Sociedade

ANIVERSÁRIO DE SÃO PAULO

464 anos de exploração e opressão. Por uma São Paulo dos trabalhadores!

São Paulo completa hoje 464 anos. O que temos a comemorar? Afinal, o que os ricos, poderosos e capitalistas fizeram com São Paulo?

Diana Assunção

São Paulo | @dianaassuncaoED

quinta-feira 25 de janeiro| Edição do dia

Nos seus 464 anos tudo mudou, os bandeirantes vieram, exterminaram quase todos os indígenas! Mas resistem, como os indígenas do Pico do Jaraguá que protagonizaram importante luta em 2017.

Em agosto do ano passado, o Ministério da Justiça revogou a reserva indígena do Pico do Jaraguá através da portaria 683/17 assinada pelo golpista Temer. Isso significaria o fim da comunidade indígena. Os 512 hectares da reserva haviam sido reconhecidos em 2015. Após intensos protestos, com a ocupação do pico do Jaraguá e o desligamento de antenas de TV e celulares pelos indígenas. Para os índios a demarcação de terras indígenas prejudicava os planos de privatização do governo, além de impedir o avanço da destruição do meio ambiente que esses planos acarretariam. Só após intensa mobilização, a justiça voltou atrás, revogando a portaria.

Cidade onde a média salarial vai de R$ 1.200,00 nos bairros mais pobres à R$ 10.000,00 nos bairros ricos. São 464 anos de desigualdades.

Engenheiro Marsilac é um bairro do extremo sul de São Paulo, próximo a Parelheiros. Para chegar na Paulista, centro comercial da cidade são mais de 2 horas e 4 conduções no mínimo. De acordo com o IBGE (2015) a região tem cerca de 8 vezes mais negros que o bairro de Pinheiros. Lá em Engenheiro Marsilac a média salarial entre os empregados formalmente (com carteira registrada) é de R$ 1.287,32 de acordo com a pesquisa publicada em outubro de 2017 pela Rede Nossa São Paulo. No Campo Belo, região nobre de São Paulo a média salarial é de 10.079,98 quase oito vezes mais. A cidade mais rica do Brasil é, de longe, uma das mais desiguais.

Onde o déficit habitacional é de mais de 230 mil moradias e o prefeito João Dória vive em uma mansão de 51 milhões de reais.

Em pesquisa realizada em 2015 o déficit habitacional de São Paulo chegava à 230 mil moradias. Além de 440 mil moradias inadequadas e precárias. Segundo levantamento feito pelo jornal Folha de São Paulo, em 2016, no extremo oposto da falta de moradia, São Paulo concentra 1840 mansões (residências com mais de 700 m2). O Atual prefeito de São Paulo, João Dória Jr é detentor da 4ª maior mansão da cidade, com 7 mil m2, avaliada em mais de 51 milhões de reais. A miséria da falta de habitações em São Paulo é o que sustenta mansões como a do prefeito-empresário.

Cidade campeã em violência sexual contra a mulher.

Em pesquisa da Fundação Thomson Reuters em 2017, que listava capitais do mundo para avaliar as condições de vida das mulheres, São Paulo aparece empatada com Nova Delhi como a pior cidade em violência sexual contra as mulheres. De acordo com dados oficiais, ocorre em média quase 7 estupros por dia na capital.“São Paulo é a cidade mais rica do país e ocupa posições de destaque na economia mundial. Porém, contrasta com os modernos prédios da avenida Paulista, cartão postal da cidade, um histórico sistemático de violência contra a mulher. De violência sexual à econômica.”

Onde quase 20% dos negros estão desempregados.

De acordo com o Dieese ao desemprego em São Paulo atinge 15,2% da população economicamente ativa. O acirramento da crise econômica precariza a vida dos trabalhadores. Porém, racismo e capitalismo andam juntos e entre os negros a taxa de desemprego chega a 19,4%. Além de serem mais atingidos pelo desemprego, os negros também ganham os menores salários. O salário dos negros foi, em média, de 67,8% do recebido pelos não-negros. Vale lembrar que uma mulher negra no Brasil ganha 60% menos que um homem branco, demonstrando, mais uma vez que o capitalismo utiliza a opressão machista e racista para melhor explorar os trabalhadores.

Onde a cada 12 horas um crime de ódio, principalmente contra LGBTs, é registrado.

Em levantamento realizado pelo jornal Folha de São Paulo a partir de registros oficiais, um crime de ódio contra negros, imigrantes ou LGBTs acontece a cada 12 horas em São Paulo. Se existe amor em SP, é ainda preciso combater a LGBTfobia, a xenofobia, o racismo e o machismo. E considerando que as vítimas de crimes de ódio são as que recebem os piores salários, estão nos postos mais precários de trabalho, mais vulneráveis ao desemprego o combate a opressão e aos crimes de ódio também é um combate ao capitalismo.

Mas São Paulo carrega uma história de luta e resistência contra todas essas mazelas. Construída com o sangue e luta de milhões de trabalhadores de todo o estado, de migrantes do nordeste, e agora também imigrantes africanos, haitianos, bolivianos. São 464 anos de opressão e exploração, mas também de resistência e luta.

Por tudo isso viemos batalhando para ecoar uma voz anticapitalista em São Paulo, ou melhor, milhares para fortalecer a nossa luta por uma São Paulo dos trabalhadores!




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