Gênero e sexualidade

8M - MINAS GERAIS

8M em Belo Horizonte é marcado pela luta das mulheres trabalhadoras

Com a força das professoras da rede estadual de Minas Gerais em greve, com a luta das trabalhadoras do Hospital Sofia Feldman e das educadoras infantis contra os ataques do prefeito Kalil, o ato unificado em Belo Horizonte expressou a luta da classe trabalhadora com as mulheres à frente.

Tassia Arcenio

Contagem, Minas Gerais

segunda-feira 12 de março| Edição do dia

Foto: Paula Molina

Nesta quinta-feira, assim como aconteceu em vários países e cidades pelo mundo, em Belo Horizonte ocorreu o ato unificado chamado com o eixo "É pela vida das mulheres, nenhum direito a menos".

Mostrando que as mulheres são as primeiras a sofrerem as consequências da retirada dos direitos de toda a classe trabalhadora, uma parcela significativa do ato foi composto por mulheres trabalhadoras em luta, que se organizam para derrotar esses ataques.

O dia começou com a ocupação da secretaria municipal de educação de Belo Horizonte pelas trabalhadoras do caixa escolar, batalhando pela manutenção dos seus empregos, ameaçados pelo prefeito de BH, que quer deixar na rua cerca de 8 mil trabalhadores, na maioria mulheres e negras.

Educadoras da rede estadual em greve pelo pagamento do piso, contra o sucateamento do IPSEMG, contra os atrasos de salários promovido pelo governador Fernando Pimentel do PT, trabalhadoras da saúde do Hospital Sofia Feldman em luta contra a municipalização da forma proposta pelo prefeito Kalil e a retirada de verbas do local que é referência nacional em partos humanizados, educadoras infantis em defesa das unidades municipais de ensino infantil que também estão no alvo do prefeito, e mulheres militantes dos movimentos sociais por moradia foram grande parte da composição do ato unificado e fizeram ecoar nas ruas as lutas da classe trabalhadora em curso, mostrando como as mulheres que são as primeiras a sentir os efeitos dos ataques aos direitos, seja por via do governo municipal, ou estadual e o federal golpista, também podem e são a linha de frente na organização das lutas de enfrentamento à essa realidade.

Foi com a força dessas mulheres, que o grupo Pão e Rosas foi às ruas com animação e combatividade levantando a necessidade de um plano nacional de emergência contra a violência às mulheres, da anulação da reforma trabalhista, pelo direito ao aborto legal, seguro e gratuito e contra a intervenção federal no Rio de Janeiro e a continuidade do golpe.

A indignação e organização das mulheres mineiras poderiam ter sido expressas ainda mais fortemente se as centrais sindicais tivessem respondido positivamente o chamado internacional de paralisação nos países nesse dia 08, e organizado as distintas bases para parar tudo em defesa dos direitos das mulheres e preparar um plano de lutas contra a continuidade do golpe.

Outro debate em aberto no movimento de mulheres foi a realização de dois atos separados, um promovido pela Marcha Mundial de Mulheres e Frente Brasil Popular, que se negaram a construir um trajeto único, fazendo através de sua política superestrutural, com que uma parcela importante de mulheres trabalhadoras, sobretudo professoras, só se juntassem ao ato unificado no seu final, dividindo as mulheres e o potencial de explosão da velha sociedade e construção de uma nova que se apresentou nas ruas de BH.

Veja abaixo algumas imagens e o vídeo produzido com momentos do ato unificado:




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