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POLÊMICA

Burocratismo do PSTU transforma ANEL em entidade pró-Golpe

Os estudantes de todo o país devem estar acompanhado o que está acontecendo do Rio de Janeiro: o que há de mais dinâmico na crise estadual são as ocupações estudantis que explodiram no ultimo mês. Estas ocupações começaram pelo Colégio Estadual Mendes de Moraes, localizado na ilha do governador, e já chegaram a 73 colégios ocupados. A Anel, uma entidade independente do governo federal, que se propõe à reorganizar o movimento estudantil à nível nacional, tem estado desde o começo participando, sendo parte por exemplo do primeiro colégio ocupado, assim como tomando parte na organização de um embrião de comando das escolas ocupadas.

quarta-feira 27 de abril| Edição do dia

A situação carioca impõe um questionamento às entidades burocráticas e aparelhadas como UBES, dirigida pela União da Juventude Socialista que pratica a política de gabinete e de aliança com o governo do PMDB, que a UBES sustentava até ontem antes da votação à favor do impeachment de Dilma pelos deputados do PMDB. Os estudantes decidiram não esperar estes conchavos da UBES que costuma vender a luta dos estudantes em troca de espaço no governo, e tomaram seus destinos em suas próprias mãos e tomaram o controle de suas escolas. O momento exige uma entidade independente que se proponha a apoiar os estudantes na luta independente contra o governo, no entanto, pelo burocratismo do PSTU e sua política pró-golpe, a ANEL-RJ não está cumprindo este papel.

Versão carioca da política pró-golpe

Nas ocupações onde está, o PSTU tem levantado como reivindicação a palavra de ordem “Fora Pezão, Fora Todos que atacam a educação”. O Fora Pezão, na prática, já vimos o que significaria durante este quase um mês do governo Dornelles: estão mantidos os cortes na educação, as milionárias isenções às empresas privadas e o pagamento da dívida pública ao invés de investimento em saúde e educação.

O “Fora todos que atacam a educação” é uma forma dialogada com os estudantes que o PSTU encontrou para defender sua política pró-golpe: não existe nenhum governante que não tenha atacado a educação, mas o único que está sendo retirado do poder é a presidenta Dilma Rousseff, por um golpe orquestrado pelo Judiciário, por 300 deputados que não tem nenhuma legitimidade, que tem por trás a FIESP e os interesses de um governo com mais cortes ainda. Todos assistimos o quanto foi reacionária a votação do impeachment, um processo dirigido pelo corrupto e machista Eduardo Cunha, em aliança com uma centena de deputados que votavam em defesa da “família tradicional”, contra o ensino de gênero e de qualquer ensino crítico nas escolas, em defesa dos Policiais Militares que matam jovens negros todos os dias com as UPPs nas favelas, e até em defesa dos torturadores do regime militar. Por isso, não foi à toa que os coxinhas acampados na frente da Federação das Indústrias de São Paulo concordaram com os cartazes do PSTU, como podemos ver nesta matéria.

Apesar de a votação do impeachment ter sido claramente reacionária, o PSTU mesmo assim não se incomodou com o fato de sua política “Fora Todos” o colocar ao lado de Cunha e Bolsonaro, exigindo Fora Todos mesmo depois dessa votação e com isso colaborando com o golpismo.

Aparelhamento da ANEL à serviço do Golpismo

Apesar de todos os avisos que viemos dando no Esquerda Diário sobre o conteúdo de direita por trás do “Fora Todos”, o PSTU não só se manteve conseqüente com esta política, mas ainda por cima impôs que a ANEL a defenderia, sob a fórmula de “Fora Pezão, e todos que atacam a educação”, sem que isto fosse aprovado em qualquer espaço deliberativo da entidade! Nenhuma assembleia, reunião, ou o que quer que fosse, foi convocado para debater isto. Nós, da Faísca - Anticapitalista e Revolucionária, compomos a ANEL como força minoritária e nos propomos à construir esta entidade nos locais de estudo e na juventude trabalhadora. Lutamos para que a juventude, ao lado dos trabalhadores, se organize para lutar contra este golpe reacionário, assim como lutamos contra os ajustes de qualquer governo, golpista ou não, ao lado dos estudantes da UERJ por exemplo.

Ao contrário disso, na página da Anel, o texto redigido pela juventude do PSTU defende que “Diante do impeachment do governo Dilma, devemos denunciar tanto este governo quanto um provável governo Temer. Basta de todos eles! Fora Pezão e todos que cortam da educação!”. Leia toda a nota neste link.

Enquanto Faísca, que compõe a ANEL como força minoritária, defendemos um claro posicionamento contra este golpe que para nós deve ser combatido a partir das ocupações protagonizadas pelos estudantes do RJ, exigindo que a UBES e a UNE “levante a bunda da cadeira”, saia dos gabinetes e coloque seu aparato a serviço dos estudantes que ocuparam as ruas e as escolas. Os estudantes, em aliança com os trabalhadores, podem dar a resposta à crise nacional, assim como às demandas estaduais Para ir à ofensiva contra Dornelles-Pezão e o golpe, a ferramenta de luta dos estudantes do RJ é um comando de base unificado que represente o conjunto das escolas, com representantes eleito e revogáveis pelas assembleias dos estudantes de cada escola. Tentativas como essa tem sido feita por vários colégios que já elegeram representantes, no entanto ainda é preciso reunir representantes da maioria das escolas em um mesmo comando unificado pela base.




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