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CAOS NA SAÚDE

855 cidades estão em situação de alerta com risco de epidemias de dengue, chikungunya e zika

De acordo com levantamento realizado pelo governo federal e município, há 855 cidades que estão em situação de alerta ou risco para epidemias de dengue, chikungunya e zika neste verão. O grupo equivalente a 37,4% dos municípios pesquisados e apresentam altos índices de criadouros do Aedes aegypti, vetor das três doenças.

sexta-feira 25 de novembro| Edição do dia

O número, que é 18% menor do que o apontado no levantamento de 2015, causou um misto de apreensão e frustração entre as autoridades sanitárias. A expectativa era de que a redução fosse maior, principalmente por causa da grande discussão em torno da microcefalia, má-formação congênita associada à infecção pelo zika. O aparato montado ao longo deste ano e as visitações feitas nos domicílios, trouxeram impacto menor do que o esperado. A consequência porem, é que o Brasil se prepara para enfrentar um verão com dez capitais com número de criadouros do mosquito, muito acima do que é considerado seguro, e com risco maior de circulação do chikungunya, uma doença que pode ter desdobramentos crônicos, além de provocar dores e poder ser incapacitante.

Ao apresentar os dados, o ministro da Saúde, Ricardo Barros, reconheceu que a redução dos criadouros, foi muito menor que o desejado, e responsabilizou os municípios e a população: "Por isso que o presidente do Conselho de Secretários Municipais está aí. Para que motive os municípios a participar de uma forma mais efetiva. Não há força pública capaz de combater o mosquito. Ou a população se engaja ou nós não vamos conseguir vencer essa batalha."

O ministro voltou a afirmar que a maior preocupação este ano é com o chikungunya. "Qualquer crescimento do número de criadouros representa o risco de mais pessoas atingidas. E é uma doença incapacitante, gera muitas dores, as pessoas requisitam auxílio-doença, custa caro para o governo. Nossa preocupação é sensibilizar a população, para que se proteja, para que use repelentes, para que evite a exposição ao mosquito", disse. Ainda que os resultados obtidos ao longo do ano sejam pouco animadores, Barros afirmou que espera que o trabalho de combate ao mosquito, nos próximos meses, seja eficaz. Questionado sobre uma possível epidemia de chikungunya no país este próximo ano, ele afirmou: "Mesmo se os casos dobrarem, teremos 500 mil casos. Não é uma epidemia para o Brasil, mas é uma preocupação", disse.

O levantamento, que foi batizado de Levantamento Rápido de Índices para Aedes aegypti (LIRAa), foi feito em 2.284 dos 3.704 municípios considerados aptos para fazer a pesquisa, por terem mais de 2 mil imóveis. A pesquisa é feita por adesão, e Barros informou haver proposta para o LIRAa, no próximo ano, se transformar, obrigatório a todos os municípios.

O levantamento deste ano mostrou que nas regiões do Nordeste e Sul, a maior parte dos criadouros foram encontrados em depósitos de água, como tonéis tambores e caixas. No Nordeste e Centro-Oeste, depósitos maiores foram encontrados em depósitos de lixo. O Sudeste foi a única região em que a maior parte dos criadouros estava em depósitos domiciliares. No Nordeste, metade dos municípios estão em situação de alerta ou de risco. Entre elas, há destaque para as capitais de Rio Branco, Belém, Boa Vista e Manaus. Os números no Nordeste são ainda mais preocupantes, sendo 63,2% das cidades em situação de risco ou alerta. As capitais que estão nesta lista são, Aracaju, Salvador, Recife. No Centro-Oeste, 21,5% dos municípios visitados estão em condição de risco e alerta. No grupo em situação de risco, estão as capitais de Cuiabá e Goiânia. No Sudeste, Vitória está em situação de alerta. Ao todo, 22,9% das cidades que fizeram o LIRAa estão em situação de alerta e risco. São Paulo e Rio estão sendo considerados em situação satisfatória.

Na contramão destes resultados, vemos os esforços desse governo para aprovação da PEC 241, que congela os gastos do orçamento da União, agora também chamada como PEC55, para a criação de um teto para limitação de gastos já tão escassos. Atualmente, o Brasil investe aproximadamente 8% de seu orçamento para saúde, sendo um dos países que menos investe neste setor comparado com a média mundial. Os cortes na saúde, ocasionam o sucateamento do serviço público de saúde e dos programas que trabalham com a prevenção de doenças. Essas mudanças de orçamento afetam principalmente os mais pobres que necessitam de forma quase que unânime do serviço público de saúde e educação, além de atentar diretamente contra direitos básicos do cidadão.




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