ESPÍRITO SANTO

4 mil rodoviários em Vitória-ES sofrem ameaça de demissão

sexta-feira 12 de julho| Edição do dia

Foram entregues os primeiros 20 ônibus com ar-condicionado do Sistema Transcol, no dia 26 de junho, na Praça do Papa em Vitória, ES, e com eles mais um ataque aos trabalhadores: nesse ônibus não haverá cobrador, e por isso, a passagem somente será paga com cartão de bilhetagem eletrônica. O que, de acordo com o Sindirodoviários, resultará em cerca de 4 mil cobradores desempregados.

Frente ao imenso ataque, os rodoviários tomaram as ruas na manhã do dia 1º de julho, voltaram a protestar no dia 3 e ontem (10). Segundo o diretor social do Sindirodoviários, Cleber Lima, a reivindicação é que o governo não cumpra o anunciado e preserve o emprego dos cobradores. “O que a gente não vai deixar é perder o posto de cobrador. Eles disseram que vão remanejar para outro lugar, mas a gente sabe que não é isso que vai acontecer. O cobrador não só cobra, ele dá orientação ao motorista, verifica os pontos cegos, ajuda deficientes, dá informações. A gente não quer nada mais nada menos que o emprego. O governo deveria criar emprego e não desemprego. Imagina 5 mil cobradores na rua?”, questionou.

Em nota, a Secretaria dos Transportes e Obras Públicas (Setop) disse que "não haverá demissão por conta dos novos coletivos e que a cobrança exclusivamente por meio do cartão visa trazer mais agilidade no embarque e mais segurança, já que retira o dinheiro do ônibus, além da possibilidade de integração", chegando a dizer cinicamente que "em razão da implantação do Bilhete Único, haverá maior oferta de emprego no Sistema. Isso vai permitir que os profissionais que atuam como cobradores atualmente dentro coletivos passem a exercer novas funções, até mesmo fora dos coletivos." Sabemos que essa nota não passa de um descaramento enganador e que os ataques que serão passados em nada ajudarão os trabalhadores.

Com o enorme desemprego entre a juventude, que já ultrapassa a marca de 25% segundo o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), medidas como essa e como a reforma da previdência, que está em tramitação na Câmara, vem para piorar ainda mais as condições de vida dos jovens de hoje, reduzindo a nossa perspectiva de futuro, fazendo com que a nossa geração trabalhe até morrer, ou ainda que seja jogada ao relento sem empregos. E é nesse cenário que essa demissão em massa, que vem do governo do Espírito Santo, serve mais uma vez para descarregar a crise econômica nas costas dos trabalhadores. Mas as nossas vidas valem mais que os lucros deles!




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