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8M Uruguai: Centenas de milhares de mulheres ocupam as ruas de Montevidéu

O Uruguai vive outra marcha multitudinária neste domingo, no dia Internacional da Mulher. De coletivos a agrupações feministas, até os locais de trabalho e estudo, as mulheres se organizaram para marchar contra a violência de gênero e pela defesa de nossas conquistas. Entre 150 mil e 300 mil mulheres, segundo a imprensa, vestiram Montevidéu de lilás.

terça-feira 10 de março| Edição do dia

Centenas de milhares de mulheres se compareceram no #8M do Uruguai. Segundo diversas fontes, entre 150 e 300 mil pessoas marcharam no domingo em Montevidéu, da Praça da Libertad até a explanada da Universidade da República.
Também se deram manifestações na maioria das capitais. Novamente as caras pintadas, os lenços de cor lilás, os cartazes feitos à mão e uma força imparável que a mulher só dá quando se organiza para lutar ao lado de outra mulher.


Agrupadas em coletivos feministas, por locais de trabalho e de estudo, ou soltas, as mulheres e fizeram presentes gritando, dançando e protestando. Assim fez a Coordinadora de Feminismos, que foi a cabeça da marcha.

Durante o transcurso da marcha pôde-se ver bandas de tambor formadas só por mulheres, companhias de folclore, comunidades de descendência africana organizadas e muitas, muitas mulheres que sentiram o dever de se manifestar por elas mesmas, pelas suas filhas, e por todas as que já não estão, pelas que morreram pelas mãos de seus cônjugues ou ex cônjugues, aquelas que engrossam as estatísticas de feminicídio no Uruguai. E também por aquelas que estão desaparecidas, seqüestradas pelas redes de exploração sexual que operam no território uruguaio e que nem o anterior governo da Frente Ampla, e nem o atual governo do Partido Nacional reconheceram a existência.

#8M com um governo de direita

Este ano, o #8M foi especial em nosso país, pela recente mudança de governo, que foi para as mãos do Partido Nacional, em uma coalizão com outros partidos da direita tradicional, incluindo Cabildo Albierto, o partido recentemente fundado pelo Comandante Chefe do Exército Guido Manini Rios, de claro caráter misógino, homofóbico e repressivo.

A ameaça que fazem estes setores reacionários é a perda de nossas conquistas históricas como o direito ao aborto ou o matrimônio igualitário. São setores religiosos anti direitos que hoje se sentem livres para impunemente levantar suas bandeiras em provocação, por terem aval do Estado.

Justamente, nos dias anteriores à marcha, vimos pelos meios e pelas redes sociais um giro repressivo nas operações policiais dirigidas contra os ambulantes, artistas de rua e jovens de bairros periféricos, que foram interceptados pelas forças da Guarda Republicana, a PADO, e outros corpos especiais treinados para atuar contra multidões.

Horas antes da mobilização do #8M, o governo saiu dizendo que via “com preocupação” a marcha das mulheres. Claro, se são as mulheres se organizando por seus direitos, governos e instituições patriarcais devem tremer.

A demonstração desta “preocupação” foi a presença policial nas redondezas da mobilização, com tanques anti-distúrbio, mangueiras de água contra multidões, dezenas de centenas de policiais das forças especiais. Querem meter medo nas mulheres, mas não conseguirão, e nada nos vai parar.

“Igreja, lixo, tu és a ditadura”

Uma das instituições mais repudiadas foi a igreja católica, que não perde a oportunidade para se meter na educação pública e a quem, como provocação, o governo quer dar este poder.

Na marcha vimos como a igreja localizada na Av. 18 de julho estava totalmente cercada e guardada por mais de 30 efetivos policais. Não é para menos, aos padres pedófilos e abusadores, o governo premia com impunidade e proteção frente à bronca das mulheres.

As ex-presas políticas se fizeram presente

Elas não poderiam deixar de serem citadas, como vêm sendo há anos. As mulheres que foram presas políticas durante a ditadura civil-militar. Aquelas que tiveram que suportar a tortura, as humilhações sexuais e todo tipo de abusos. Essas valentes mulheres que hoje estiveram presentes com suas faixas, dizendo que nada as calará. Foram aplaudidas na marcha.

Pão e Rosas e suas lutas

Nossa agrupação Internacional teve, no Uruguai, várias lutas fundamentais. Em primeiro lugar, a defesa das conquistas adquiridas, e que nenhum governo nos vai tirar. “Não passarão” se podia ler nas faixas e cartazes. Porque nossos direitos, que foram conquistados com anos de luta, não são moeda de troca para os governos de ocasião. Em segundo lugar, lutamos contra o “feminismo liberal”, aquele feminismo representado por mulheres dos mesmos partidos tradicionais que hoje dizem lutar pela igualdade de direitos, mas que em todos os outros dias governam para os ricos, as multinacionais e os latifundiários.

Expressão deste feminismo é Beatris Argimóin, hoje vice-presidenta, que afirmou participar da marcha, apesar de ter sido repudiada com os cantos “Argimón, Argimón, seu feminismo é pura repressão”. Pão e Rosas denunciou, antes, durante e depois, o avanço repressivo do novo governo, repudiando o operativo policial.

Por último, não podia faltar a referência a nossas irmãs chilenas que hoje se encontram em uma luta contra um regime herdado da ditadura e que, por levantarem-se contra ele, foram vítimas de violações e de todo o tipo de abuso por parte dos carabineros. “Chilana, escuta, sua luta é nossa luta” ou “Que se muera Piñera, e não minha companheira”: As mulheres de Pão e Rosas sentem-se orgulhosas destas irmãs lutadoras.





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