Política

ELEIÇÕES RIO DE JANEIRO

7 questões fundamentais nas eleições no Rio

O que está em jogo nessas eleições? 7 questões fundamentais.

segunda-feira 24 de outubro| Edição do dia

1. As eleições municipais em todo o país marcaram a falência do projeto do PT. Para tentar governar conciliando os interesses opostos de trabalhadores e patrões, Lula e Dilma fizeram todo tipo de acordos com a direita mais conservadora, de Cunha a Sarney, de Marco Feliciano a Collor. Isso abriu espaço para o golpe que a direita implementou para aumentar os ataques que o PT já vinha fazendo. Nas urnas, se fortaleceu a direita – particularmente o PSDB – em especial com João Dória, que quis se desvincular de maneira demagógica da imagem dos políticos tradicionais e se afirmar com um perfil “empresarial” e “gestor”. Também se fortaleceram os votos nulos e abstenções, expressando um rechaço aos políticos, fruto da enorme crise de representação.

2. No Rio de Janeiro, essa direita também mostrou sua força com uma votação expressiva de Bolsonaro, Pedro Paulo, Osório, Índio da Costa, e acima de tudo com a votação no bispo Marcelo Crivella do PRB, que representa o que há de mais conservador na política agora no segundo turno. Crivella, que agora é acusado de desvio de verbas da Petrobrás em delação, tenta fazer uma campanha mais ao centro e populista para ganhar, mas é um milionário ligado à Igreja Universal, racista, machista e homofóbica. É apoiado com máfias como a de Garotinho, Bolsonaro e os Jerominho (milicianos).

3. O PRB foi durante anos base de apoio dos governos petistas, e depois esteve na linha de frente do golpe. O próprio Crivella foi eleito senador usando patrocínio do PT com verbas desviadas da Petrobrás. Agora, apoiou unanimemente a PEC 241 e defende os ataques de Temer e as privatizações. No parlamento como no governo do Rio, caso vença, será linha de frente dos ataques dos golpistas contra os trabalhadores e o povo pobre.

4. Mas o Rio de Janeiro foi um contraponto em relação a todo o país: foi onde se expressou com mais força nas urnas uma busca por uma alternativa à esquerda do PT (e PCdoB). Os votantes do Freixo são uma grande força social, de centenas de milhares, que junto aos trabalhadores, tem toda condição de combater Crivella, a direita golpista e seus ataques, e transformar o Rio em mais um ponto de apoio pra luta nacional, junto ao Paraná que está na linha de frente das lutas no país hoje, com quase 1000 ocupações de escolas por estudantes.

5. Mas nesse combate contra Crivella, Temer e a direita, não podemos repetir a tragédia do PT. Freixo vem centrando sua campanha na melhoria dos serviços públicos, mas não apresenta uma medida sequer de ataque à propriedade dos capitalistas, sem o que não será possível sequer isso. Primeiro teve uma postura “diplomática” de não atacar Crivella, e recentemente começou a denunciá-lo (o que ajudou a subir nas pesquisas). No entanto, depois disso passou a moderar ainda mais o seu discurso e lançou um programa de TV em que fala que vai “governar para todos” e “conversar com empresários”, encontros com donos de supermercado e empreendedores. Ao Estadão, disse ser “impensável” arrancar o transporte público das mãos das máfias privadas, como de Jacob Barata. Em entrevista na Folha, Freixo declarou que quer buscar os votos que não são de esquerda, que vai fazer um governo “responsável”, e administrar o capitalismo de forma humana. Em sua “carta aos cariocas”, diz que atuará “junto ao setor privado” e em diálogo com a União (governo Temer). Com isso Freixo está preparando o caminho para trilhar os rumos da conciliação petista.

6. Nosso chamado é a combater a direita sem repetir os erros do PT, o que começa por atacar a propriedade dos capitalistas, sem o que não vai se resolver as demandas dos trabalhadores e do povo pobre. Com a força dos que apoiam Freixo e dos trabalhadores podemos fazer os capitalistas pagarem pela crise, com impostos sobre as fortunas e isenção para os pobres, estatizando a saúde e os transportes sem qualquer indenização, partindo da luta contra a PEC 241 e avançando para colocar a gestão dos serviços nas mãos dos trabalhadores e usuários. Com essa força, podemos legalizar as drogas para acabar com a matança nas favelas e o aborto para não haver mais mulheres mortas por aborto clandestino. Essas são algumas demandas que não podemos abrir mão e que não vamos conquistar com “conversa com empresários”, e sim com a força da luta, superando a velha conciliação petista.

7. Só construindo uma força anticapitalista baseada nas lutas é possível avançar nessa perspectiva. Venha somar forças conosco nessa luta com o Esquerda Diário e o MRT!




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