Política

INTERVENÇÃO FEDERAL NO RJ

4 fatos provam que os políticos não querem garantir a segurança com a intervenção no RJ

quarta-feira 21 de fevereiro| Edição do dia

Para aprovar a militarização do Rio de Janeiro, Temer, deputados e senadores tem feito grande demagogia eleitoral com o combate ao crime organizado. Selecionamos 4 coisas que provam que esta não é a verdadeira preocupação do governo:

1. Os grandes traficantes tem foro privilegiado e nunca são investigados

Com o discurso de combate ao crime organizado, em especial ao tráfico de drogas, a Câmara e o Senado aprovaram a intervenção. Estes mesmos políticos encobertam seus "comparsas" engravatados que são os que mais lucram com o tráfico de drogas, e nunca são investigados.

Podemos citar por exemplo o caso do "Helicoca", helicóptero apreendido com 445kg de pasta base de cocaína que foi apreendido em 2013. A Polícia Federal devolveu o helicóptero ao dono, o Senador Zezé Perrella, sem nem mesmo investigá-lo ou indiciá-lo.

Em 2009, em uma fazenda em Pontalinda pertencente ao atual Ministro de Relações Exteriores Aloysio Nunes, foram encontrados 19 kg de pasta-base (estado mais puro da droga) de cocaína e 515 g de crack (Veja aqui). A Polícia afirmou imediatamente que o Senador era vítima dos criminosos que utilizavam sua fazenda, e nem houve investigação.

Ano passado a FAB ainda interceptou um avião com meia tonelada (500kg) de pasta base de cocaína, e este avião decolou da fazenda do Ministro da Agricultura Blairo Maggi. (Veja aqui). Este também afirmou que sua fazenda estava sendo utilizada pelo tráfico.

Algum destes casos mereceu um "mandado coletivo de busca e apreensão" como pede o interventor General Braga Netto? O tráfico de drogas é uma atividade muito lucrativa exatamente porque é ilegal e agentes públicos "intocáveis" lucrando com a atividade é somente uma decorrência disso. Se o governo quisesse realmente combater o crime, investigaria estes casos, o que não ocorre por motivos óbvios: são eles próprios a raiz do problema.

2. O verdadeiro crime organizado são os ladrões intocáveis que governam o país

Notórios corruptos vão combater o crime organizado? Alguém acredita nisso? O governo golpista de Michel Temer aposta nesta narrativa.

Só do ano passado para cá: Romero Jucá teve investigação arquivada por prescrição em fevereiro de 2018, ocorrido porque o STF demorou 14 anos para investigar seu caso.

Já o golpista, "vampirão neoliberalista", foi salvo ano passado pelos deputados comprados, nas denúncia de corrupção pela delação dos irmãos Joesley e Wesley Batista, assim como também no TSE por Gilmar Mendes, no caso de abuso de poder nas eleições pela chapa Dilma-Temer. Sobre o presidente ainda pesa investigação sobre supostas propinas que teria recebido pelas empresas que operam no Porto de Santos.

São uma verdadeira organização de ladrões que roubam o dinheiro do povo, e quando é preciso, um protege o outro, como mostramos ano passado na reportagem "Veja quanto receberam, os crimes e os perfis daqueles que livraram Temer da denúncia".

3. Exército é treinado para matar

A alta cúpula do exército tem consciência que a Intervenção federal não tem como objetivo combater o crime, mas muito mais atende a vontade eleitoral de Michel Temer. No entanto, para atuar, tem pedido inúmeras condições que são comparáveis à licença para violar os direitos dos moradores das favelas do Rio.

Desde a tentativa dos mandados de busca e apreensão coletivos, até a licença para matar "sem uma nova comissão da verdade", são algumas das exigências que Raul Jungmann, General Sérgio Etchegoyen e o Interventor General Braga Neto tem feito. Temer avança e ainda anuncia que deve nomear o General que comandou a operação de guerra, que o exército brasileiro vergonhosamente participou, no Haiti.

Ou seja, não se trata de Segurança Pública, trata-se de uma preparação para jogar o exército contra o próprio povo, o que está por trás desta intervenção federal, e por isso os trabalhadores devem se opor à ela.

4. Capitalistas criminosos tem salvo conduto

Acabam de ser liberados notórios criminosos como Joesley e Wesley Batista, confessos de corromper inúmeros agentes públicos pagando bilhões em suas campanhas. Outro "famoso" é Jacob Barata Filho, "Reis dos Ônibus" que é constantemente preso em primeira instância e solto por Gilmar Mendes através de Habeas Corpus.

As empreiteiras que fraudaram inúmeras licitações de obras da Copa, Olimpíadas, inúmeros eventos, estas tem a garantia da delação premiada.

É possível citar os inúmeros crimes dos capitalistas, mas talvez o mais importante seja estabelecer a diferença entre este tipo de crime e o crime comum. Ou melhor, a diferença de como a polícia e a justiça trata.

Enquanto para estes que citamos, há delações que são premiadas, há todo tipo de acordos entre a justiça, a PF e o dono da empresa criminosa, para os mais pobres o que há é a dura justiça punitiva. Por exemplo, o caso da mãe que foi condenada a 3 anos de prisão por roubar leite e ovos de páscoa, teve pena maior do que pelo menos 7 dos réus da Operação Lava-Jato. Afinal, esta não conta com caríssimos advogados ou os "prêmios por delação".Da mesma forma, enquanto notórios criminosos andam à solta, Rafael Braga foi preso por portal pinho sol, e, posteriormente, a polícia falsificou um flagrante de porte de drogas para prendê-lo. Esta é a realidade de um país que tinha até 2016, 40% da população carcerária presa sem ter sido julgada, imensa maioria de negros e pobres.




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