XENOFOBIA NA BULGÁRIA

400 refugiados detidos durante protesto realizado em centro na Bulgária

Mais de 400 imigrantes foram detidos nessa madrugada, 25, durante repressão a protesto realizado em centro de acolhimento de refugiados situados no sul da Bulgária.

sexta-feira 25 de novembro| Edição do dia

Foto: Operação Policial contra os refugiados, EFE

Os protestos aconteceram no centro de Harmanli, localizado a aproximadamente 50 quilômetros da fronteira Turca. Os refugiados protestavam contra toque de recolher declarado pelas autoridades búlgaras para evitar a propagação de supostas doenças.

As autoridades haviam proibido os refugiados de sair do local, permanecendo como prisioneiros no centro onde há enfermidades e péssimas condições de subsistência. Em resposta, centenas de imigrantes, maioria afegãos e paquistaneses, queimaram pneus, lançaram pedras e outros objetos contra os agentes da polícia búlgara. A polícia reprimiu o protesto com equipamentos antimotins, balas de borracha e canhão de água.

A tensão se expandiu para fora do centro de acolhimento, em uma antiga base militar de tanques, onde se reuniram dezenas de ultranacionalistas búlgaros com a intenção de entrar no centro e atacar os imigrantes amotinados, informou o canal privado Nova TV.

O primeiro ministro búlgaro em exercício, o conservador populista Boiko Boriosv, chegou ao local no início da madrugada. Ele afirmou que o motim no centro, que alberga mais de 3.000 pessoas, foi “organizado no exterior [do centro]”, incitando uma teoria conspiratória para justificar a repressão das autoridades aos refugiados.

“Os grupos afegãos forçaram os sírios a participar da desordem”, assegurou o mandatário búlgaro, que renunciou no dia 16 de novembro, porém, segue em função até a conformação de um novo executivo.

Borisov, conhecido por seu discurso xenófobo, disse que as autoridades búlgaras estão organizando em caráter de urgência a deportação dos afegãos do país e os primeiros serão “os que organizaram e participaram dos conflitos dessa noite”.

Na semana passada, autoridades búlgaras decidiram impedir temporariamente a saída do centro após protestos na vizinhança devido a supostos casos de doenças infecciosas entre os imigrantes. Deste modo, converteram de forma ilegal os refugiados em presos.

Após analisar a situação, as autoridades concluíram que não existia nenhuma ameaça epidemiológica, porém ainda assim as portas do centro de acolhimento foram fechadas enquanto aguardavam-se mais exames médicos.

A Bulgária tem um histórico de ataques xenófobos contra os refugiados, como as milícias de “caça aos imigrantes” que circulam pela fronteira. Atitudes racistas e de ultra direita aprovadas pelo governo.




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