Teoria

40 anos da Teoria Marxista da Dependência é tema de Seminário na Universidade Federal da Campina Grande

quarta-feira 23 de novembro| Edição do dia

Na Universidade Federal de Campina Grande, nos dias 24 e 25 deste mês, acontecerá o II Seminário da Teoria Marxista da Dependência, organizado pelo PET Economia, com a presença de Nildo Ouriques e Theotônio dos Santos.

A Teoria Marxista da Dependência se desenvolveu na América Latina, num esforço de propor uma nova interpretação sobre as relações de “dependência” da periferia em relação ao centro, a partir da década de 1960, em resposta as posições convencionais dos Partidos Comunistas e também da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL). Alguns dos principais nomes desenvolvedores da Teoria Marxista da Dependência são Ruy Mauro Marini, André Gunder Frank, Theotonio dos Santos, Vania Bambirra, entre outros.

Na Universidade Federal de Campina Grande, nos dias 24 e 25 deste mês, acontecerá o II Seminário da Teoria Marxista da Dependência, organizado pelo Programa de Educação Tutoria do Curso de Ciências Econômicas – PET Economia.
Na programação da atividade estarão presentes o economista Nildo Ouriques (professor da UFSC e presidente do Instituto de Estudos Latino Americano – IELA), no dia 24 de novembro, que irá falar sobre a “Teoria Marxista da Dependência e a Revolução Brasileira”, no Auditório do Centro de Extensão José Ferias. No dia seguinte, 25 de novembro, o economista Theotônio dos Santos (um dos fundadores dessa teoria) irá falar sobre os “40 anos da Teoria Marxista da Dependência”, no Auditório do Centro de Humanidades.

Em Junho desse ano, o Esquerda Diário participou de uma mesa intitulada: Teoria Marxista da Dependência: Subdesenvolvimento e Revolução na “III Semana de Economia Política da Universidade Federal do Ceará: Acumulação de capital e Emancipação Humana, Subdesenvolvimento, Crise Ambiental e Lutas Sociais no Século XXI”, que foi organizada pelo Núcleo de Economia Política (Viès).

Nessa oportunidade Nildo Ouriques expôs que entre 1962-1964, começou a se inserir no Brasil a Teoria Marxista da Dependência e depois da ditadura militar se abandonou o tema para focar no processo de redemocratização e não se falou mais sequer em reforma. Na sua interpretação há três regras básicas da dependência:
1) O capitalismo funciona transferindo valor da periferia para o centro – onde só um programa revolucionário socialista pode de fato estancar esse processo;
2) Existe uma “Lei de Bronze”, com base em Marini, na qual os salários estão submetidos a superexploração da força de trabalho – seria preciso um sindicato autônomo para lutar, ou seja, uma critica a CUT e outras centrais sindicais pela paralisia; e
3) Desmente que a Teoria Marxista da Dependência não admite reformas, as reformas tem que estar articuladas com o programa da revolução.
O vídeo completo da mesa pode ser encontrado neste link.

Theotonio Dos Santos, por sua vez, não precisa de maiores apresentações. Em termos acadêmicos, um dos fundadores da teoria da marxista da dependência, nos últimos anos passou do brizolismo à defesa de uma posições lulo-petistas em termos tácticos, mas mantendo sua autonomia intelectual.

A partir do Esquerda Diário entendemos que é central realizar uma análise crítica da teoria marxista da dependência e que é importante problematizar categorias como subimperialismo e superexploração da força de trabalho de Rui Mauro Marini.

Destacamos também a importância de trazer ao debate algumas categorias importantes do marxista revolucionário Leon Trostky, entendendo os países latino americanos – Brasil e Argentina, por exemplo –, como semicoloniais no marco da teoria do imperialismo de Lenin, da teoria do desenvolvimento desigual e combinado e da revolução permanente, assim destacamos a urgência de ler e se aprofundar nos Escritos latino-americanos de Trotsky.




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