Internacional

19 E 20 DE DEZEMBRO DE 2001

2001: esses não se foram e governam com o Cambiemos

Muitos dos que hoje integram a aliança do Cambiemos tem um passado obscuro como funcionário do governo de De la Rúa em plena crise de 2001. Gerardo Morales e Patricia Bullrich são alguns deles.

quarta-feira 21 de dezembro de 2016| Edição do dia

Hoje se completa 15 anos das jornadas revolucionárias que a partir da mobilização popular terminou com o governo da Alianza. “Que se vão todos”, foi uma das consignas centrais daquelas jornadas. A queda do governo não chegou para encerrar a crise política do regime que se expressou em uma semana trocar cinco vez de governo.

A debilidade das Jornadas Revolucionárias que provocaram a saída de De la Rúa, a falta de uma política desde os trabalhadores permitiu que muitos políticos repudiados nessas mobilizações se retirassem momentaneamente para ressurgir quando a situação o permitisse (como que podiam caminhar pelas ruas sem que o repudiassem). O atual governo de Jujuy, Gerardo Morales é um deles.

De ministro do Desenvolvimento Social da Alianza a governo da capital e da repressão

Durante o primeiro ano de gestão transformou a província na capital da repressão, ocupou entre julho de 2000 e agosto de 2001 a cadeira de Ministro de Desenvolvimento Social da Nação. Em dezembro desse ano foi senador por Jujuy, reeleito em mais duas oportunidades até 2011.


Morales assumi o Ministério de Desenvolvimento Social (2000)

Pesa sobre ele denúncias por enriquecimento ilícito. Proveniente de uma família humilde, trabalhou como lavador de copos, jovem e funcionário administrativo de Coches-Comedores de Ferrocarril Gral. De Belgrano (bairro nobre de Buenos Aires). Mas quando começou a carreira política sua “fortuna” mudou.

Segundo se conhece, os irmãos Morales foram um clã em Jujuy. Seu irmão Freddy é o articulador financeiro e econômico da UCR em Jujuy. A família Morales construiu seu poder através do clientelismo político, uma das razões da denúncia de Milagro Sala.

Desde 2005, como governador de Jujuy, não só enviou a prisão arbitrariamente Milagro Sala por estar realizando um acampamento, mas que perseguiu as organizações operarias e populares. Instalou um estado policial na província, onde os jovens dos bairros populares são as principais vitimas. Enquanto os empresários como Blaquier del Ingenio Ledesma são liberados e venerados por seu genocídio contra os trabalhadores.


Macri visita a empresa do genocida Blaquier junto a Morales

Em setembro desse ano, quando organizações de direitos humanos e personalidades políticas viajaram para Jujuy para tomar conhecimento do que ocorria ali, foram espionados pela Força de Segurança Nacional comandada por Patricia Bullrich, com o consentimento de Morales, ou sob mando dele. A deputada Myrian Bregman, integrante do CeProDH, organismo que convocou o Encontro na província, acaba de realizar a denúncia sobre esta espionagem.

Organismos internacionais como o OEA e a ONU vem se posicionando que liberem Milagro Sala, no entanto o governo de UCR que integra o governo do Cambiemos, se nega. Não só isso, mas acontece que as violações aos direitos humanos continuam, a tal ponto que assassinaram Nelson Cardozo, sobrinho do dirigente da Rede de Organizações Sociais de Tupac Amaru, “Beto Cardozo”, ambos detidos por uma causa vinculada a Milagro Sala.

De montonera a gorila

Patricia Bullrich, uma das que sempre esteve. Nos anos 70 integrou a organização Montoneros (formações militares irregulares) que se chamavam “pecados de juventude”. Mas nos anos 90 corrigiu esse “pecado” e voltou a política pelas mãos de Menem para acompanha os planos neoliberais. No ano de 1999 integrou o governo da Alianza. Fernando De la Rúa colocou-a a frente da Secretaria de Política Criminal e Assuntos Penitenciários do Ministério de Justiça e Direitos Humanos da Nação. O escândalo da lei “Banelco” que sob subornos, de cinco milhões de dólares, pretendia promulgar a lei da reforma trabalhista de precarização do trabalho, retirou o ministro do Trabalho e o seu lugar foi ocupado por Bullrich, em outubro de 2000. Assim a atual ministra Bullrich promoveu e assinou o decreto que instaurou a redução de 13% nos salários dos trabalhadores estatais e das aposentadorias. Durante sua gestão, somente em um ano, o desemprego subiu de 15 para 21%. Em outubro de 2001 passou a ocupar o cargo de ministra de Segurança Social.


Assume Patricia Bellrich pelas mãos de De la Rúa

No ano de 2007 se integrou a frente de Coalizão Cívica de Elisa Carrió. Nesse mesmo ano Bullrich foi eleita deputada nacional na cidade de Buenos Aires. Quando exercia este cargo foi denunciada frente a Câmara Federal, a mando do juiz Daniel Rafecas, por impedir uma lei anti-lavagem, para favorecer ao Grupo Clarín.

Em 2015, o governo do Cambiemos nomeou seu novo gabinete. Patricia Bullirch é designada ministra de Segurança, desde onde não só protagonizou os maiores papelões, mas que a poucos dias de assumir propôs leis anti-trabalhistas e repressivas no geral.

Os trabalhadores através de suas associações sindicais, ATE, denunciaram que os novos ocupantes dessas cadeiras lhes perguntaram qual era sua filiação sindical, ideológica e politica. A doze dias de assumir enviou a Força de Segurança para reprimir violentamente os trabalhadores da empresa avícola Cresta Roja que lutavam para defender seus postos de trabalho.

Dias depois protagonizava seu primeiro papelão como ministra de Segurança, e não o último. Frente a fuga dos três condenados pelo triplo crime de General Rodríguez, informou frente a imprensa que haviam capturado os fugitivos. O próprio presidente deu a falsa notícia.


Bullrich em ação

Em janeiro apresentam o decreto de Emergência em Segurança, sob a justificativa de luta contra o narcotráfico.

Em fevereiro desde ano apresentou o “protocolo de protesto social”, que sem eufemismo significa repressão aos manifestantes que cortam ruas. Mas o protocolo que garantia a desocupação dos piqueteiros em cinco minutos, fracassou no primeiro dia que trataram de implementá-lo. Em 24 de fevereiro organizações de esquerda e estatais cortaram por várias horas as principais ruas do centro portenho.

Em varias oportunidades Bullrich anunciou a importância de utilizar as FFAA (Forças Armadas) para tarefas de segurança interna. Recentemente, por decreto, anunciou que o efetivo do Exército passaria a substituir a 1200 guardas nas vigilâncias de centrais nucleares e nas represas hidroelétricas, para que estes sejam destinados como força repressiva nos centros urbanos de Buenos Aires.

Outros que permaneceram

Darío Lopérfido, Hernán Lombardi e Frederico Sturzenegger são outros dos que integraram o governo da Alianza e hoje ocupam cargos destacados no governo do Cambiemos.

Os crimes cometidos durante o governo da Alianza que todos eles integraram, voltaram a ser repudiados por uma mobilização convocada para hoje pelo sindicalismo combativo, por organizações sociais, piqueteiras, juventude, de mulheres e de direitos humanos, junto a esquerda. Também expressaram a denúncia contra o ajuste, hoje levado adiante por Macri, os governadores e as patronais. Reclamaram o fim da trégua das centrais sindicais, cúmplices do ajuste, muito dos quais durante as jornadas de 19 e 20 de dezembro impediram que a classe operária aparecesse como uma alternativa e dessem outro giro aos fatos.




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