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30M: Paralisar a UFRN unificando a luta contra os cortes e a reforma da previdência

É fundamental que haja um novo chamado por parte do DCE da UFRN de uma nova assembleia geral com indicativo de paralisação para o dia 30, que seja parte da construção de uma luta que tenha de fato como perspectiva derrotar os cortes, mas também a reforma da Previdência.

quinta-feira 23 de maio| Edição do dia

Fomos 1 milhão de estudantes, professores e secundaristas nas ruas no dia 15, parando universidades, escolas e institutos federais. A sensação de que podemos derrotar Bolsonaro não foi uma ilusão. Unificando a luta contra os cortes à educação com a luta contra a Reforma da Previdência, parando também as fábricas, o telemarketing, os transportes, derrotar o governo de extrema-direita estará ao alcance da mão.

Pela primeira vez, a desaprovação de Bolsonaro ultrapassou sua aprovação. Após o ato do dia 15, a desaprovação do governo chegou a 36,2%, com maior rechaço aos cortes na educação e na reforma da previdência do que apoio.

Bolsonaro está colocado entre a entrada em cena da juventude mostrando sua força e dos professores, e entre a pressão do condomínio golpista que o elegeu (Judiciário, mídia, empresários) junto ao Congresso, querendo a reforma da previdência. Somente unificando estudantes e trabalhadores podemos massificar a luta contra os cortes a educação a reforma da previdência e derrotarmos Bolsonaro.

Enquanto isso, no mesmo dia 15, uma decisão tomada pelas cúpulas das entidades estudantis (UNE, UBES, ANPG), convocou um ato para o dia 30/5 em defesa da educação. Não pode ser que, depois da enorme disposição que vimos no dia 15, deixemos a tarefa de unificar estudantes e trabalhadores para o dia 14 de Junho.

São entidades que hoje representam a política do PT e do PCdoB no movimento estudantil, via UNE, e via CUT e CTB nos sindicatos. E qual a política desses partidos hoje? O PCdoB da UJS apoiou a candidatura de Rodrigo Maia. Figuras do PT discursam contra a reforma, mas os governadores do PT e PCdoB do Nordeste, como a própria Fátima Bezerra, negociam apoio a reforma da previdência se retirarem alguns pontos impopulares, enquanto atacam a educação nos seus estados.

O governador do Piauí, Wellington Dias (PT), está condenando a UESPI a morte, demitindo terceirizados, cortando bolsas e contratação de docentes. E nem falar do governador baiano Rui Costa (PT) covardemente defendendo cobrar mensalidade nas universidades, algo que nem o Weintraub tem coragem de dizer abertamente, além de ter cortado ponto de docentes da UNEB em greve contra seus cortes às universidades estaduais da Bahia. Ou seja, onde o PT tem responsabilidade sobre o poder executivo, está atacando a educação e apoiando a reforma da previdência.

Essas mesmas entidades estudantis são as que frearam tantas lutas, deixaram morrer combates fundamentais como as ocupações de 2016 contra a PEC 95. Agora, estão ao lado das centrais sindicais fazendo de tudo para dividir a luta contra a reforma da previdência da luta contra os ataques à educação, pois temem que com isso a luta massifique e se radicalize, fugindo do controle.

Se a direita irá sair às ruas para defender a reforma, é urgente que a UNE e as centrais sindicais, sobretudo a CUT e CTB, antecipem o chamado a paralisação nacional contra os cortes e a reforma da previdência para o dia 30. Do contrário será improvável que o dia 30 seja ainda mais forte que o dia 15.

Enquanto isso, nosso DCE desrespeitou a decisão da assembleia geral em que decidimos paralisar contra os cortes a educação e à reforma da previdência quando sequer citou a reforma nos materiais e declarações sobre o dia 15. Ajudaram o Tribuna do Norte a anunciar que nossa luta não fazia parte de uma mesma luta ao lado dos trabalhadores.

Na semana passada, convocaram uma assembleia com um cartaz em grupos de WhatsApp intitulada "UFRN PELA DEMOCRACIA", um eixo levantado nas assembleias de 2016, sem convocar em cada sala de aula o chamado a uma assembleia à altura dos nossos desafios, para derrotar os cortes e a reforma da previdência.

Precisamos de uma nova assembleia geral, para debater a necessidade de paralisar no dia 30 contra os cortes na educação e a reforma da previdência, com DCE organizando passagens em sala para construir a assembleia, e não só para pedir voto pro CONUNE, ao invés de limitar a divulgação a uma imagem por Whatsapp que nem fala nada de unificar as lutas.

