Sociedade

POLÍCIA ASSASSINA

36,8% dos assassinatos de Niterói são cometidos por policiais

domingo 26 de novembro| Edição do dia

A polícia é racista e assassina em toda a parte, e no estado do Rio de Janeiro, com sua política ostensiva de guerra às drogas e de terror permanente nos morros e favelas, os índices de assassinatos cometidos pela instituição policial são um escândalo em todos os municípios: os homicídios cometidos por policiais na capital fluminense em 2016 correspondem a 24,2% (463 de 1.909 casos), e no estado inteiro representaram 14,8% (925) dos 6.262 homicídios.

Já em Niterói, esse número atingiu níveis ainda mais altos: 36,8% (69) do total de 187 homicídios de Niterói foram cometidos por policiais. Esses dados são uma amostra bastante expressiva do que representa a instituição policial, um pilar do Estado que mantém a custo de muito sangue - sobretudo da população negra dos morros e favelas - a "ordem social" de desigualdade e miséria que são características do capitalismo, e mais graves em um estado onde a crise leva a mais pobreza, como é o caso do Rio.

Nos EUA, por exemplo, em que a polícia também é conhecida pelo seu racismo e sua violência extrema - que levou aos massivos protestos do movimento "Black Lives Matter" contra o assassinato de negros por policiais - encontramos um índice de 5% dos 17.250 homicídios registrados em 2016 cometidos por policiais.

Entrevistado pelo jornal O Globo, o Ignacio Cano, coordenador do Laboratório de Análise da Violência da Uerj, afirmou:

"Um índice superior a 5% é um sinal de alarme. Quando passa de 10%, assume um perfil extremamente dramático, indicando um provável uso excessivo da força. Assim, o percentual de Niterói, 36,8%, pode ser considerado estratosférico. Se pensarmos que a polícia está nas ruas para proteger a vida, como é possível que, de cada três mortes, uma seja consequência de uma ação de segurança pública?"

O fato é que, diferente do que afirma Ignacio e o estado, a mídia e todos os defensores da polícia, essa instituição não existe para "proteger a vida", mas sim para proteger a propriedade privada e calar na bala a desigualdade social criada pelo capitalismo. Sua função é matar e reprimir, e por isso na verdade não surpreende que a polícia do Rio seja tão assassina, já que a miséria é imensa e crescente.

Em Niterói, em 2015 o coronel Fernando Salema assumiu o comando do batalhão da cidade, o 12º BPM. Um assassino escolhido a dedo para levar adiante o terror nas favelas, realizando constantes operações. Ele ganhou o apelido de Salema Cobra, em referência a um sanguinário personagem do cinema interpretado por Sylvester Stallone, que dizia a criminosos "Você é a doença, eu sou a cura". Fernando Salema mantém em sua mesa um boneco representando a si mesmo vestido como o Cobra.

Nos quinze meses de Salema à frente do batalhão, os casos de "auto de resistência" - um nome jurídico que serve para encobrir e legalizar as execuções feitas por policiais - subiram 21,1%, chegando a 86. Antes de chegar a Niterói, Salema havia implementado a mesma barbárie em São Gonçalo, quando esteve à frente do 7º BPM: em 11 meses, entre 2014 e 2015, foram 78 assassinatos cometidos pela polícia, 66% a mais que nos 11 meses anteriores.

Esse assassino tem plena consciência de seu papel e do papel da instituição que comanda, e não tem pudor de dizê-lo abertamente. Salema declarou para se explicar pelos altos índices de mortes: "Todas as mortes foram apuradas pela Divisão de Homicídios da Polícia Civil. Nenhuma foi considerada abusiva. Esse é o serviço da Polícia Militar. Se o órgão encarregado da apuração entende que as ações foram corretas, não cabe questionamento." E ainda disse “os autos de resistência são um efeito colateral da repressão à marginalidade”

Salema também sabe que a impunidade é garantida aos policiais. Diferente do que ele diz, as mortes não foram apuradas até o fim. Segundo o sistema de consulta de processos do MP, há pelo menos dez inquéritos referentes a casos de 2015 que se encontram em aberto. Mesmo quando acusados formalmente, os policiais militares são julgados por tribunais militares compostos por seus pares, o que garante que a pior punição será ficar confinado ao serviço administrativo.

Seguimos denunciando o caráter racista e assassino intrínseco à polícia. A única solução é acabar com essa instituição.




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