Política

GREVE GERAL

30 de Junho: tomar a greve geral em nossas mãos!

A situação nacional está cada vez mais conturbada. A crise do governo Temer abre espaço para que os trabalhadores possam derrotar os ataques e os golpistas. O julgamento no TSE tende a não levar à cassação da chapa Dilma-Temer. Temer já disse que fica até o fim do mandato, em mais um sinal de resistência. Somente os trabalhadores, com a greve geral, podem derrubar Temer e suas reformas e impor uma saída independente para a crise. Mas para isso, é preciso tomar a construção da greve geral do dia 30 em nossas mãos!

Iaci Maria

Belo Horizonte

quinta-feira 8 de junho| Edição do dia

O julgamento da chapa Dilma-Temer no TSE é um processo não é nem de longe uma tentativa de se fazer justiça, julgando o que é legal e o que é ilegal, e assim punir os criminosos. A realidade é que dentro do judiciário há distintas alas com distintos interesses. A grande polêmica entre os juízes gira entre aqueles que defendem a permanência de Temer, apoiadores do governo golpista, e aqueles que alinham-se mais à Lava Jato e a Globo e defendem que caia o golpista. Mas se tem algo onde as alas dão as mãos e gritam a mesma palavra de ordem é que todos querem as reformas que atacam os direitos dos trabalhadores aprovadas o quanto antes. Esse julgamento vem para expressar a real divergência: qual é o melhor caminho para a burguesia para que se aprovem com mais rapidez seus ataques.

Mas Temer tende a ficar, porque apesar de que a Globo, Rodrigo Janot e cia golpearam Temer com as delações da JBS, a própria burguesia se vê perdida e não encontrou ainda outro nome minimamente consensual que poderia substituir Temer. Essa instabilidade vivida pelo governo e a divisão entre os que lá em cima estão abre um caminho para uma forte ação dos trabalhadores, para que tomem em suas mãos a luta contra cada ataque e retirada de direitos.

As centrais sindicais, em reunião no início da semana, marcaram uma nova greve geral para o dia 30 de junho, o que é muito importante e viemos exigindo essa greve desde a última em 28 de abril. Agora que marcaram a data, não fizeram nada para massificar a construção da greve, que já vem tarde, deixando um intervalo de dois meses entre a última e essa próxima, sendo que na última em 28 de abril os trabalhadores de norte a sul do país fizeram tremer a burguesia e mostraram a potência que a classe trabalhadora organizada possui e do que é capaz se decide paralisar o país.

Infelizmente, como esse intervalo de dois meses, os ataques avançaram e ontem mesmo, dia 6, a reforma trabalhista deu mais um passo sentido a sua aprovação e teve seu texto aprovado na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado (CAE) por um punhado de senadores corruptos.

A greve já está convocada, agora é preciso tomar sua construção em nossas mãos. Não podemos deixar que a construção de uma nova greve histórica, que seja ainda mais forte que o 28 de abril, venha pelas mãos da CUT, CTB, que levaram dois meses para convocar nova data de paralisação, e menos ainda da Força Sindical e outras centrais golpistas, que apoiaram Temer e se alinharam aos patos da FIESP clamando pelo golpe.

Somos milhões de trabalhadores e jovens que encontram-se tomados pela raiva desse governo Temer e de suas reformas, e são esses milhões que precisam expressar todo o anseio de derrubar os ataques no dia 30, paralisando cada local de trabalho e estudo, tomando massivamente as ruas, fazendo uma paralisação ativa que mostre ao mundo todo que no Brasil os trabalhadores não vão deixar que seus direitos sejam retirados.

Para isso, que a greve seja fortemente construída, os comitês de base são fundamentais. É preciso organizar desde já fortes comitês de base nos locais de trabalho, que organize cada trabalhador desde sua base, tomando em suas mãos a luta que os sindicatos não irão organizar e que a CUT e CTB. Essas direções desviam nossa luta para outros fins - a eleição de Lula no caso da CUT e CTB, e a negociação das reformas com Temer, no caso da Força, UGT e outras centrais. Para evitar o desvio de nossa luta, são essenciais centenas de comitês por todo país.

É tarefa do dia para as centrais que buscam se colocar como alternativa à CUT e CTB, como a CSP-Conlutas e as Intersindicais ajudar os trabalhadores de todas as categorias a colocar de pé seus comitês e exigir dos sindicatos e demais centrais que convoquem assembleias em todos os locais de trabalho desse país, conformando um pólo independente das burocracias sindicais. O PSOL, precisa urgentemente colocar sua projeção política a serviço de potencializar a construção da greve geral, diferentemente do caminho que vem traçando de centrar peso no movimento pelas Diretas Já.

No dia 28 de abril, apesar da enorme adesão a paralisação, muitos trabalhadores não puderam paralisar porque seus sindicatos não organizaram assembleias e não deram nenhum respaldo aos trabalhadores para que pudesse fortalecer a luta contra as reformas. Desde o Esquerda Diário denunciamos sindicatos que se recusaram a organizar a greve e novamente nos colocamos aberto a receber e publicar as denúncias que trabalhadores queiram enviar de sindicatos pelegos, que não estão construindo desde a base a greve do dia 30.

Tomando nas nossas mãos o 30 de junho, podemos fazer que seja muito maior do que foi o 28 de abril, onde sejamos milhões cruzando os braços e tomando as ruas por todo país. O Esquerda Diário irá fazer uma forte campanha de hoje até dia 30, com cartazes, nas redes sociais, nas ruas e em cada local de trabalho e estudo que tiver alcance, conjuntamente ao Movimento Nossa Classe, à Juventude Faísca e às mulheres do Pão e Rosas pela construção dessa greve geral, que seja a partir da organização dos comitês de base, e chamamos a cada um que queira fortalecer essa luta a se somar nessa campanha para colocar em nossas mãos o rumo da luta.

Nós, do Movimento Revolucionário de Trabalhadores (MRT) viemos exigindo uma nova greve geral, mas não apenas um dia que pare o país, mas uma greve que vá até derrubar Temer e todas as reformas e o governo golpista. Que essa grande mobilização possa muito mais e os trabalhadores organizados avancem para acabar com todo esse Congresso corrupto, esse antro de podridão, impondo uma Assembleia Constituinte Livre e Soberana, que debata uma nova Constituição, pois não basta apenas trocar as peças do jogo, é preciso subverter todas as regras. Uma Constituinte que tenha seus deputados eleitos não entre os corruptos, mas representantes dos trabalhadores, que vivem a realidade da classe trabalhadora e lutam diariamente contra cada ataque. Uma assembleia constituinte que parta de revogar reformas já aprovadas, como a PEC 55 aprovada em dezembro passado, que congela investimentos em direitos como saúde e educação por 20 anos; que estatize empresas como a Odebrecht e a JBS, agentes diretas da corrupção que saem imunes com as delações premiadas; que acabe com os privilégios dos políticos e seus supersalários milionários e imponha que cada político receba o salário de uma professora, e que os juízes do Supremo também, além de serem eleitos.

São essas as nossas tarefas, esse deve ser o foco agora e cabe a nós defendermos todos os dias que só poderemos colocar a situação a favor dos trabalhadores se forem eles a tomarem em suas mãos os rumos da luta.




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