Internacional

SEMANA GLOBAL PELO CLIMA

#27S: A 3ª greve mundial encerra a semana para combater a crise climática

A “semana para o futuro” chega ao fim, depois de manifestações na semana passada, principalmente a greve climática global convocada por estudantes, sindicatos e organizações sociais e políticas.

sexta-feira 27 de setembro| Edição do dia

Se encerram os dias de protestos que visavam exigir que governos de todo o mundo - reunidos na Cúpula do Clima da ONU em Nova York - tomassem ações urgentes contra as mudanças climáticas.

Centenas de milhares, com estudantes e jovens à frente, demonstraram em todo o planeta com mais de 5.000 ações de protesto, incluindo paradas de estudantes e de trabalhadores, entre outras ações, em mais de 3.000 cidades em 162 países em todos os continentes e que levaram à ação nesta sexta-feira.

Nessas manifestações se juntaram os sindicatos e setores de trabalhadores que haviam chamado a paralisação e a unificação aos protestos em vários países, como Portugal, Alemanha ou Estado Espanhol, entre outros.

Na Alemanha, os trabalhadores emitiram uma declaração dirigida aos líderes da ver.di, IG Metall e todos os sindicatos, incluindo aqueles que não pertencem à Federação Alemã de Sindicatos (DGB) para oficialmente chamar uma greve real. "O futuro de todos os trabalhadores é afetado pelas mudanças climáticas", disseram eles.

Na Itália, o CGIL, o sindicato majoritário do país, convocou uma greve geral em educação e, conforme publicado pela FFF Italia, "O CGIL Nacional será responsável por promover assemblias nos locais de trabalho de todas as categorias" com as quais o movimento chama " que nos próximos dias muitos outros sindicatos possam se unir". Da mesma forma, outros sindicatos aderiram à greve no setor educacional, como é o caso da COBAS e do SISA.

“Muitos sofrem e morrem e vocês só falam de dinheiro”

A semana de ações contra a crise climática foi marcada pela Cúpula da ONU. Lá, os principais líderes mundiais mostraram sua hipocrisia no assunto, enquanto atacavam os jovens que saíram às ruas.

De enorme repercussão foi o discurso da jovem ativista Greta Thunberg, que discursou contra os governantes e disse que "os jovens estão começando a entender a magnitude de sua traição".

“Pessoas estão sofrendo, pessoas estão morrendo. Os ecossistemas estão colapsando e estamos à porta de uma extinção em massa, e a única coisa que vocês falam é de dinheiro e contos de fadas sobre crescimento econômico infinito, como ousam?” disse a jovem ativista.

Para além de seus discursos demagógicos em que declaram sua preocupação com as mudanças climáticas, os imperialistas nunca estarão dispostos a adotar as medidas drásticas necessárias para resolver o problema porque isso envolveria atacar os grandes interesses econômicos capitalistas a que servem. E isso serve igualmente aos EUA e aos imperialistas europeus, como França, Alemanha ou Inglaterra.

Deles, só podemos esperar medidas contra as classes populares, como o imposto sobre a gasolina que o presidente francês Macron tentou implementar, o que provocou a rebelião dos coletes amarelos. Como costuma ser gritado nas mobilizações ambientais, "se a Terra fosse um banco, eles já o teriam resgatado".

Como disse a candidata da Frente de Esquerda Argentina (FIT-U), Myriam Bregman: “É falso que todos somos responsáveis por essa crise ecológica: um punhado de empresas petroleiras, mineração, agronegócio e banqueiros que especulam são quem deveria pagar pela crise que eles geraram ”.

Como exemplo, ela exige na Argentina “que cada candidato diga o que vai fará com Vaca Muerta e a extração de petróleo contaminante na Patagônia, com a poluição da mega-mineração, com os agrotóxicos, importação de lixo sem controle de toxicidade, entre outras questões da agenda ambiental. Estes são os tópicos que levaremos aos debates com Nicolás del Caño. Nosso lado é clara: sempre com comunidades e organizações em defesa do planeta, nunca com empresas que saqueiam e poluem.”

#27S a terceira greve global pela crise climática

Na última sexta-feira, milhões foram mobilizados em todo o planeta e espera-se que aconteça novamente em 27. Do Estado espanhol à Argentina, através dos Estados Unidos ou da Austrália, em diferentes partes do planeta, novamente as ruas serão protagonistas. Além disso, a plataforma 350.org estima que mais de 73 sindicatos; 820 organizações; 2.500 empresas já manifestaram seu apoio a greves.

As razões para se juntar e apoiar a greve são muitas. Porque não temos um "planeta B" enquanto o capitalismo destrói a Terra.

A greve climática começa a mostrar que, diante de uma perspectiva absolutamente irracional para a qual o capitalismo no carrega, é evidente a necessidade de aprofundar medidas drásticas e urgentes. Mas isso não pode depender da boa vontade dos governos das potências imperialistas que são os principais responsáveis pelo desastre atual, nem das novas agendas promovidas pelas grandes corporações e pelos partidos que promovem o "capitalismo verde".

No entanto, o movimento contra as mudanças climáticas mostra uma nova geração de jovens nascidos da vida política e do ativismo, que veem as multinacionais e seus governos como responsáveis por essa situação. As gigantescas mobilizações em todo o mundo mostram o potencial transformador na defesa do planeta e as ideias que esse movimento contém.




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