Gênero e sexualidade

ABORTO

8 de agosto: lutar ao lado das argentinas pela legalização do aborto

No próximo dia 8 de agosto irá a votação no Senado da Argentina o Projeto de Lei pela legalização do aborto. Trata-se de uma segunda votação, após a conquista na Câmara dos Deputados fruto da mobilização do movimento. Se passar também no Senado dia 8, expressará uma enorme vitória das mulheres argentinas e de todo o mundo, conquistando esse direito democrático elementar, que políticos e setores conservadores ainda hoje criminalizam em distintos países do mundo.

segunda-feira 16 de julho| Edição do dia

No Brasil é fundamental organizar uma forte manifestação nesta data para lutar ao lado das mulheres argentinas pela legalização do aborto em toda a América Latina.

Maíra Machado, professora da rede estadual de Santo André e militante do grupo de mulheres Pão e Rosas comentou a importância desta data “A batalha no Senado será uma data onde a maré verde tende a se expandir e potencializar. Nós do Pan y Rosas Argentina estamos lutando por esta perspectiva, inclusive defendendo que as centrais sindicais organizem paralisações nesta data. O impacto desta luta pode ter efeitos muito fortes nos outros países da América Latina, e aqui no Brasil a esquerda tem o dever de encabeçar esta batalha, fazendo ecoar a maré verde em nosso país pra arrancar um direito que sabemos que enquanto não tivermos acesso continuará tendo como resultado a morte de milhares de mulheres pobres, trabalhadoras e negras por abortos clandestinos. No próximo dia 19/7 está convocada uma manifestação em São Paulo e outros estados, que nós do Pão e Rosas vamos construir com força, mas batalhando para que no dia 8 exista uma forte manifestação a nível nacional".

Arrancar o direito ao aborto legal, com a força das mulheres trabalhadoras e jovens à frente junto a seus companheiros trabalhadores, seria um impulso para enfrentar os ataques do governo golpista de Temer, lutando pela anulação da reforma trabalhista, da PEC 55 do teto de gastos sociais e do conjunto de seus ajustes


Maíra Machado, Marcello Pablito e Diana Assunção

Diana Assunção, também militante do Pão e Rosas e dirigente do MRT comentou sobre o dia 8 “Para que o dia 8 seja uma manifestação forte, e não somente uma vigília em frente aos consulados da Argentina, consideramos fundamental que todas as organizações que lutam pelo direito ao aborto convoquem uma forte manifestação colocando todo o seu peso militante, de parlamentares, imprensa e todo o possível pra fazer a mais forte manifestação nesta data. Precisamos mostrar que estamos ao lado das mulheres argentinas mas também trazer essa bandeira de luta pela legalização do aborto para o Brasil”.

Para Diana as centrais sindicais, em primeiro lugar a CUT e a CTB, dirigidas pelo PT e o PCdoB, estão em uma forte trégua com o governo golpista do Temer sendo parte direta das traições contra os trabalhadores, e por isso precisariam romper esta trégua e convocar a manifestação do dia 8 organizando reuniões e assembleias pela base: "Além disso, os movimentos de mulheres como a Marcha Mundial de Mulheres, Católicas Pelo Direito de Decidir e a própria Frente Nacional Contra a Criminalização do Aborto e Pela Legalização do Aborto que é dirigida pelo PT deveriam colocar todo o seu peso convocando unitariamente uma manifestação para o dia 8 em todos os estados do país".

O PSOL, que tem como orientação política central a luta pela descriminalização do aborto com a ADPF apresentada ao STF, precisaria voltar a levantar com centralidade a bandeira pela legalização do aborto.

"Isso agora passa por colocar todos os esforços para que tomemos as ruas no dia 8/8 no Brasil, organizando-o a partir dos locais de trabalho e estudo com atividades e reuniões. Combinado a isso, todos os candidatos do PSOL deveriam colocar no centro da agitação eleitoral a legalização do aborto, aproveitando esse espaço para chegar às massas com esse programa e chamando o dia 8 de agosto. Não há simplesmente nenhum motivo para que todas essas organizações não girem todos os seus esforços para fazer ecoar a maré verde no Brasil".

Confira o link no Facebook para o ato pela legalização do aborto no Brasil, convocado pelo Pão e Rosas.

Rita Cardia, militante do Pão e Rosas do Rio de Janeiro disse: “No estado do RJ é onde mais se criminaliza as mulheres que realizam abortos clandestinos e casos como de Jandira e da Elisângela, que chocaram o país, são a mais triste e revoltante realidade das mulheres vítimas desse Estado, pois não possuem o direito ao aborto legal, seguro e gratuito. Na primeira assembleia de mulheres do Rio de Janeiro que ocorreu no dia 4 de Julho, o Pão e Rosas esteve presente e decidimos entre mulheres de partidos de esquerda como o PSOL, PCB e coletivos de mulheres como a Marcha Mundial de Mulheres e feministas, que vamos construir no dia 8 de agosto um grande ato no Rio. Por isso é fundamental que o PSOL com o peso político que tem no Rio, através de seu setorial de mulheres e os sindicatos como o SEPE, em que são parte da direção, além das candidatas e candidatos e seus parlamentares na Câmara de Vereadores e na ALERJ, devem desde já convocar esse ato no 8 e construirmos em unidade uma forte campanha pela legalização do aborto".


Rita Cardia

Maíra finalizou dizendo que não apenas a direita conservadora, mas também o PT se coloca como obstáculo à conquista desse direito, tendo negado a legalização do aborto em todos os 13 anos de seu governo, em função de alianças com o Vaticano e os partidos obscurantistas da burguesia. Daí que esta batalha para arrancar a legalização do aborto precise ser dada com total independência do Estado e suas instituições, sem nenhuma confiança inclusive no Poder Judiciário, que foi um pilar do golpe institucional: “O Pão e Rosas está portanto convocando uma manifestação no dia 8 de agosto em frente aos consulados da Argentina, queremos construir na mais ampla unidade com todos os setores que estejam dispostos a romper o ‘calendário’ puramente eleitoral e colocar candidaturas e parlamentares, além de toda força militante que tiverem, a serviço desta luta porque somente nas ruas vamos conquistar esse direito, não será nem o Congresso Nacional nem o STF que vai nos conceder nada. Chamamos todas as organizações de mulheres e de esquerda a construírem essa manifestação conosco”.




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