Política

2017

2017 começa com populismo dos novos prefeitos e continuidade dos ataques de 2016

Dória gari, Crivella doa sangue. Populismo e demagogia que tentam se aproveitar do otimismo da melhora após um ano duro como 2016, mas que a agenda de ataques de 2016 continua sendo anunciada.

segunda-feira 2 de janeiro de 2017| Edição do dia

No seus primeiros dias de mandato, os prefeitos da cidade São Paulo e da cidade do Rio de Janeiro, agendaram ações nas suas cidades para promoverem na grande mídia uma imagem de que “trabalharão duro” e de que farão bem às suas cidades e população.

João Dória aparece nas ruas de São Paulo pouco antes do amanhecer vestido de gari, comicamente calçando sapatênis Osklen no lugar das botinas do uniforme, como se estivesse fantasiado de trabalhador que nunca foi ou vai ser. Mesmo assim, expressa um ar de confiança frente as câmeras que foram o real centro de suas atenções durante a ação (a vassoura e a luva foram apenas decorativas), como quem estava certo de que havia cumprido com seus objetivos: criar uma imagem um prefeito dedicado à cidade, que demonstra “humildade, igualdade e capacidade de trabalho”.

Marcelo Crivella no Rio de Janeiro foi menos teatral, se dirigindo ao Hemorio para doar sangue, e responder à imprensa que a sua prioridade na gestão será a saúde, cuja pretensão é de aumentar as parcerias público-privadas na área da saúde.

No caso do prefeito do Rio, sua ação na realidade consistiu em um anúncio de que pretende precarizar o serviço de saúde pública já o colocando a caminho da privatização com o aumento de trabalho terceirizado que acompanha esse tipo de parceria.

O que se esconde por trás dessas cenas demagógicas por parte dos prefeitos é o fato de que assumiram seus mandatos para aplicar ataques contra os trabalhadores que certamente não foram pelos quais se elegeram. Isso fica evidente quando anunciam que irão aumentar as passagens (ou de forma "escondida", os preços das integrações) do transporte público nas suas cidades, mostrando que são prefeitos como todos os anteriores que servirão aos monopólios de transporte público, garantindo o lucro desses empresários às custas de maiores gastos aos trabalhadores, cujos salários estão arrochados e, no caso dos servidores do Rio, atrasados.

Além de começar o ano com os prefeitos já demonstrando que querem enganar os trabalhadores e a juventude, os golpistas do Congresso não perderam tempo em anunciar que em 2017 o alvo são os direitos dos trabalhadores. Rodrigo Maia, presidente da Câmara Deputados, substituto de Temer quando este se ausenta, disse que quer a Reforma da Previdência encaminhada no primeiro semestre desse ano.

A direita está sinalizando que vai partir para a ofensiva contra os trabalhadores e seus direitos, a juventude e sua perspectiva de futuro. Enquanto isso o PT senta e observa, ou mesmo dá boas vindas à essa direita como fez Haddad na posse de Doria. Os discursos petistas de combate a direita resultam em atos para reunir o aparato sindical petista, sem trabalhadores, e em uma demanda por eleições diretas para presidente (combinada com o volta Lula), que apenas serviriam para eleger Marinas Silvas, Bolsonaros, Lulas, ou Alckmins, dando legitimidade de voto para políticos que vão continuar atacando os trabalhadores e a juventude.

A saída política para a juventude e os trabalhadores não acontecerá por dentro da lógica dessa democracia, das suas eleições, que está cada vez mais desacreditada. A saída política passa pelo questionamento profundo dessa democracia, impulsionando uma Assembleia Constituinte que coloque os trabalhadores para serem sujeitos de debater todos os temas estruturais do país, como o não pagamento da dívida pública, a estatização dos transportes públicos sob controle dos usuários.




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