Sociedade

VIOLÊNCIA POLICIAL

5 Amarildos na Zona Leste de São Paulo?

Odete Cristina

São Paulo

sábado 29 de outubro| Edição do dia

César Augusto Gomes Silva, de 19 anos, Jonathan Moreira Ferreira e Caique Henrique Machado Silva, ambos de 18, além de Robson Fernando Donato de Paula, 16, e Jonas Ferreira Januário, 30, estão desaparecidos desde a noite de sexta-feira (21/10), depois de terem sido abordados por policiais a caminho de uma chácara na extrema Zona Leste de São Paulo.

A última notícia obtida pelos familiares foi de um áudio de Jonathan para uma amiga:

“Ei, tio. Acabo de tomar um enquadro ali.
Os polícia tá me esculachando”

A mãe de Jonathan, Adriana Nogueira, diz já não ter mais esperanças de encontrar o filho vivo: “Não temos nem sinal deles. Como pode cinco pessoas sumirem e ninguém ver nada?”. Os familiares não sabiam exatamente para onde os jovens estavam indo, mas se preocuparam porque no dia seguinte, quando costumavam voltar depois de sair para uma balada no fim de semana, não apareceram.

O carro em que os jovens estavam foi encontrado pelas famílias no dia seguinte, abandonado no Rodoanel. Familiares também conseguiram rastros dos aparelhos de celular dois dias depois do desaparecimento, em Atibaia, Bragança Paulista e no shopping Aricanduva, porém já desde o sábado após envio do áudio de Jonathan ninguém mais atendeu os telefones.

Ocorrências foram registradas 55º DP (Parque São Rafael) e 49º DP (São Mateus) e a polícia declarou ter “instaurado Procedimento de Investigação de Desaparecimento (PID) para investigar o caso no DHPP. O carro usado pelos jovens foi periciado e as famílias foram notificadas para comparecerem no departamento. Mais informações não podem ser passadas para não prejudicar as investigações”.

Familiares e outros manifestantes realizaram uma manifestação na via de acesso do Rodoanel, perto da avenida Sapopemba, zona leste de São Paulo, na tarde desta quinta-feira (27) exigindo verdade e justiça no caso dos jovens desaparecidos. Às 10h, as famílias ocuparam faixas do Rodoanel, no sentido Baixada Santista, a Polícia Militar chegou e usou balas de borracha e bombas de gás lacrimogêneo para dispersar o grupo. Uma tia de uma das vítimas tentou conversar com um policial, mas não obteve êxito. Por volta das 11h, duas pessoas foram detidas pela Polícia Militar, por desobediência e desacato, e encaminhadas ao 55º Distrito Policial (Parque São Rafael).

Nos somamos aos familiares e a grupos como as Mães de Maio e todos aqueles que querem e exigem saber ONDE ESTÃO OS CINCO JOVENS DA ZONA LESTE DE SÃO PAULO?!

Para a polícia brasileira que mata em média nove pessoas por dia, segundo dados do Décimo Anuário de Segurança, não é novidade nenhuma o envolvimento em casos de desaparecimentos como esse. O caso do pedreiro Amarildo no Rio de Janeiro em 2013 ganhou grande proporção nacional e internacional e infelizmente depois dele novos casos não pararam de aparecer, bem como de assassinatos sumários, forjas em autos de resistência etc.

A polícia, seja dos batalhões especiais da polícia militar ou civil, as guardas municipais ou corporações locais, com a qual a juventude que despertou para a luta vem se experimentando nos atos e ocupações com a repressão covarde as mobilizações, é a mesma que sempre assassinou jovens pobres e negros nas favelas e periferias das cidades, a mesma que tira até mesmo os corpos dos filhos de suas mães, desaparece e destrói a vida de milhares de famílias. Esta polícia violenta existe para sufocar qualquer tipo de revolta ou mesmo humilhar os pobres para "lhes mostrar seu lugar" nesta sociedade de classes, o da exploração do trabalho, dos piores serviços públicos, enquanto a burguesia planeja que sua crise seja paga por nós. Para todas as polícias nenhuma confiança, esta matança racista precisa acabar, a polícia também.




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