Cultura

FREDDIE MERCURY - 26 ANOS DE SUA MORTE

26 anos sem Freddie Mercury, mas ele continua em nossas vidas

Hoje completam 26 anos da morte de um dos maiores ícones do rock. Freddie Mercury perdia a batalha contra a AIDS, mas deixava um legado imortal para seus fãs e para as gerações futuras. Até hoje, o Queen é uma presença imprescindível na história da música.

Fernando Pardal

@fepardal

sexta-feira 24 de novembro| Edição do dia

Há músicas do Queen que todos conhecem. Hinos imortais do rock como “We will rock you”, “Bohemian Rhapsody” ou “We are the champions”. Do mesmo modo, a inacreditável voz de Freddie é facilmente reconhecida por milhões, e até mesmo por novas gerações que só tiveram a chance de ouví-la muitos anos após ela ter nos deixado.

Mas é impossível resumir a potência musical de Farrokh Bulsara, mais conhecido pelo nome artísitico que adotou na juventude, a algumas músicas mais famosas. O talento e as obras de Freddie eram tão profundas quanto versáteis, e o Queen é uma dessas bandas que jamais ficou “datada”, atravessando tranquilamente três décadas sem sair da linha de frente do que havia de melhor no rock.

Quando eu era ainda criança, convivia com um grupo de amigos cujo um dos denominadores comuns era o amor profundo e um grande conhecimento da discografia do Queen – bem como das criações paralelas de Freddie, como o disco solo “Mr. Bad Guy” e a inesquecível parceria com a cantora lírica Montserrat Caballé em “Barcelona”. E era curioso o fato de que, para além desse amor em comum, a afinidade maior com esse ou aquele período da carreira de Mercury e do Queen eram algo como um indicador da personalidade da pessoa.

Freddie Mercury e Montserrat Caballé na abertura dos jogos olímpicos de 1992, em Barcelona

Isso porque o Queen jamais foi uma banda que se acostumou a repetir as fórmulas que a consagraram como uma banda emblemática do Rock. Se é um fato que não apenas o brilhantismo da voz e das composições de Mercury, bem como seu inigualável carisma no palco, muitas vezes roubavam a cena, a verdade é que a magia do Queen estava na combinação entre quatro músicos de excepcional talento, que nunca deixaram de figurar com personalidade própria na obra do grupo.

A primeira fase do Queen sempre possuiu para mim uma magia especial. A aura do rock glam dos anos 70 impregnava o jeito performático e andrógino. Os cabelos cumpridos (que todos, menos Brian May, abandonaram depois), as unhas e rostos pintados, as roupas extravagantes e um jeito lânguido e sedutor de cantar. O símbolo da banda, desenhado pelo próprio Freddie. As músicas que lembravam contos fantásticos e a mitologia inglesa “inventada” por Tolkien em sua Terra Média do Senhor dos Anéis. Um rock com o marcado piano de Freddie e o som da guitarra “red special”, fabricada pelo próprio guitarrista Brian May aos 16 anos e que se tornou ela própria um ícone do rock. O som do Queen, desde seu primeiro álbum, em 1973, era completamente próprio, que, sem deixar de expressar um parentesco com bandas da época, como Led Zeppelin, deixava claro que ali havia algo novo.

“White Queen”, do primeiro álbum do Queen, ao vivo em 1974

Sem dúvida, os primeiros discos do Queen são dos menos lembrados – algo que pessoalmente considero triste e injusto. Ficaram abafados pelo estrondoso sucesso que veio com seu quatro álbum, “A night at the Opera”, de 1975, com músicas que se tornariam das mais conhecidas do grupo, como “Love of my life” e “Bohemian Rhapsody”, que mesmo com sua originalidade incrível não deixou de ter um alcance transcedente. Outras músicas eram ainda mais experimentais, como “Prophet’s song”, com seu arranjo vocal incrível.

“The Prophet’s song”, ao vivo em 1976.

Nessa época, o Queen se orgulhava de ser uma banda que não usava sintetizadores. Um rock “raiz”, por assim dizer. Mas a sua marca foi não ficar preso a uma forma rígida de fazer música, e seu oitavo álbum, “The Game”, de 1980, marca a entrada pontual do grupo na era do rock com instrumentos eletrônicos.

Clipe de “The Game”, de 1980, com o Queen estrando nos sintetizadores

Sem medo de experimentar, há quem ache que o Queen chegou a “passar do ponto” nessa ida para os anos 80, e para sentir o quão profundo foi esse percurso basta ouvir “Hot Space”, álbum de 1982, que para além do estrondodo sucesso de “Under Pressure”, feita ao lado de David Bowie, deixou músicas que hoje parecem no mínimo curiosas, como “cool cat” ou “Las palabras de amor”.

clipe de “Las palabras de amor”, de 1982

Duas trilhas sonoras completas também constam da discografia do Queen, de filmes que hoje estão bastante esquecidos – um deles, “Flash Gordon”, é um grande clássico do cinema mais “trash” que se possa imaginar”, e sua trilha sonora, com exceção da música título que chega a figurar no disco “greatest hits” do Queen, foi bastante relegada ao esquecimento. O outro, “Higlander”, também traz grandes sucessos e algumas músicas que são a cara desse “Queen anos 80”, como “Pain is so close to pleasure”. Talvez se Freddie tivesse vivido por mais tempo para olhar em perspectiva, tivesse ficado mais constangido com esse momento do que com o período de visual “glam”, que abandonou em favor do clássico bigode que se tornou sua marca e só foi abandonado nos últimos momentos de sua vida.

“Who wants to live forever”, do álbum “A kind of Magic”, trilha sonora do filme “Higlander”

A febre dos sintetizadores também ficou um pouco de lado nos anos 90, que o Queen mal pode inaugurar antes da trágica morte de Freddie, aos 45 anos, em 1991. O disco Innuendo, lançado em 1991 pouco antes de Freddie partir, deixou também sucessos muito conhecidos, como “Show must go on” e “Headlong”. E as gravações finais de Freddie com o Queen vieram como um póstumo presente de despedida com o álbum “Made in Heaven”, de 1995.

Aos 26 anos de sua partida, Freddie continua sempre presente.

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