O nosso RU está ameaçado de fechar, com o risco de milhares de bolsistas ficarem sem auxílio. A reitoria está propondo demitir os 70 funcionários terceirizados do restaurante para dar início ao processo de reforma, enquanto oferece um teto orçamentário que não garante a alimentação dos estudantes, sobretudo dos residentes.

A nossa defesa do RU não pode estar separada da batalha por um dia 30 unificado, construído em cada curso, pois só fortalecendo a nossa autoorganização na universidade podemos impor à reitoria uma política de fato de permanência e defender os trabalhadores da universidade. É necessário exigir a abertura do livro de contas para que possamos debater o funcionamento da universidade e apresentar uma alternativa dos estudantes e funcionários ao controle da burocracia acadêmica.

Ao mesmo tempo, não podemos aceitar que os terceirizados sejam demitidos sob a promessa de readmissão após finalizada a reforma, que não temos controle de quando ficará pronta, por isso somente exigindo que a reitoria efetive o trabalho desses funcionários é que suas famílias terão garantia de um sustento nesse período.

Além disso, estamos em meio a uma luta nacional, e precisamos de uma organização à altura para poder levar esse movimento adiante. Não dá mais para que reuniões entre “presidentes” e “secretários” da UNE decidam tudo.

Por isso também que é fundamental discutir de que maneira democratizar e fortalecer o nosso movimento nacionalmente. Nós do Esquerda Diário e da juventude, estamos impulsionando em diversas universidades um chamado à UNE que se coloque a disposição de organizar esse comando nacional de delegados eleitos, promovendo assembleias representativas nos cursos e a eleição desses delegados. Ou seja, um espaço que esteja sob controle das assembleias de curso de cada universidade em luta nesse momento, cujos delegados devem ser revogáveis em caso de descumprirem o que foi decidido em assembleia.

Ao mesmo tempo, defendemos que na UFRN é mais que necessário que exista um comando de mobilização próprio, composto por delegados eleitos nas assembleias dos distintos cursos, que o nosso DCE deveria se colocar à disposição de convocar. Um espaço como esse fortalece nossa luta também contra o fechamento do RU e em defesa dos terceirizados, contra o auxilio miserável que a reitoria quer nos fazer aceitar.

Para além disso, frente a declaração pública de Bolsonaro de que está cortando da aposentadoria e da educação para pagar a dívida, derrotar Bolsonaro precisa também ter como perspetiva uma saída que rompa com os capitalistas que elegeram Bolsonaro para descarregar a crise sobre os trabalhadores e a juventude.

Com a força da juventude demonstrada no dia 15 somada com a luta de cada trabalhador paralisando seu local de trabalho, podemos não só derrotar a reforma, mas avançar para uma conjuntura política com as condições de impor que sejam eles, os capitalistas, e não nós, juventude e trabalhadores, a pagarem pela crise.

Por isso, é fundamental a defesa do Não Pagamento da Dívida Pública, pois ela subordina a maior parte do orçamento nacional para financiar o lucro de grandes bancos e empresários. É uma dívida ilegal, ilegítima e fraudulenta, erguida desde os tempos do império para atender as demandas dos empresários, fortalecer a exploração do trabalho no país e colocar nos colocar para trabalhar para o imperialismo, seus monopólios e grandes bancos, às custas de uma vida digna.

O não pagamento dessa dívida salvaria pelo menos 1 trilhão gastos por ano em juros (para se ter uma ideia, nos 13 anos de PT, foram gastos 8 trilhões com a dívida, com Temer foram 5 trilhões... e a dívida só aumenta). É dinheiro suficiente para avançar em uma medida que de fato democratizasse o acesso à universidade pública, começando pela estatização das universidades privadas, demanda urgente para unificar a luta hoje com os estudantes dessas universidades. Isso significa golpear os tubarões do ensino privado, como Kroton-Anhanguera, que começaram a crescer com FHC, expandiram seu monopólio com as políticas educacionais do PT, e agora crescem nas bolsas com os cortes de Weintraub às federais.

Assim, podemos levantar bem alto a bandeira do fim do vestibular como parte da defesa de que os mais de 7 milhões de jovens excluídos pelo ENEM e outras filtros racistas todos os anos, garantindo vagas para todos que querem estudar.

É para travar essa batalha por uma estratégia que massifique e democratize o movimento, atrelado a um programa anticapitalista para a crise, que a juventude Faísca convida a todos a conhecerem essas ideias. Convidamos também para o grupo de estudos Armas da Crítica dessa semana, que debaterá o capítulo “Burgueses e Proletários” do Manifesto do Partido Comunista, de Marx e Engels, essa sexta-feira (24), às 14h, na sala H4 do Setor II da UFRN




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