Gênero e sexualidade

#28S - PELO DIREITO AO ABORTO

28S no RJ: mulheres protestam em frente à ALERJ pelo direito ao aborto legal, seguro e gratuito

Pão e Rosas

@Pao_e_Rosas

terça-feira 29 de setembro| Edição do dia

Ontem (28), dezenas de mulheres protestaram em frente à ALERJ no dia latino e caribenho pela legalização do aborto, e pela revogação da portaria 2282 lançada por Bolsonaro, que ataca ainda mais as mulheres, sobretudo negras e pobres no país onde mais de 1 milhão de mulheres recorrem ao aborto clandestino todos os anos, onde três a cada quatro mulheres que abortam são negras e milhares morrem por não terem esse direito fundamental assegurado.

No país de Bolsonaro, Damares e militares, essa situação fica ainda pior, sobretudo em meio à pandemia, como ficou escancarada essa realidade no escandaloso caso da menina de 10 anos, estuprada pelo tio desde os 6 anos, enquanto o Judiciário autoritário e golpista era uma entrave a autorização da criança ao direito, a menina teve suas informações covardemente vazadas por Damares à reacionária e bolsonarista Sara Winter, que incitou sua base fundamentalista e fanática religiosa a atacar a menina na porta do hospital, chamando-de assassina.

O grupo de mulheres Pão e Rosas esteve presente na mobilização no Rio de Janeiro, e veio batalhando desde as reuniões nacionalmente para que fosse um dia de luta, mas as organizações de esquerda como PT, PCdoB, correntes e setores do PSOL foram resistentes a construir de fato atos nacionais para fortalecer e levar adiante a luta, sendo, infelizmente, a cidade do Rio de Janeiro, uma das poucas cidades em que houveram mobilizações nas ruas.

É frente a esse cenário que deveria ecoar esse grito internacional contra a extrema direita, pela separação de Igreja e Estado e para que sejam os capitalistas a pagarem pela crise. Contudo, o dia 28 de setembro, apesar de ser uma data muito importante de luta para as mulheres, historicamente tem sido deixado de lado pelas organizações feministas, como a Marcha Mundial de Mulheres, quando diante dos governos do PT, enquanto o partido administrava esse regime apodrecido, defendiam o chamado recuo estratégico, fechando os olhos para a pauta do direito ao aborto enquanto Lula e Dilma faziam acordos com o vaticano e a bancada da bala. Estratégia que ao invés de fortalecer a luta das mulheres, levou a que esses setores ultra reacionários se sentissem fortalecidos para dar o golpe institucional, e serem base do bolsonarismo.

Mesmo com uma mulher no poder, essa bandeira fundamental não foi levantada, ao contrário, Dilma rifava o nosso direito à legalização do aborto, assinando a emblemática "Carta ao Povo de Deus". Em nome dos interesses das burocracias políticas e sindicais que estão a frente das organizações do movimento de mulheres e de trabalhadores, durante anos, a pauta vem sendo secundarizada, abrindo espaço a situação em que fundamentalistas e conservadores de todo tipo lutem para retroceder até mesmo nos casos em que o aborto é legalizado.

É por isso que as mulheres do grupo Pão e Rosas e candidaturas e ex candidatas à vereança do MRT, fizeram um chamado ao PSOL, PSTU, demais organizações de esquerda, sindicatos, entidades estudantis e movimento de mulheres para construir uma grande campanha nessas eleições em defesa do direito ao aborto legal e pela anulação de todas as reformas de Bolsonaro, dos golpistas e empresários.

Reivindicamos e nos apoiamos no espírito da maré verde argentina pela legalização do aborto, da “revolução das filhas” e das lutas internacionais das mulheres que são uma resposta à crise, com as mulheres negras na linha de frente junto à setores de negros e brancos, inspiradas nas massas dos Estados Unidos que foram às ruas, exemplos dos quais podemos tirar lições dessas batalhas e levantar que a unidade das mulheres com a classe trabalhadora é a única força que pode dar uma saída de como devemos combater o reacionarismo de Damares e Bolsonaro, que afeta diretamente a vida e as condições materiais das mulheres.

Sem nenhuma confiança no STF, lutamos pelo direito ao aborto legal, seguro e gratuito, mas também pela revogação imediata de todas as reformas e todo obscurantismo dos setores conservadores expresso através de figuras como Damares Alves, bem como a revogação da escandalosa Portaria 2282, lançada por Bolsonaro, avançando ainda mais contra o direito ao aborto, querendo impor às mulheres vítimas de estupro a custódia policial caso recorram ao aborto legal, no cenário em que estamos vivendo de uma ofensiva dos setores mais reacionários contra os direitos fundamentais das mulheres, que se expressa inclusive em não poderem realizar o aborto no que a lei garantia anteriormente.

Carolina Cacau, professora da rede estadual, uma das fundadoras do Quilombo Vermelho, esteve ontem no 28 de Setembro no Rio de Janeiro, juntamente as companheiras do grupo de mulheres Pão e Rosas, e fala sobre esse dia:

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Neste dia 28S, Dia Latino Americano e Caribenho pela Legalização do Aborto, estive junto com as companheiras do Pão e Rosas na Alerj para exigir a revogação imediata da portaria 2282, pela separação da Igreja do Estado e contra os ataques de Damares e Bolsonaro! Quase 1 milhão de mulheres abortam no país ao ano, e à cada 4 mulheres que morrem, 3 são negras, e esse governo reacionário do Bolsonaro, dos militares junto com esse regime fruto do golpe institucional são inimigos das mulheres e responsáveis por essas mortes! Nossa luta é com a força das mulheres trabalhadoras e aliada com os trabalhadores pois só vamos conseguir arrancar esse direito tão elementar pela via da mobilização, pois não podemos confiar nos juízes e instituições desse regime golpista. Nossos direitos não são ganhos e sim arrancados! Educação sexual para decidir! Contraceptivos para não engravidar! Aborto legal, seguro e gratuito para não morrer! #abortolegalseguroegratuitojá #abortolegal #legalizaçãodoaborto #mulheresnegras #mulheresfeministas #niunamenos #feminismoemarxismo #pãoerosas #panyrosas #rj #damares #riodejaneiro #feministas

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