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CHACINA DA CANDELÁRIA

23 anos da Chacina da Candelária

O ato foi organizado pelo Fórum de Juventudes do Rio de Janeiro, O Movimento Candelária Nunca Mais, a Rede de Comunidades e Movimentos contra a Violência, o Coletivo Papo Reto, a Campanha Pela Liberdade de Rafael Braga Vieira, o Fórum Social de Manguinhos, Mães de Maio, a Justiça Global, o Movimento Moleque e Anistia Internacional Brasil. O ato foi marcado por dezenas de jovens, em sua maioria negros, que denunciavam o genocídio da juventude negra e a violência policial, contra a redução da maioridade penal, por mais saúde, educação e cultura para a juventude e para que nunca mais aconteçam chacinas como estas.

Carolina Cacau

Foi candidata a vereadora do MRT em 2016, é estudante da UERJ e professora da rede estadual.

sábado 23 de julho de 2016| Edição do dia

No dia 23/07/16 realizou-se um ato em memória da Chacina da Candelária. Faz 23 anos que a polícia atirou em dezenas de pessoas, a maioria crianças e adolescentes que estavam dormindo na frente da Igreja da Candelária no Centro do Rio de Janeiro. Oito jovens foram mortos, seis deles, menores de 18 anos. Quatro foram mortos a tiros, na escadaria da igreja. Um foi assassinado ao tentar fugir. Outro morreu dias depois em decorrência dos ferimentos. Dois foram levados de carro pelos policiais até o Aterro do Flamengo, onde foram executados.

A impunidade se confirma como regras nos assassinatos cometidos pelas forças policiais no Brasil. Na época dos assassinatos denunciava-se grupos de extermínios da polícia contra a população em situação de rua, que estava matando centenas de crianças pela cidade. Os três policiais militares envolvidos no crime foram condenados cumpriram pena de prisão, mas todos já estão em liberdade. Seis policias foram absolvidos apesar dos fortes indícios de envolvimento.

Wagner dos Santos é o principal sobrevivente e testemunha da Chacina da Candelária. Atualmente vive na Suíça, para onde se mudou após sofrer uma segunda tentativa de assassinato. Ele levou 8 tiros, foi envenenado, ficou cego de um olho, perdeu parte da audição e até hoje sofre com sequelas psicológicas.

Após 23 anos da chacina, nas vésperas dos Jogos Olímpicos, o governador Francisco Dornelles (PMDB/PP) reforçou a “segurança” do megaevento, através da ampliação da militarização já existente em diversas favelas e comunidades da cidade, como o retorno da presença das forças armadas no Complexo da Maré. A violência e as mortes aumentando nas favelas, principalmente as ocupadas militarmente pelas UPP. De lá para cá, aconteceram chacinas em Vigário Geral (1993), com 21 mortos; no morro do Borel (2003), com quatro mortos; na Via Show (2003), com 4 mortos; e na Baixada Fluminense (2005), com 29 mortos. Além disso, todas as mortes nas favelas foram cometidas por policiais e as vítimas foram majoritariamente adolescentes negros e pobres.

O Brasil é o país que tem a polícia que mais assassina no mundo. Segundo a Anistia Internacional, “em 2012, 56.000 pessoas foram assassinadas no Brasil. Destas, 30.000 são jovens entre 15 a 29 anos e, desse total, 77% são negros. A maioria dos homicídios é praticado por armas de fogo, e menos de 8% dos casos chegam a ser julgados”. Algumas mídias têm denunciado o aumento das mortes nas favelas nas vésperas das Olimpíadas, segundo uma pesquisa feita a partir de dados do Instituto de Segurança Pública do Rio de Janeiro (ISP) revelam que houve um aumento de 17,7% em relação ao mês em 2015, num total de 17 mortes diárias, ainda segundo a matéria, a cada cinco dias, o número de mortes por violência no Rio de Janeiro supera as 84 mortes do atentando ocorrido em Nice, na França, quando um caminhão atropelou centenas de pessoas na festa do Dia da Queda da Bastilha.

O ato foi organizado pelo Fórum de Juventudes do Rio de Janeiro, O Movimento Candelária Nunca Mais, a Rede de Comunidades e Movimentos contra a Violência, o Coletivo Papo Reto, a Campanha Pela Liberdade de Rafael Braga Vieira, o Fórum Social de Manguinhos, Mães de Maio, a Justiça Global, o Movimento Moleque e Anistia Internacional Brasil. O ato foi marcado por dezenas de jovens, em sua maioria negros, que denunciavam o genocídio da juventude negra e a violência policial, contra a redução da maioridade penal, por mais saúde, educação e cultura para a juventude e para que nunca mais aconteçam chacinas como estas.

Os coletivos estavam organizando também a jornada do grupo americano Black Lives Matter, movimento que surgiu e ganhou força nos EUA em 2014 depois do assassinato de Mike Brown, em Ferguson, pela polícia, e vieram ao Rio para participar de diversas atividades, debates e atos pela articulação da luta internacional contra a violência racista da polícia.

O capitalismo só tem a oferecer a juventude negra mais mortes e violências, moradia, saúde, educação e transporte precários, os piores e mais baratos postos de trabalho e projetos reacionários como a redução da maioridade penal e o projeto escola sem partidos, além de lhe ser reservo um futuro de ataques ainda maiores aos direitos trabalhistas com a reforma das leis trabalhistas e previdenciária. Por isso lutamos contra a violência policial e o genocídio do povo preto. Fim das polícias e das UPPS. Basta de impunidade! Fim dos juris especiais e militares. Por um júri popular!. A única forma de ser uma justiça de fato imparcial. Só assim a impunidade policial pode ser verdadeiramente combatida




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