9 MESES SEM MARIELLE FRANCO

9 meses sem justiça por Marielle e Anderson: uma ferida aberta do golpe institucional

Depois de 9 meses do assassinato de Marielle Franco e Anderson Gomes, agentes da Divisão de Homicídios da Polícia Civil realizaram ontem (13/12) 15 mandados de prisão e de busca e apreensão em diversas localidades do Rio de Janeiro e também em MG. Seriam suspeitos supostamente ligados a este crime bárbaro que estão sendo presos, como resultado das investigações que ainda estão imersas em muitas dúvidas, incertezas e disputas políticas, enquanto seguimos sem justiça por Marielle e Anderson.

sexta-feira 14 de dezembro de 2018| Edição do dia

Até Jungmann, Ministro da Justiça, afirma que as investigações são obstaculizadas porque envolve pessoas poderosas.

Essas ações se deram no mesmo dia em que surgiram denúncias de uma nova trama para assassinar Marcelo Freixo, que estaria programado para este sábado, o que mostra a gravidade dos problemas que estão colocados no Rio de Janeiro e a necessidade de um amplo repúdio, como fizemos a partir do Esquerda Diário.

Os que agora ameaçam Freixo se sentem livres para seguir atuando frente à impunidade que segue até agora com o caso de Marielle Franco, assassinada um mês após o início da intervenção federal. Marielle, parlamentar pelo PSOL, incomodava poderosos no Rio de Janeiro enquanto defensora dos direitos humanos, com suas denúncias do genocídio do povo negro e de favela e zonas periféricas da cidade do Rio de Janeiro, que são controladas por distintos setores ligados ao crime organizado, como o tráfico, as milícias e com relações com a própria polícia, que frequentemente é denunciada por suas relações com o crime organizado, numa ampla rede que envolve alas do Estado carioca.

A luta por justiça para Marielle e Anderson precisa seguir com força, junto da luta pela construção de uma averiguação independente, pois não estamos perto de descobrir quem são de fato os mandantes e executores deste crime bárbaro, que é uma ferida aberta do golpe institucional e da Intervenção Federal no Rio de Janeiro.

A impunidade que leva a que a direita bolsonarista siga praticando absurdos

Em 14 de outubro, noticiamos manifestação que reuniu mais de duas mil pessoas no lugar em que a placa com o nome da vereadora foi destruída por Rodrigo Amorim, candidato eleito como deputado estadual do partido de Bolsonaro. A rua havia sido renomeada pela população.

Dias antes, o Esquerda Diário noticiou que Anielle Franco, irmã de Marielle Franco, no caminho do trabalho foi agredida por um grupo de defensores do Bolsonaro que estavam com a camiseta do candidato de extrema-direita. Também em meio às eleições, o capoeirista negro Mestre Moa foi assassinado por um apoiador de Bolsonaro. Estes dois exemplos mostram o racismo execrável da extrema-direita, numa situação profundamente marcada pelas incontáveis manipulações do Judiciário nas eleições, sob a tutela das Forças Armadas.

Na internet não faltou ódio e racismo por parte da direita ao se referir ao covarde assassinato de Marielle. Dias atrás, um apoiador de Jair Bolsonaro ridicularizou a execução da vereadora carioca comparando à cadela espancada até a morte por um segurança do Carrefour em Osasco.

Ainda há outras declarações como a do governador eleito pelo estado do Rio de Janeiro, Wilson Witzel (PSC) que afirmou: “A investigação desse caso (Marielle) será tratada exatamente como qualquer outro caso”. Isso depois de ter sido parte entusiasta do “ato” de rasgar a placa de homenagem à Marielle.

Esses são alguns exemplos da degeneração da direita brasileira, saudosos da ditadura e da tortura, que seguem destilando suas posturas fascistizantes, alimentadas pela impunidade, que ganha seu contorno mais absurdo no assassinato de Marielle Franco.

Uma luta que segue: não descansaremos!

No último mês de outubro também foi marcado por várias homenagens a Marielle, exigindo justiça e duras crítica ao reacionarismo de Bolsonaro. Dentre as homenagens, destacamos as de Tom Morello, Roger Waters e da escola de samba carioca Mangueira.

Em 18 de setembro, a viúva de Marielle, Monica Benício, e diversas Organizações não-governamentais estiveram em Genebra, na Suíça, para denunciar a falta de solução para o caso brutal de assassinato da qual foram vítimas a vereadora e seu motorista Anderson Gomes. Na ocasião noticiamos que Monica afirmou que: “Denunciei o descaso do governo brasileiro na ausência de justiça frente à execução política de Marielle. Também solicitei apoio internacional, para uma investigação imparcial, e sigo afirmando que as autoridades brasileiras estarão com as mãos sujas de sangue até que respondam quem matou e quem mandou matar minha companheira Marielle Franco”.

Essas são algumas iniciativas que precisam ser parte de uma luta que tem que redobrar esforços para mobilizar por justiça por Marielle.

A impunidade no caso Marielle e o racismo institucional

O assassinato de Marielle escancara mais uma dramática página do racismo institucional no Brasil, não apenas pelo conteúdo violento e covarde de sua morte, mas, pela demora das instituições competentes em descobrir os reais mandantes de seu assassinato e de seu motorista.

No Rio de Janeiro, em particular, o racismo institucional possui uma cara ainda mais nefasta, pois o tratamento desigual a partir das instituições estatais com negros e negras trabalhadoras tem na violência policial um agravante da discriminação racial, o que tem sua expressão mais descarada na prisão de Rafael Braga e no encarceramento em massa do povo negro, o que Bolsonaro e Witzel pretendem aprofundar.

Marielle Franco recebe essa postura porque denunciava a descriminação racial e sua intima relação com a violência de Estado, de culpar a intervenção federal por abusos e crimes cometidos contra a população preta e pobre.
Não podemos esquecer nesse dia de hoje, 9 meses após seu assassinato que a impunidade e as motivações desse crime não devem deixar de ser medidos pela régua da cor e que sua memória representa a maneira violenta e racista que o Estado brasileiro lida em relação ao povo negro, mas que não passará impune.
Justiça por Marielle! Marielle PRESENTE! AGORA E SEMPRE!

O caminho para obrigar a que o Estado realmente investigue e puna os culpados é a mobilização. É urgente que depositemos nossas forças na incansável e intransigente exigência de investigação e punição ao Estado, mas não podemos deixar que somente este Estado, que não podemos depositar confiança pois há indícios de ter setores vinculados ao assassinato, controle os rumos das investigações. É urgente exigirmos que o Estado garanta recursos e todas as condições para a realização de uma investigação independente, disponibilizando materiais, arquivos para organismos de direitos humanos, peritos especialistas comprometidos com a causa, e que parlamentares do PSOL, representantes de organismos de direitos humanos, de sindicatos, de movimentos de favelas, etc, que sejam parte da investigação, a qual deve ser compartilhada e acompanhada de perto também pelos familiares de Marielle

Ademais, é fundamental não nos intimidarmos diante do avanço desta extrema-direita saudosa da Ditadura militar burguesa, herdeiros da Casa-Grande e defensora da violência generalizada contra trabalhadores e setores oprimidos: é preciso se organizar e lutar, para combater o golpismo, o judiciário e o reacionarismo nas ruas.
Nenhum passo atrás na luta por justiça por Marielle e Anderson. Coloquemos novas energias nessa luta pelo fim da impunidade e por uma investigação independente já!




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