Sociedade

VIOLÊNCIA POLICIAL

23 anos do Massacre do Carandiru: luto e luta contra a impunidade

sábado 3 de outubro de 2015| Edição do dia

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23 anos de saudade e impunidade: aonde estão os responsáveis pelo massacre do Carandiru?

Em coletiva de imprensa chamada pelo coletivo Mães de Maio, que reuniu cerca de 100 pessoas no auditório da Faculdade de Direito do Largo São Francisco, foram lembrados os 23 anos do massacre do Carandiru, que chocou o país com a brutalidade policial, que inspirou filmes, músicas e mexeu com a opinião pública da época. Teixeira, um dos sobreviventes do massacre, cobrou a impunidade sobre a qual o caso é tratado - dos 111 presos que foram oficialmente dados como mortos (número esse que é desmentido pelas vítimas e sobreviventes), apenas um policial, dos 73 envolvidos, foi punido -, uma vez que seus feitores e mandantes seguem impunes, sem terem ido para a cadeia ou a julgamento e exercendo seus cargos tranquilamente, apesar de os policiais terem sido condenados por júri popular em primeira instância e a soma das penas chegarem as 21 mil anos anos de prisão.

O Massacre do Carandiru, como o fato ficou conhecido, ocorreu há 23 anos, quando uma operação policial para reprimir uma suposta rebelião resultou na morte de 111 presos. Por envolver grande número de réus e de vítimas, o julgamento dos réus foi dividido, inicialmente, em quatro etapas, de acordo com o que ocorreu em cada um dos pavimentos da casa de detenção.

O assessor jurídico da Pastoral Carcerária, Paulo Malvezzi, avalia que, além da condenação dos policiais militares, é preciso avançar no sentido de indenizar de forma justa as famílias dos detentos mortos. “O Estado executou 111 pessoas naquele dia. Ele também tem o dever de reparar aquelas famílias que perderam seus entes queridos”, destacou. Ele acredita que, diante da impossibilidade de responsabilizar policiais de alta patente ou até mesmo o governador à época, Luiz Antonio Fleury Filho, é preciso reparar o dano causado. “Mas não com valores irrisórios, como aconteceu em muitos processos. Algo que não fosse meramente simbólico”, defendeu.

Esta coletiva contou com cobertura da Rede Gazeta e TV Brasil, além da participação das Mães de Maio, Mães do Cárcere, Pastoral Carcerária, Movimento Passe Livre, Frente Negra Contra o Genocídio, Movimento Revolucionário de Trabalhadores (MRT), Grupo de Mulheres Pão e Rosas, Kilombagem, entre outros, além de várias mães de encarcerados injustamente, mortos pelo estado e perseguidos pelo estado, além de vítimas e sobreviventes, que contribuíram com sua presença e seus depoimentos. As falas firmes, porém emocionadas, de cada uma das mães presentes fortalece a luta cotidiana de cada um dos que lutam contra o sistema prisional e o encarceramento em massa e das chacinas. Alguns dos pedidos foram pelo fim da polícia militar e pela fim das milícias.

Várias falas de algumas das mães e familiares que perderam seus filhos, sobrinhos, netos, maridos e irmãos conseguiam enxergar exatamente quem é o responsável por tudo isso: O Estado. "É fácil pegar o meu dinheiro e do contribuinte, que não são baratos, para pagar os bandidos fardados, mas não para pagar o tratamento das mães que morrem dia a dia pela perda de seus filhos", disse Débora do Mães de Maio, que termina bradando "Sérgio Cabral disse que as mães da periferia são fábricas de marginais, mas a verdadeira fábrica de marginais é o Estado".

Em seguida à coletiva de imprensa, seguiu um ato com cerca de 500 pessoas, que passou pela Secretária Estadual de Segurança Pública, Praça da Sé, Fórum João Mendes, Páteo do Colégio, Praça do Correio e terminando no DOPS. Entre os mortos pela política do Estado, foram lembrados também 43 estudantes assassinados e desaparecidos no México.

Na luta contra o terrorismo de estado, todos devemos nos somar e construir uma real alternativa, que junte a luta dos movimentos sociais com a da classe trabalhadora, que apenas assim conseguiremos avançar sobre este Estado racista, fascista e genocida.

Carandiru nunca mais, Pavilhão nunca mais, Candelária nunca mais, Cabula nunca mais, Munhoz nunca mais. Essas mortes não passarão, pois os nossos mortos tem voz!!!




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