Mundo Operário

PARALISAÇÃO NA USP

3 categorias da USP realizam ato em frente ao C.O. contra o arrocho e por permanência

Contra a proposta dos Reitores de ajuste de apenas 1,5% nos salários e a falta de qualquer menção a permanência estudantil, os estudantes, professores e trabalhadores da universidade chamaram um ato em frente à reunião do Conselho Universitário da USP que ocorreu hoje.

terça-feira 29 de maio| Edição do dia

Foto: Ivane Sousa - Sintusp

Hoje aconteceu um ato chamado pelos 3 setores da Universidade de São Paulo para pressionar a reunião do Conselho Universitário que pautou o reajuste salarial dos trabalhadores e professores, assim como demandas de permanência estudantil.

Também foi um ato em repúdio à decisão sobre o reajuste ser tomado pela burocracia do Conselho Universitário, cujos membros são majoritariamente membros de fundações, empresários e aliados do reitor e do governo do estado, ao invés de se basear na negociação conjunta do Forum das 6 (entidade que representa professores e funcionários das três estaduais) no CRUESP.

Uma manobra por parte das reitorias das estaduais que tenta desarticular e enfraquecer a luta das categorias das três estaduais, assim como romper com a isonomia (já muito relativa) entre as universidades. Na Unicamp hoje, um ato de 300 trabalhadores conseguiu barrar a reunião do Conselho Universitário que tinha os mesmos objetivos. Porém, os reitores usaram dessa grande mobilização para, cinicamente, cancelar a reunião de amanhã do Fórum das 6 para garantir que seja tomada essa decisão nos espaços burocráticos e nada representativos dos conselhos universitários, favorecendo a política de arrocho salarial.

O ato contou com centenas de pessoas, mostrando que há muita disposição de luta das 3 categorias mesmo com a manobra da reitoria de cancelar as aulas da graduação supostamente por conta da crise dos combustíveis (obviamente, mantendo a reunião do Conselho).

Na reunião do Conselho, uma comissão de conselheiros chegou ao absurdo de propor 0% de reajuste, ou seja, menos ainda que a proposta irrisória do reitor, alegando que o reajuste implicaria em menos dinheiro para permanência estudantil, tentando utilizar dessa demagogia para separar a luta dos estudantes e trabalhadores. Os representantes desses setores, entretanto, denunciaram essa tentativa absurda, fizeram questões de ordem contra a votação dessas duas propostas ilegítimas e romperam com a reunião.

Na última reunião (17/05) do CRUESP (que reúne os reitores das 3 universidades paulistas) com o Fórum das Seis (entidade que representa os estudantes, funcionários e professores das três Universidades), o reitor da USP apresentou uma proposta de reajuste abaixo da inflação (1,5%) e vinculou essa decisão à reunião do Conselho Universitário da USP, esvaziando o próprio CRUESP do poder de negociação com o Fórum das Seis, deixando nas mãos de um conselho composto por burocratas cheios de privilégios, no qual os trabalhadores e estudantes têm participação irrisória.

Sobre a pauta estudantil de permanência, disse que sequer seria tratada nas negociações, passando por cima do direito elementar para que os estudantes tenham condições de permanecer na universidade. Já são quatro anos de arrocho salarial, sem que sequer o reajuste da inflação fosse dado, é de 12,5% para suprir perdas acumuladas desde 2015. Os trabalhadores das estaduais acumulam uma perda de 1/3 (33%) no poder de compra. E, mesmo com o reajuste de 12,5%, os trabalhadores do nível básico ainda estariam longe do salário mínimo do DIEESE, que é calculado em R$3.696,95 para abril de 2018.

Os trabalhadores decidiram realizar uma nova assembléia no dia 5, construída amplamente nas unidades para votar o indicativo de greve. Os estudantes também realizarão uma assembléia nesse dia para discutir o apoio aos trabalhadores e como massificar essa mobilização.

Na Unicamp os trabalhadores iniciaram a greve dia 22/05. Já os professores da USP aprovaram início da greve hoje, dia 29/05. Na UNESP, professores e trabalhadores aprovaram, em alguns campi, a greve a partir do dia 28/05 e, em outros, paralisação hoje com nova assembleia. Os professores da Unicamp aprovaram paralisação dias hoje e 30/05 com nova assembleia na semana seguinte. E na quinta passada, em assembleia com mais de 500 estudantes na USP foi aprovada greve estudantil a partir do dia 29/05.

Diante da conjuntura nacional que está marcada por diversos setores patronais se utilizando dos bloqueios dos caminhoneiros a serviço de seus interesses burgueses, do avanço das medidas repressivas de Temer como o decreto da Garantia da Lei e da Ordem (GLO) e da divisão entre os interesses eleitorais do PSDB e PSB no Estado, se torna ainda mais urgente que avancemos na massificação do movimento nas estaduais de maneira independente dos patrões dos transportes e do agronegócio, que encabeçam o movimento reacionário dos caminhoneiros.

Saiba mais: Universidades Estaduais Paulistas vão arcar com os custos do subsídio para as transportadoras

Ainda é preciso engrossar a mobilização para que sejamos vitoriosos. Somente o trabalho de base na construção de uma luta unificada com as demais categorias da USP, UNESP e Unicamp, terá como barrar o projeto de desmonte e a privatização das Universidades Estaduais Paulistas.




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