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50 mil mortes por covid-19: Bolsonaro e governadores são culpados

Com mais de 1 milhão de contaminados e cerca de 50 mil mortos - números esses que podem ser ainda maiores - pelo novo coronavírus, a crise sanitária no Brasil está se aprofundando cada vez mais pelo negacionismo bolsonarista e pela reabertura do comércio no estados do país. Bolsonaro e os governadores privilegiam o lucro dos grandes empresários e são culpados pelas mortes!

domingo 21 de junho| Edição do dia

Conforme dados oficiais, já são mais de 1 milhão de contaminados e 50 mil mortos pelo novo coronavírus. Esses números surpreendentes, que mostram a gravidade da crise em curso no país, podem ser ainda maiores, visto que não há qualquer política de testagem massiva ou mesmo de combate ao covid-19.

A chegada do novo coronavírus no Brasil tem gerado uma série de efeitos sociais que estão diretamente relacionados com a desigualdade no país. Com efeito, em função da crescente precarização do trabalho, da vida e do sistema de saúde, os trabalhadores têm pagado o preço mais alto pela crise por conta da falta de políticas voltadas a combater a pandemia atual.

A ausência de políticas para combater a crise está diretamente relacionada com a manutenção do lucro dos grandes capitalistas. Enquanto o país bate recordes de mortos, Bolsonaro e Paulo Guedes seguem injetando bilhões nos bancos, a fim de salvá-los. Os governadores, setor esse que aparecia como mais racional e também como “oposição” ao bolsonarismo, ao adotarem a política de reabertura, mostram como a prioridade nunca foi combater a crise, mas sim salvar os grandes empresários.

Como ficou nítido na reunião ministerial de Bolsonaro e nas recentes ações dos governadores dos estados, o prioridade é garantir a manutenção das taxas de lucros dos grandes capitalistas, por fora de oferecer políticas para combater a crise, mesmo que isso implique sacrificar um enorme contingente da classe trabalhadora, como vemos com os 50 mil mortos e mais de 1 milhão de contaminados pela covid-19.

Sem o objetivo de oferecer mais testes e leitos para os trabalhadores, Bolsonaro e os governadores seguem com a sua política assassina contra os setores mais afetados pelos efeitos sociais da crise em curso. Marcada pela falta de medidas para combater a crise sanitária, essa política é composta também pela intensificação de ataques aos direitos da classe trabalhadora, como se vê com a aprovação das Medidas Provisórias.

Nesse sentido, a frase pronunciada pelo Ministro Ricardo Salles na reunião ministerial, referente a flexibilização dos desmatamento, também pode ser transposta para as demais áreas do governo, visto que a crise tem sido utilizada por Bolsonaro, seus ministros, os governadores e instituições como o STF e o congresso, como pretexto para aprovação de ataques. A prioridade, como mencionado anteriormente, é garantir os lucros dos empresários frente à crise econômica cada vez mais profunda, mesmo que isso seja em detrimento da vida dos trabalhadores, das mulheres, dos negros e dos LGBTs.

Frente a isso, é essencial reconhecer que todos os setores do governo têm responsabilidade sobre os efeitos dessa crise e que estes são também fruto da atual crise capitalista. O desemprego, o aumento da desigualdade social, o aumento das mortes da contaminação e da violência policial contra a população negra mostram o que o sistema econômico - que gera suas próprias crises e é incapaz de resolvê-las - reserva aos trabalhadores. Justamente por isso, a luta contra a crise atual não deve ser enxergada apenas como o combate ao Bolsonaro, mas ao regime de conjunto.

Para tanto, partindo da necessidade de lutar contra um sistema que reserva somente miséria e opressão e de que atores como STF, o congresso e os militares, tal como Bolsonaro, são culpados pela crise, é preciso erguer um programa para a crise política e sanitária, orientado pela independência de classe. Sendo assim, diferente da política que organizações do campo da esquerda têm levantado, como o PSOL e o PSTU, o combate à crise não deve se restringir ao governo Bolsonaro, assim como não deve ser feito a partir do fortalecimento de atores institucionais do governo, que não são eleitos e que têm se mostrado cada vez mais autoritários.

A luta contra a extrema-direita não deve ser feita pela via do Estado, mas sim pela atuação extra-parlamentar, a partir do fortalecimento de organismos de auto-organização da classe trabalhadora, sem que se alimente ilusões sobre o regime, tal como o impeachment e as eleições gerais fazem. A luta pela imposição de uma Assembleia Constituinte Livre e Soberana é essencial, de modo que os rumos do país sejam deliberados pela população, com base em debates sobre as principais áreas (economia, saúde, etc).

Combinado a isso é essencial que se levante um programa de combate a crise, que exija a reestruturação do sistema de saúde, a partir da estatização de todos os leitos sob o controle dos trabalhadores, ao passo que sejam disponibilizados testes massivos ao conjunto da população. A reconversão da indústria também é importante, posto que possibilita que sejam produzidos e distribuídos equipamentos fundamentais para o combate à crise.

A defesa dos empregos, contra a política de demissão deve ser algo levantado também, conjuntamente com a defesa ao direito à licença remunerada e a política de auxílio de renda de 2.000 reais para a população . Tudo isso, estando vinculado a uma luta profunda contra o regime e que busque atender as principais demandas dos trabalhadores.




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