Colômbia despertou

21J: várias manifestações na Colômbia contra as políticas de Iván Duque

Como continuação das jornadas de protesto iniciadas no dia 21 de novembro do ano passado, nesse 21J ocorreram importantes mobilizações em Bogotá, assim como em outras cidades do país como Cali, Medellín, Barranquilla, Bucaramanga, entre outros pontos do território colombiano.

quarta-feira 22 de janeiro| Edição do dia

Milhares de colombianos saíram às ruas novamente, pela primeira vez no ano, e de forma massiva entre estudantes, trabalhadores e mulheres nas principais praças públicas de vários locais. Ao contrário do que esperavam alguns setores, de que a mobilização de janeiro seria minguada, na realidade aconteceu todo o contrário, expressando mais uma vez a insatisfação do povo contra as políticas do governo de Iván Duque. Apenas em Bogotá, em 19 pontos da cidade, se desenvolveram mobilizações que expressaram com mais força a juventude como setor-chave dos protestos.

A insatisfação popular, para além das reformas estruturais que precariza ainda mais as condições de vida, se dá também contra a continuidade de assassinatos de lutadores sociais que, só no ano passado, somaram mais de vinte mortes, demonstrando uma clara escalada da violência sistemática na Colômbia. Na Praça de Bolívar, centro político do país, foi um dos pontos de concentração final de algumas das importantes marchas que ocorreram em Bogotá.

Assim, sob a convocatória do 21J, ocorreram diferentes mostras de mobilização com panelaços em todas as principais cidades, e com cortes de rodovias e bloqueios tomados por jovens e estudantes, o que inclusive desembocou em enfrentamentos com o Esquadrão Móvil Antidistúrbios (ESMAD), produto da ação repressiva das forças policiais do Estado.

Ainda sem passar o primeiro mês de 2020, os assassinatos contra lutadores sociais, principalmente das comunidades rurais, tem seguido um aumento escandaloso, sendo a maioria deles perpetrados por grupos paramilitares e abertamente policiais.
Organismo como a Comissão de Direitos Humanos das Nações Unidas foram forçados a reconhecer a crise social que se vive no país e que é negada pelo governo de Duque.

A razão dessa jornada é retomar e fortalecer a ativação dos protestos, depois do recesso das festas de fim de ano, e que agora, com essa demonstração de persistência, se avizinha um processo ainda aberto e um questionamento a um governo (um dos mais impopulares da América Latina) que não consegue conter a crise.

Iván Duque e o conjunto de seu governo segue sem dar uma resposta complacente a quem ocupa as praças e as vias públicas. As mesas da “Conversação Nacional” parecem atoladas com o tempo e a jornada de ontem (21) é uma demonstração não apenas de rechaço às migalhas que o governo tem oferecido, mas também a impossibilidade de que uma negociação montada como esta consiga desviar a raiva que ainda se respira nas ruas.

As forças policiais lançaram gases lacrimogêneos, granadas e enfrentaram com hidrantes os manifestantes que mantinham bloqueadas várias avenidas da capital, deixando feridos e ao menos 70 detidos pelo que se tem reportado até o momento.

Num comunicado da prefeitura de Bogotá, quantifica-se 19 pontos oficiais dentro da cidade onde ocorreram enfrentamentos nesta terça. Em cidades como Cali e Medellín também ocorreram cenários parecidos. No entanto, o discurso oficial foi de que iria investigar os ocorridos como “atos de vandalismo” e em “crimes de grupos de vândalos”, respaldando, portanto, as forças da ordem e contrapondo-se abertamente contra a demanda que se tem feito depois do assassinato de Dilan Cruz: a dissolução da ESMAD, assim como de outros corpos policiais.

Os acontecimentos demonstram a clara disposição de amplos setores da população a continuar com as jornadas iniciadas no fim de novembro do ano passado, em que a juventude é a protagonista das mobilizações, muitos deles estudantes universitários que tem dado uma dinâmica ao processo. As organizações operárias tem chamado uma paralisação, ainda que seus dirigentes se esforcem em não prepará-la de maneira combativa.

O descontentamento expresso no dia de ontem está indicando claramente que as jornadas de protesto não cessarão na Colômbia contra um governo que não apenas é surdo às reivindicações do povo, mas que também tem dado continuidade a suas políticas de ajuste. É que neste país sul-americano há demandas econômico-sociais muito profundas, e é isto que tem pondo o movimento em ação. Mais uma vez se coloca na Colômbia a entrada em cena de toda uma força social capaz de derrotar os planos de um governo causador de miséria e opressivo, avançando em maiores níveis de organização que coloque em perspectiva uma verdadeira greve geral, levantando um verdadeiro plano de luta para conquistar as demandas levantadas.




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