Sociedade

SAÚDE PRECÁRIA

6 pessoas morrem por hora no Brasil vítimas da precarização na saúde

Nas últimas semanas casos brutais de negligência hospitalar vieram à tona. Segundo levantamento, erros e falhas em hospitais causam seis mortes todas as horas. Desses, quatro poderiam ser evitados com a realização dos procedimentos adequados.

sexta-feira 17 de agosto| Edição do dia

Imagem: Flávia Junqueira/09.08.2018/ Extra

Um paciente que teve um AVC foi atendido numa prancha de madeira no chão de um hospital na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do Beira-mar, em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense. Ele morreu na quinta-feira após ser transferido para outros dois hospitais (16). A triste história de Moacir de Oliveira não é só dele, infelizmente. Segundo o Anuário Brasileiro de Violência Pública a cada uma hora, seis pessoas morrem por “eventos adversos graves”, ocasionados por erros médicos, falhas assistenciais, processuais ou infecções em hospitais brasileiros.

O assustador número revela uma realidade brutal na saúde. Os hospitais super-lotados, sem verba, convivem lado a lado com grandes empresas de planos de saúde que lucram bilhões todos os anos e financiam inclusive o ministro da saúde, que pessoalmente autoriza medidas para a expansão de seus negócios. A medicina como mera mercadoria é um pouco do que há de mais perverso no sistema do capital.

Em outros dados, o 2º Anuário da Segurança Assistencial Hospitalar, analisados pelo Instituto de Pesquisa da Faculdade Ciências Médicas de Minas Gerais (Feluma) e pelo Instituto de Estudos de Saúde Suplementar (IESS) foram levantados números de 182 hospitais públicos e privados, relativos a 2017. Segundo o levantamento, 54.760 mortes foram causadas por “eventos adversos graves”, e 36.170 delas poderiam ter sido evitadas.

Jonas dos Reis Lima foi outro caso brutal que chocou nessa semana no Rio de Janeiro. O paciente de 68 anos, aguardou cerca de cinco horas deitado num banco de concreto na porta da emergência do Hospital municipal Pedro II, em Santa Cruz, na Zona Oeste do Rio. Ele acabou falecendo na segunda feira, mais uma vítima da precarização na saúde.

Renato Couto, professor da Feluma, autor do estudo disse ao Extra: “Os eventos adversos são inerentes a qualquer serviço de saúde, mesmo nos melhores”, disse, em nota.




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