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EUA: BLACK LIVES MATTER

4 homens negros são encontrados enforcados nos EUA, em meio ao levante antirracista no país

Dois casos na Califórnia, um no Texas e outro em Nova Iorque. Os 4 casos de homens negros enforcados disparam o alarme dos lutadores antirracistas em meio ao levante negro no país.

quinta-feira 18 de junho| Edição do dia

Na foto, Malcolm Harsch à esquerda e o jovem de 24 anos Robert Fuller à direita. Ambos encontrados enforcados na Califórnia. Fonte: Reprodução

No período de menos de 1 mês, 4 homens negros foram encontrados enforcados nos Estados Unidos. O caso mais recente foi no dia de ontem (17) quando um adolescente foi encontrado enforcado numa escola numa cidade do Texas, Springs. Assim como nos demais casos a polícia se apressou em apontar como suicídio a causa da morte, mesmo ainda sem os resultados da autópsia.

Na Califórnia, Malcolm Harsch, um negro de 38 anos de idade que estava sem teto, foi também encontrado enforcado em uma árvore no dia 31 de maio na cidade de Victorville.

A apenas 72 km de distância dali, em Palmdale, o corpo de um jovem de 24 anos, Robert Fuller, foi descoberto também pendurado em uma árvore.

Um dia depois da morte de Fuller, Dominique Alexander, 27, foi achado nas mesmas condições em Fort Tyron Park em Upper Manhattan, bairro de Nova Iorque. Os peritos locais consideraram a morte como um suicídio.

Entretanto, as similaridades das mortes, todos encontrados enforcados em árvores, levantam suspeitas. Contra a pressa da polícia em taxar a morte de suicídio, os familiares tanto de Malcolm Harsch quanto de Robert Fuller questionaram alegando que não havia mostras de comportamento depressivo por parte deles.

Fuller poucos dias antes havia participado dos protestos pelas vidas negras e contra o racismo estrutural que tomam o país por toda parte. Protestos na Califórnia passaram a cobrar uma investigação independente em relação à morte do jovem. A polícia local retirou o relatório de autópsia que apontava como suicídio a morte e o FBI passou a acompanhar a investigação dos dois casos.

Ainda por cima, um meio irmão de Fuller, Terron Jammal Boone, foi morto pela polícia da Califórnia há poucos dias, numa perseguição segundo a polícia de um caso de sequestro. Terron teria disparado contra os policiais que revidaram executando o jovem e ferindo uma mulher que o acompanhava, além de uma menina de 7 anos também presente no veículo.

As circunstâncias das mortes remetem às execuções de negros pela Ku Klux Klan, a abominável seita racista que tinha como um dos seus métodos linchar e enforcar homens negros em árvores.

Não é apenas na violência e nas execuções policiais que testemunhamos o racismo estrutural da sociedade estadunidense que estrangula os negros. É também no descaso de investigações policiais que desprezam as vidas negras e prontamente taxam de suicídio casos como os mencionados prontos para acobertar o racismo.

Ou ainda nos resquícios de seitas como a KKK, que em meio ao governo trumpista atual vemos se atiçarem na retomada do discurso supremacista branco, como foi o caso em Charlottsville em 2017.

Porém, o levante antirracista mostra que as massas negras nos EUA não estão mais dispostas a conviver com essa opressão, pressionando o governo estadunidense por justiça para cada um de seus mortos.

Aqui no Brasil, precisamos nos inspirar nesse espírito para dizer que basta do genocídio negro que cotidianamente vitima nossos jovens, como foram os recentes casos de Guilherme, na periferia de São Paulo, e Gabriel, do Rio Grande do Norte. Assim como suas famílias e amigos protestaram por justiça contra essas mortes, precisamos ser milhares para dizer que basta de morrer pelas balas da polícia, pela COVID-19 e pelo lucro dos capitalistas.




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