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66 PMs são presos no Rio por envolvimento com tráfico

A operação Calabar foi implementada pela Divisão de Homicídios de Niterói, Itaboraí e São Gonçalo durante essa quinta-feira (29) e cumpriu mandados de prisão contra 66 Policiais Militares apontados com envolvimento no tráfico.

Juan Dias

RIO DE JANEIRO

quinta-feira 29 de junho| Edição do dia

A operação Calabar foi implementada pela Divisão de Homicidios de Niterói, Itaboraí e São Gonçalo durante essa quinta-feira (28), e cumpriu mandados de prisão contra envolvidos no tráfico de drogas. Destes, 66 são contra Policiais Militares. Os mandados foram expedidos pela 2ª Vara Criminal de São Gonçalo e Auditoria da Justiça Militar.

Os PMs faziam parte do 7º Batalhão da Polícia Militar em São Gonçalo durante o período 2014-2016, período no qual teriam vendido armas para o tráfico em 41 comunidades e recebido propinas, chamadas de “meta” pelos policiais. Alguns dos PMs detidos faziam parte das UPPs do Complexo do Alemão e do Morro do Borel.

Segundo a investigação, as propinas eram pagas cada semana próximo ao batalhão e no Destacamento de Policiamento Ostensivo (DPO) do Jardim Catarina onde o dinheiro era lançado pela janela do DPO durante o período da madrugada.

A operação Calabar é uma tentativa de lavar a cara da instituição, prendendo um punhado de policiais que demonstram notável envolvimento com o tráfico. Uma encenação para mostrar que a corrupção é combatida dentro da PMERJ ao tempo que mantém laços estreitos com o tráfico de drogas nas comunidades enquanto reprime a população pobre e negra nestas comunidades sob a justificativa da "guerra às drogas".

Basta lembrar o Caveirão que a Polícia Militar disponibilizou recentemente para transportar traficantes que operavam na Cidade Alta em Cordovil no Rio de Janeiro. Mesmo os policiais que estão sendo presos serão julgados pela própria Polícia Militar, que já deixou impune inúmeros abusos, violência e assassinatos policiais. Exemplos disso são Amarildo, DG, o menino Eduardo ou Maria Eduarda. Os crimes e assassinatos que são a regra e não a exceção da ação da polícia que mata a população negra e pobre todo dia nas favelas continuarão impunes, pois são eles mesmos que realizam o julgamento. Esses crimes deveriam ser analisados e julgados por júri popular formado por moradores dos lugares de origem das vítimas.




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