80 tiros nunca esqueceremos: Militares, Witzel e Bolsonaro são os culpados!

terça-feira 7 de abril| Edição do dia

Hoje completam-se um ano do assassinato do músico Evaldo Rosa que teve seu carro atingido por 80 tiros por militares no bairro de Guadalupe, zona norte do Rio, região próxima da favela do Muquiço. O Comando Militar do Leste responsável por aquela região alegou que se defendia, atuando em “legítima defesa” por conta de um “ataque advindo do veículo”. Na verdade, dentro do veículo estavam Evaldo e sua família, filho, sobrinha, esposa e sogro, do lado de fora o catador de recicláveis Luciano Macedo também que tentava ajudar a família também foi atingido por tiros de fuzis e morreu dias depois.

O assassinato ocorreu meses depois do fim da intervenção federal comandada pelo General Braga Netto, o mesmo que hoje é o ministro da Casa Civil de Bolsonaro e está a frente do gabinete de crise criado por conta da pandemia do coronavírus. A intervenção federal foi assinada pelo golpista Michel Temer e colocou nas ruas do Rio de Janeiro reprimindo os trabalhadores, principalmente os negros e negras nas favelas.

O fuzilamento com mais de 200 tiros disparados contra uma família de trabalhadores negros na periferia do Rio diz muito sobre qual regime político pós golpe, figuras reacionárias como os militares, mas também como Bolsonaro e Witzel, tentam construir, sobretudo em relação aos trabalhadores e os negros. O caso do fuzilamento e assassinato de Evaldo Rosa é uma das inúmeras provas que tanto os militares como estes políticos são entusiastas de fortalecer um regime ainda mais racistas, onde a violência policial é “carro chefe” de uma política de extermínio sistemático da juventude negra, como ficou marcado nas mais de 1.800 mortes pela polícia de Witzel no ano passado.

Certamente, milhares de brasileiros e principalmente a família de Evaldo que sobreviveu ao fuzilamento se pergunta porque disparar 80 tiros contra um carro de uma família de trabalhadores. Isso só se explica a partir de um ponto de transformação do regime político brasileiro, protagonizado por um golpe institucional que abriu uma nova correlação de força de ataques aos direitos dos trabalhadores e teve com assassinato de Marielle Franco durante a intervenção federal a marca de uma ferida aberta desse processo. O número de assassinatos em favelas e periferias aumentou de maneira absurda, outras figuras do regime para além de Witzel e Bolsonaro foram incorporando essa política de aprofundamento do racismo estrutural como Doria, mas também por outras vias, atacando a cultura negra, como foi o caso de Marcelo Crivella que durante os anos de seu mandato vimos um número também crescente de ataques a terreiros de candomblé e umbanda. Esse mesmo setor que é parte, hoje, de intensificar ainda mais a opressão racial sobre os negros, foi o mesmo setor que apoiou o golpe institucional e a Lava Jato que veio para atacar os direitos dos trabalhadores.

Carolina Cacau professora da rede estadual do Rio de Janeiro e militante do Quilombo Vermelho também denunciou o Exército nesse crime bárbaro:

Assim como Marcello Pablito, trabalhador da USP e militante do Quilombo Vermelho, também denunciou a atuação racistas dos militares:

Passados um mês do assassinato de Evaldo Rosa, o Superior Tribunal Militar decidiu de forma quase unânime (11 votos a 1) libertar os 9 militares presos por conta do assassinato do músico, ou seja, os militares decidiram pela impunidade de um assassinato covarde de um trabalhador negro. Atitudes como essa dos militares não é nada mais que um incentivo a esses tipos de massacres racistas e covardes que vem acontecendo ao longos dos anos, assim como foi a chacina do Falet no Rio, a chacina de Paraisópolis em São Paula, as chacinas dos presídios no Norte do Brasil, onde mães negra não tiveram nem ao menos o direito de enterrar seus filhos, o assassinato de Ágatha de apenas 8 anos entre muitos outros exemplos que mostram que as nossas vidas, assim como a de Evaldo, não vale nada para os militares, a polícia e os capitalistas.

Nunca nos esqueceremos dos 80 tiros, muito menos de quem puxou o gatilho, o assassinato de Evaldo é parte de uma política de extermínio da juventude negra que vem se intensificando no últimos anos. Não podemos nos esquecer que o assassinato de Evaldo ocorreu pelas mãos dos militares que hoje junto ao Gal Braga Netto vai tomando um posto de proeminência nas decisões nacionais frente a crise do coronavírus, onde o Alto Comando do Exército passa a exercer ainda mais poder político, contendo os “ânimos” entre Bolsonaro e os governadores. Assim como Witzel e Bolsonaro, verdadeiros inimigos dos negros, que agora durante a crise do coronavírus, vão mostrando ainda mais seu ódio contra os negros, sem garantir testes massivos para que possam fazer quarentenas onde não infectem outras pessoas onde moram. Não garantem uma renda mínima de 2.000 reais para os trabalhadores autônomos, muito menos kits de higiene, EPI’s, álcool em gel nas favelas, onde milhares de moradores mostram seus laços de solidariedade distribuindo produtos de limpeza, higiene e cestas básicas em favelas e periferias porque o estado não garante nem o mínimo.

Nós do Quilombo Vermelho nunca esqueceremos os 80 tiros no músico negro, Evaldo Rosa e em sua família, assim como o assassinato de outro trabalhador negro, Luciano Macedo também morto pelos militares. Exigimos justiça a todos os negros e negras assassinados covardemente pelo estado racistas e nos solidarizamos com todas mães, pais e familiares que perderam seus parentes nessa guerra contra os negros criada pela burguesia.




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