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30 de maio: parar as escolas no RS e exigir que as centrais sindicais antecipem a greve geral!

Avança a passos largos o desmonte da educação pública estadual. Aos que criaram expectativas de que Eduardo Leite (PSDB) podia ser uma mudança e fazer diferente de Sartori (MDB), a realidade se impõe fazendo como que se dissipe qualquer dúvida de que Leite é inimigo mortal dos professores e trabalhadores em educação no RS. Leite tem o mesmo projeto de Sartori de desmantelamento da escola pública e dos professores enquanto classe.

Jones Adriano Gaio

Professor da rede estadual do RS

sábado 18 de maio| Edição do dia

Leite segue os passos de Bolsonaro que, após 100 dias de governo, revelou na prática sua verdadeira face, cortando cerca de 7 bilhões do orçamento para a educação, 30% do orçamento para as universidades públicas e institutos federais, cortando bolsas de pesquisa científica, revelando o projeto (que procurou camuflar nas eleições ano passado) de governo ultra privatista (junto ao serviçal dos banqueiros Paulo Guedes) de ataques à educação pública com objetivo de destruir todos direitos trabalhistas, precarizar ainda mais as escolas, promover perseguições políticas e assédio aos professores e avançar na privatização da educação e ensino à distancia.

O projeto de Eduardo Leite para o estado é simples: privatizações, ou seja, entregar empresas públicas (CEEE, CRM, SULGÁS) nas mãos dos investidores sedentos por lucros, os mesmos que financiaram sua campanha, para que eles possam enriquecer aos custos da população cobrando por um serviço que deveria ser gratuito. Existe uma dívida do estado com o governo federal e, para renegociar o pagamento dessa dívida, o governo federal (Bolsonaro) exige as privatizações, as demissões e a retirada de direitos dos trabalhadores do serviço público. É a velha formula neoliberal: sucatear, desmantelar o serviço público para entregar a preço de banana para os empresários. Bolsonaro e Leite estão de mãos dadas para impor que os trabalhadores e suas famílias arquem com a crise que os capitalistas criaram. Ao lado de Leite, está uma corja de deputados na ALERS que mais uma vez rasgaram a constituição aprovando uma lei em que não se torna necessário plebiscito (consulta popular) para privatizar qualquer empresa pública do estado. Eduardo Leite, faz chantagem com o povo gaúcho dizendo que somente terá dinheiro pra pagar os salários dos educadores quando privatizar o patrimônio público do estado.

Já são 41 meses de salários parcelados e atrasados e 5 anos sem reajuste, salários defasados cerca de 30% abaixo da inflação do período. Enquanto sobe o preço das mercadorias básicas, o gás, o transporte, os salários continuam estagnados. Nas escolas gaúchas faltam cerca de 866 professores de diferentes áreas desde o início do ano letivo e o descaso das coordenadorias e do governo é absoluto. Alem disso, foi imposto por Leite de forma totalmente autoritária, um calendário escolar (rasgando a lei de gestão democrática nas escolas) que estende o ano letivo até 30/12 causando indignação em toda comunidade escolar impedindo muitas famílias de viajarem no final do ano.

Se não bastasse, para Leite, os novos trabalhadores em educação contratados e suas famílias não precisam se alimentar nos meses de janeiro e fevereiro, já que agora as novas contratações temporárias serão encerradas em dezembro, caso em que professores e funcionários de escola ficarão desempregados e sem receber nos meses de recesso escolar.

A realidade nas escolas é trágica. Os professores esgotados sobrecarregados de trabalho e sem receber e os estudantes tendo seu futuro roubado pelo descaso com a educação. O governo Leite impôs um remanejamento de professores para outros setores ocasionando exonerações, deslocamentos e falta de profissionais nas bibliotecas, coordenadoras pedagógicas e secretaria. Com a falta de professores desde o início do ano em centenas de escolas em todo estado há casos de escolas em que os próprios estudantes são colocados para passar a matéria onde não há professor. Um verdadeiro absurdo.

Leite junto à Bolsonaro contra a educação

É o mesmo projeto de desmonte da educação pública que unifica Bolsonaro e Leite. Ambos querem acabar com o serviço público começando por retirar direitos trabalhistas e atacar os professores precarizando ainda mais nossa categoria avançando nas terceirizações, contratos precários e sobrecarga de trabalho.

A experiência de 4 anos com Sartori e dos primeiros meses de governo Leite mostra que somente a mobilização e uma luta concreta pode barrar os ataques e dar uma saída para a educação. Nesse momento, milhares de estudantes de todo Brasil são a caixa de ressonância das mazelas de toda a sociedade e nos mostram o caminho em que poderemos triunfar e derrotar todos ataques de Bolsonaro e Leite: A luta! Em dezenas de universidades e centenas de escolas, eles se levantam contra ataques de Bolsonaro à educação pública.

Bolsonaro finge, mas o fato é que as manifestações em defesa da educação no dia 15/05 causaram forte impacto no governo

A educação é uma grande causa popular e Bolsonaro está visivelmente abalado e na defensiva, vociferando contra os que protestam chamando-os de “idiotas úteis” e agredindo verbalmente jornalistas quando questionado. As manifestações contra os cortes na educação e a reforma da previdência colocaram mais de 1 milhão de pessoas nas ruas no dia 15/05 e mostraram que se trata de UMA SÓ LUTA contra os cortes e a reforma da previdência que unifica estudantes, professores e o conjunto da sociedade. No RS, a atual direção do CPERS precisa romper com a política de passividade e de dar trégua para o governo Leite e construir assembleias em cada escola, eleger representantes pela base para construir a greve geral. É necessário fazer pressão sobre os sindicatos para antecipar a greve geral marcada para 14/06 para 30/05 para unificar com os estudantes que estão se organizando para novas manifestações e, nesse sentido, construir uma verdadeira força material nas ruas para fazer Bolsonaro e Leite recuarem e barrar de vez a reforma da previdência e fazer com que os capitalistas, os grandes sonegadores paguem pela crise que eles criaram e não nós trabalhadores. Vamos à luta!




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