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VENEZUELA

23F: "Dia D" do imperialismo e da direita em sua ofensiva golpista na Venezuela

sábado 23 de fevereiro| Edição do dia

Pouco se sabe dos movimentos reais para além dos que saem a público. Esta sexta-feira Guaidó conseguiu chegar em Cúcuta, na Colômbia, burlando todos os controles do governo Maduro, e se reuniu com Ivan Duque, Piñera e o secretario-geral da OEA, Almagro.

Desde a quarta-feira Guaidó havia convocado mobilizações nos quartéis militares enquanto os olhares se concentravam na fronteira com a Colômbia para o oriente, e para o Brasil, no outro extremo. Até o momento o governo Maduro fechou a fronteira marítima no norte caribenho com as ilhas de Curaçao, Bonaire e Aruba, e na quinta-feira fechou a fronteira terrestre com o Brasil.

A operação "ajuda humanitária" do imperialismo junto a todo o direitismo internacional e a oposição nativa não fez mais que aumentar o estridente volume das tensões políticas, fazendo uso da tragédia de um povo que sofre as calamidades de uma catástrofe econômica e social que se veio arrastando por mais de cinco anos consecutivos.

Aproveitam-se do cansaço popular ante a situação econômica insuportável e de um governo que descarregou a catastrófica crise econômica e social sobre as massas, com uma crise que se iniciou da resultante da queda dos preços do petróleo, e que foi aprofundada pelas próprias medidas políticas e econômicas de Maduro. Assim também como a fúria contra o autoritarismo de Maduro e seu regime político, sustentado nas Forças Armadas que praticamente co-governam o país.

Poucas vezes o imperialismo havia conseguido montar nas últimas décadas uma frente única desta magnitude em uma investida golpista e uma obscena intervenção na América Latina. Até cantores milionários não quiseram faltar ao encontro em uma incerta jornada para dar um colorido midiático à interferência, e não por casualidade em um show montado por um bilionário que de repente sentiu seu "coração enternecido" pelos pobres da terra.

Sem pudor algum, o imperialismo voltou, como há um século, à política das canhoneiras no continente, quando Washington ditava e determinava o destino dos governos regionais, com um presidente que lhes dá ordens diretamente. Os EUA impôs sanções no campo petrolífero e bloqueou os ativos extraterritoriais do país junto a ameaças de intervenção armada.

Nesta investida ressuscitaram sinistros personagens como Elliot Abrams, que se ufana de um dos maiores genocídios no continente perpetuado em El Salvador com a chamada "Operação Resgate" - quando o exército deste país, treinado pelos EUA, assassinou mil pessoas, a grande maioria crianças e até mesmo recém nascidos, em pouco mais de um dia.

Hoje em sua linguagem buscam "resgatar" a Venezuela para seus desígnios, um movimento previamente facilitado por seu golpe no Brasil para chegar a impor o ultradireitista Jair Bolsonaro, além do coro direitista composto por Ivan Duque na Colômbia, Mauricio Macri na Argentina, Piñera no Chile entre outros personagens de igual envergadura que aplicam severos planos antioperários e antipopulares em seus países, mas agora se converteram em "bons samaritanos" na campanha de "ajuda humanitária" à Venezuela.

Para isso contam com um capachismo descarado, nunca visto, que chegou a extremos a que um autodeclarado "presidente interino", integrante do que há de mais podre na direita venezuelana, peça a intervenção militar estrangeira nesta cruzada pela "democracia". Como um fantoche, Juan Guaidó executa seus movimentos emanados pela Casa Branca e a putrefata direita de Miami, encabeçada pelo senador Marco Rubio.

Depois de um mês de se autodeclarar "presidente interino", Guaidó e Trump esperam neste sábado o seu "Dia D", e para isso voltaram com seu chamado a incitar os militares a um golpe. Em um dos seus pronunciamentos Guaidó disse "Senhores das Forças Armadas, vocês tem 3 dias para colocar-se ao lado da Constituição e seguir a ordem do presidente interino da república, ao mesmo tempo em que voltavam a colocar sobr eo tapete a Lei da Anistia.

Para dar credibilidade a essa lei, os Estados Unidos fez conhecer, nesta quinta-feira, a deserção do ex-chefe de inteligência militar na Venezuela, Hugo Carvajal, que agora diz reconhecer Guaidó, em uma tentativa adicional de somar maior pressão à cúpula militar. Trata-se de um obscuro personagem que desde 2008 se encontrava na "lista suja" do Departamento do Tesouro por suposto vínculo ao mundo do narcotráfico, e em 2014 esteve a ponto de ser extraditado ao ser preso na ilha de Aruba por ordens diretas dos EUA. Aqui expõem a cara de cinismo e hipocrisia destes personagens que usam a demagogia da "democracia", da "luta contra o narcotráfico" e dos "direitos humanos" para sua própria conveniência.

Ante a possibilidade de não conseguir seus objetivos os Estados Unidos saiu nesta sexta-feira a responsabilizar as Forças Armadas da Venezuela por um eventual "derramamento de sangue", e ameaçar "reagir com sanções e repercussões para seus familiares no estrangeiro". Não se trata apenas de uma ameaça sobre os militares mas de abrir a possibilidade a qualquer tipo de provocação que possa terminar efetivamente em um banho de sangue.

Não é casual que o enviado especial dos Estados Unidos, Elliot Abrams, esteja presente na Colômbia de acordo com o que informou na sexta-feira o Departamento de Estado. A delegação partiu no sábado da Base de Reserva Aérea Homestead, situada no sul de Miami.

Na sexta-fera, nas primeiras horas da manhã, a Guarda Nacional disparou sobre um grupo de indígenas da etnia Pemón que habitam na fronteira com o Brasil, depois que estes obstaculizassem a passagem de um caminhão. Sem nenhum interesse pelos Pemones a não ser o impacto causado pela notícia, a direita utilizou o fato para redobrar sua ofensiva sobre as Forças Armadas, que e converteram no árbitro da situação política no país.

Enfatizamos uma vez mais: é responsabilidade do chavismo e seu fracassado projeto a facilitação de toda essa ofensiva reacionária desatada pelo imperialismo e o direitismo continental, que através da direita nativa chegam a níveis descarados de intervencionismo alentando o golpe como saída política à crise do país.

Frente ao avanço do imperialismo estadunidense, a China e a Rússia, que tem negócios com o governo de Maduro, fizeram declarações contra a interferência, mais em defesa de seus próprios interesses que do povo venezuelano. Enquanto a Rússia acusou os EUA de planejar a entrega de armas à oposição venezuelana, a China alertou "uma entrega forçada da chamada ajuda humanitária poderia desencadear conflitos e provocar grandes consequencias". As declarações cruzadas não são mais que a expressão do tabuleiro das tensões geopolíticas mundiais que está situado hoje sobre a Venezuela.

Neste 23F mais que nunca é necessário enfrentar resolutamente a ofensiva imperialista e todo o plano da direita golpista, o que não implica em absoluto o mais mínimo apoio político a Maduro. Muito pelo contrário, a classe trabalhadora se tem de organizar de forma independente do governo para enfrentar todas as medidas de ajuste e impor um plano operário de emergência que poderá dar resposta a seus sofrimentos em meio à grande catástrofe econômica e social que reina no país.




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