60% dos moradores das periferias não possui renda para atravessar quarentena

Esse fato se aprofunda com o atraso do insuficiente auxílio do governo, sem ele, a renda mínima capaz de garantir a sobrevivência é drasticamente prejudicada.

terça-feira 14 de abril de 2020| Edição do dia

Pesquisa realizada pela Locomotiva e pela Data favela aponta que 60% dos moradores das periferias não possuem renda para sobreviver no período de quarentena e já falta o básico como a alimentação e os produtos de higiene. Esse fato se aprofunda com o atraso do insuficiente auxílio do governo, sem ele, a renda mínima capaz de garantir a sobrevivência é drasticamente prejudicada.

A pesquisa também aponta que mais da metade das famílias das comunidades não possuem estoque de alimentos e produtos de higiene. Nos supermercados, 80% dos moradores já enfrentam a falta de alimentos nas prateleiras, por causa dos descasos dos capitalistas que não possuem uma logística e abastecimentos adequados nas regiões mais pobres, indo a maioria dos produtos para supermercados em regiões mais ricas.

Se não bastasse, os problemas que os moradores já enfrentam no seu cotidiano nas periferias, como a falta de saneamento básico, falta de água, acesso a supermercados e dentro outros, com a crise sanitária do coronavírus esses problemas se agravam, onde na busca pela sobrevivência muitos moradores vão as compras em outras regiões sendo assim expostos ao risco do coronavírus e ficando mais vulneráveis a se contagiar e levar a doença para suas casas, mesmo porque o governo não oferece uma testagem massiva da população.

Com isso, os moradores das periferias, em sua maioria negra, já enfrentam a fome e o descaso do governo com sua população, para garantir o mínimo de sobrevivência, as famílias entram em dividas para levar para suas mesas algum alimento básico e assim poder continuar vivendo. Junto a isso, ainda cresce o problema do medo de serem demitidos, onde sabemos que essa população está inserida nos postos de trabalhos mais precários, e enfrentam diariamente os patrões que para salvar seus lucros ameaçam com o desemprego milhares de pessoas.

Na semana passada o governo federal anunciou o cadastramento dos trabalhadores para receberem um auxilio no valor de R$ 600,00 para as famílias que possuem renda de até meio salário mínimo por pessoa. Muitos dos trabalhadores estão enfrentando inúmeras dificuldades para receber o auxílio que pode no momento de pandemia ser a única fonte de renda, mas têm um valor muito baixo, que não garante a sobrevivência da grande maioria da população e ameaçam a esses moradores a passarem fome, a não terem em suas casas o mínimo para a higiene. Enquanto isso, Guedes e Bolsonaro garantem 1,2 trilhões de reais para salvarem os bancos e seus lucros, escancarando que a intenção de Bolsonaro é colocar os trabalhadores para pagar essa crise salvando os capitalistas.

Em defesa da vida dos moradores das periferias é necessário exigir que os serviços de saúde e de assistência social funcione plenamente e com aumento de suas equipes, para assim garantir que os moradores tenham acessos e garantias nos seus direitos, testes massivos para todas as comunidades e obras públicas de saneamento básico, expropriação de grandes hotéis para os moradores da favela se isolarem devidamente, além de salários integrais no valor de R$ 2.000 reais para todas as famílias para que garanta a alimentação de todos e a suspensão das cobranças das constas de água, luz internet e etc.




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