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300 servidores da saúde de Natal (RN) vão à prefeitura defender o SUS e exigir seus direitos

Nessa terça-feira, 10, ocorreu uma massiva manifestação de servidores da saúde em Natal, capital do Rio Grande do Norte, em frente à prefeitura da cidade, como parte da mobilização de greve desses servidores.

terça-feira 10 de dezembro de 2019| Edição do dia

Denunciam as condições de atendimento à população e de trabalho nos hospitais, ao mesmo tempo que estão há pelo menos 10 meses recebendo 50% a menos dos salários.

A prefeitura não está pagando nenhuma gratificação ou adicional prometidos aos novos contratados, o que significa que trabalhadores tem que viver com um salário base de R$ 725, trabalham extra e não recebem, tem de tirar dinheiro do supermercado pra poder ir atender à população. Há uma decisão judicial de 2018 ordenando o pagamento e a prefeitura não cumpre.

O prefeito Álvaro Dias (MDB) se recusa a se reunir com os servidores, tendo cancelado 5 reuniões, enquanto trabalhadores realizavam plantões sozinhos, por isso entraram em greve a partir do dia 5 de dezembro, que começou com um ato em diálogo com a população.

No hospital Walfredo Gurgel, um dos principais hospitais do estado, que atende até mesmo população dos interiores com ajuda de servidores do município, as pessoas são atendidas nos corredores há muito meses, sob condições improvisadas e insalubres até mesmo para os servidores.

A greve exige o pagamento dos seus direitos, assim como denuncia a situação dos hospitais e postos de saúde que atendem ao SUS, sem remédios e insumos básicos muitas vezes, como Dipirona, luvas.

Eles reivindicam também a implantação das gratificações, o cumprimento da lei da data-base, que garante a recomposição das perdas salariais e não é cumprida desde 2014.

Ao mesmo tempo, muitas enfermeiras que se organizaram na greve começaram a denunciar uma série de casos de assédio moral por parte das chefias, sobretudo sobre as grevistas, pressionando a cobrir turnos extras à exaustão e culpando-as pelas más condições em que a população está sendo atendida.

Essa responsabilidade de Álvaro Dias (MDB), que tapou os ouvidos e deixou os servidores pagando para trabalhar. É a mesma postura de prefeitos como Marcelo Crivella no Rio de Janeiro, que não está pagando os salários dos servidores saúde e teve ajuda da justiça para cortar o ponto dos grevistas. Trata-se de um ataque de conjunto ao SUS e à saúde pública, que visa privatizar, terceirizar e sucatear ainda mais o atendimento público de saúde.

Assista à denuncia da servidora de saúde à situação desses trabalhadores e das suas condições de trabalho.

Ataques que se combinam com a artilharia que Guedes prepara contra esses direitos da população à saúde e educação e aos servidores públicos, como a reforma administrativa, a carteira de trabalho verde amarela. São ataques que demandam que a luta desses trabalhadores possam confluir nacionalmente para responder com um só punho o conjunto dessas medidas, defendendo um SUS que de fato seja capaz de atender às necessidades populares.

É preciso cercar de solidariedade a essa mobilização, que tem adesão da categoria em todas as unidades. A paralisação é por tempo indeterminado, e restringe parte do funcionamento dos serviços de atenção básica, paralisando parcialmente os serviços de unidades 24h, como as Unidades de Pronto Atendimento (UPA), Hospitais e Maternidades.

Amanhã haverá uma assembleia unificada dos servidores municipais, às 9h, que debaterá os rumos da mobilização e a possibilidade de uma luta unificada entre os servidores da prefeitura.

É fundamental a unidade também com contra a perseguição da governadora Fátima Bezerra (PT) aos servidores estaduais, que tem uma dívida de dois salários atrasados com eles, e ainda quer criminalizar a sua luta por direitos, dizendo que não pode ter greve na saúde com base em uma decisão judicial.




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