Economia

AJUSTE FISCAL

4.451 fábricas fechadas em 1 só ano em SP, enquanto os políticos dos ajustes exigem mais!

Número alarmante de fábricas fechadas escancara as mazelas da crise econômica e também impõe um ultimato às organizações operárias a responderem ao problema concreto dos ajustes, que resulta em demissões em massa e no fechamento de postos de trabalho que têm afetado a classe trabalhadora de todo o país.

terça-feira 29 de março de 2016| Edição do dia

Este número alarmante de fábricas fechadas escancara as mazelas da crise econômica e também impõe um ultimato às organizações operárias a responderem ao problema concreto dos ajustes, que resulta em demissões em massa e no fechamento de postos de trabalho que têm afetado a classe trabalhadora de todo o país.

Dados levantados como balanço de 2015 revelam que 4.451 fábricas foram fechadas, ou seja, 24% a mais do que o ano anterior – 3.548 unidades em SP – e ainda que nos falte dados de quantas fábricas foram fechadas nacionalmente, números do IBGE indicam que só no primeiro trimestre foram fechados cerca de 1,1 milhão de postos de trabalho na indústria. Isso, ligado à inflação, que abocanha a renda e os salários dos trabalhadores, aponta uma absurda tendência de como as consequências da crise capitalista são efetivamente descarregadas sobre os trabalhadores.

E enquanto a crise política caminha para definir se será o governo ‘ajustador’ de Dilma ou a oposição de direita que levará a cabo os ataques do próximo período, os trabalhadores têm a difícil tarefa de se organizar em defesa de seus direitos, seja contra os próprios sindicatos patronais, ou contra a burocracia sindical da CUT pressionada para ser aplicadora dos planos de ajustes do governo – como já fazem com o PPE (plano de proteção ao emprego) –, que reduz salários em troca de uma fictícia ‘preservação dos postos de trabalho’ que, como demonstramos acima em números, tem sido funcional aos capitalistas.

Para cada fábrica fechada, uma ocupação!

Algumas destas milhares de fábricas que fecham têm por trás as primeiras histórias de resistência de trabalhadores que se baseiam em métodos radicais capazes de se generalizar no próximo período conforme avança a crise econômica. Greves em defesa do emprego e ocupações podem se proliferar se as experiências destes trabalhadores com suas direções resultarem na superação do imobilismo ou conformismo cínico dos burocratas sindicais.

Reivindicamos os exemplos dos trabalhadores da fábrica Mabe de Campinas e Hortolândia-SP que, frente ao ataque patronal de demissões em massa, decidiram ocupar a empresa como forma de resistência e para se fazer ouvir diante do drama de centenas de famílias afetadas com a possibilidade do desemprego. Também os trabalhadores da fábrica Mardel, no ABC paulista, se encorajaram a adotar o mesmo método ocupando a empresa após a tentativa da patronal de fechamento da planta e demissão massiva dos trabalhadores.


Operários da fabrica Mabe

Para nós, essas lutas são exemplos de como os trabalhadores, retomando seus métodos históricos de luta, podem dar combate frente às tentativas dos capitalistas – respaldados por governos e políticos com seus distintos moldes de ajustes econômicos – de descarregarem seus prejuízos sobre as costas dos trabalhadores e suas famílias.

Muitos sindicatos hoje se limitam a ser uma espécie de ‘poupa-tempo’ para as assinaturas de homologações ou balcões de negócios com a patronal nos quais apenas encaminham as demissões sem nenhuma resistência, aceitando ‘bônus’ e planos de demissões voluntárias, ignorando a luta básica e primordial de defesa da manutenção do emprego e da garantia de subsistência dos milhares de mães e pais de família que passam por esse drama no Brasil.

Por isso, propagandeamos a todos os trabalhadores que conseguirmos chegar com o Esquerda Diário que sigamos os exemplos da Mabe e Mardel e tomemos as fábricas e empresas que ameacem demitir ou fechar.




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