentando para negociar e selar compromissos diretamente com os representantes de grandes patronais, mostrando que ao contrário de se propor a combater o regime de conjunto, tem cada vez mais como projeto se mostrar como administradores viáveis deste regime, executando, por exemplo, a Lei de Responsabilidade Fiscal que tira do orçamento público para pagar juros da dívida aos banqueiros e especuladores.”

Ainda Letícia Parks, também integrante da Bancada Revolucionária, apontou para uma intervenção política que vai muito além das eleições:

“Nós não fazemos promessas eleitorais vazias, dizendo ‘vote na gente que vamos resolver os problemas dos trabalhadores’, justamente porque sabemos que em meio a um regime político reacionário e antidemocrático como o nosso há muito pouco que um mandato de vereador, por mais consequente e combativo que seja, possa fazer. O que nos propomos é usar esta candidatura e o espaço do parlamente para fortalecer a organização e a luta dos trabalhadores e setores oprimidos no cotidiano, nas ruas, nos locais de trabalho, etc. É com esse combate que poderemos avançar, nos organizando nacionalmente, para combater este regime. É com essa moral e esta disposição que vamos às urnas hoje votar 50200, para seguir na nossa luta cotidiana em defesa dos trabalhadores, mulheres, negros e LGBTs”.




Comentários

Comentar