MRT

SÃO PAULO

200 jovens e trabalhadores debatem plano para uma greve geral efetiva em 28 de abril

Na tarde do último domingo, 9 de abril, cerca de 200 trabalhadores e jovens se reuniram num Encontro rumo ao 28A, para debater como fazer uma greve geral efetiva para derrotar as reformas de Temer e todos os ataques dos capitalistas. O encontro foi chamado pelo MRT juntamente com companheiros do Movimento Nossa Classe, do grupo de mulheres Pão e Rosas e da Juventude Faísca.

segunda-feira 10 de abril| Edição do dia

Entre os presentes no encontro, estavam trabalhadores de diversas categorias, professores estaduais e municipais, trabalhadores da USP, dos correios, metroviários, bancários, operários industriais, trabalhadores terceirizados e do telemarketing, além de uma forte delegação de jovens secundaristas, universitários e trabalhadores. A mesa foi composta pelo operador de trem da linha 1 azul, Felipe Guarnieri, pelo diretor do Sintusp e da Secretaria de negros e negras do sindicato, Marcelo Pablito, pelo companheiro rodoviário do Rio Grande do Sul, Adailson Rodrigues, pela professora, coordenadora do Centro Acadêmico de Serviço Social (CASS) da UERJ e ex-candidata a vereadora do MRT pelo PSOL no Rio de Janeiro, Carolina Cacau, pelo diretor do Centro Acadêmico da Faculdade de Educação da USP (CAPPF), Willian Garcia, e pela professora e ex-candidata a vereadora do MRT pelo PSOL em Santo André, Maíra Machado.

Já no início da atividade Marcelo Pablito colocou que um dos principais objetivos desse encontro era debater como podemos organizar a nossa resistência a reforma da previdência, a terceirização irrestrita e outros tantos ataques que Temer os capitalistas querem jogar nas costas dos trabalhadores. Diante de centrais sindicais patronais que tentam negocias diretamente com os golpistas os ataques e a questão do imposto sindical, como a Força Sindical e a UGT. E da trégua que as burocracias sindicais, como a CUT e CTB, vêm dando para o governo, mesmo com a disposição de lutas que os trabalhadores vêm demostrando desde o dia 15 de março, deixando claro que era necessário um plano concreto para que os trabalhadores e juventude pudessem tomar em suas mãos a organização da nossa luta, batalhando assim pela construção de uma greve geral efetiva no dia 28. Tentando desviar isso para sua estratégia eleitoral de Lula 2018. Para isso nos inspiramos no exemplo da paralisação nacional na Argentina que aconteceu no último dia 6, e da atuação decisiva que os setores da esquerda combativa, tendo na linha de frente os companheiros do PTS (organização irmã do MRT na Argentina), para que esse dia se transformasse numa grande paralisação que fizesse frente aos ataques de Macri. No Brasil a esquerda pode seguir o exemplo da Argentina, buscando aqui também fazer ações que possam mostrar uma greve geral efetiva, deixando de ser apenas conselheiras das burocracias sindicais, mas batalhando desde as bases pela unidade das nossas fileiras.

Adailson ressaltou, a importância dos trabalhadores de terem ao seu lado uma juventude combativa, que não carrega consigo o peso das derrotas e traições das burocracias sindicais, mostrando como essa aliança é fundamental para podermos derrotar os ataques e o conjunto desse sistema de exploração e opressão. Emocionando a todos ao colocar que “tem uma energia na juventude e nos trabalhadores para botar essa direita abaixo, uma energia que não pode virar Lula 2018. Uma energia revolucionária. Em 1917, cem anos atrás, os trabalhadores da Rússia mostraram que as loucuras que os revolucionários dizem pode se fazer verdade. Vamos mostrar isso de novo.”

Já Carolina Cacau contou um pouco sobre a experiência do Rio de Janeiro, que no dia anterior haviam realizado um encontro com esses objetivos também. Mostrando como a luta que estão travando lá, é parte da mesma luta que nós queremos batalhar aqui em São Paulo. Willian Garcia relatou as importantes iniciativas que estão tendo desde o início a partir da gestão do CAPPF, na Faculdade de Educação da USP. Organizando plenárias, assembleias e comitês, organizando fortes blocos para participar dos atos que aconteceram no mês de março. E como agora pretendem construir o dia 28. Maíra Machado relatou como estão organizando a luta em Santo André, falando sobre o papel das burocracias sindicais da CUT e CTB que no dia anterior fizerem um ato do sindicato dos metalúrgicos. E terminou colocando como vemos a força das mulheres se expressando desde o ano passado, e que por isso nós do Pão e Rosas estamos lançando um manifesto internacional para poder organizar essas mulheres em cada local de estudo e trabalho contra o machismo e o capitalismo.


Desde a plenária, vários companheiros interviram expressando como veem a mobilização na sua categoria após o dia 15, colocando quais perspectivas podemos ter para a construção do dia 28 em cada local de trabalho e estudo. Como podemos fazer com que essas ideias de organizar comitês pela base, para romper com o rotineirismo das burocracias sindicais e estudantis, rumo a construção de uma greve geral efetiva. A necessidade de unificação nossa classe deu o tom da discussão, todos colocando como a aliança entre metroviários, professores, operários industriais e jovens é fundamental para nossa luta. O encontro contou também com a presença da companheira Diana Assunção, dirigente do Movimento Revolucionário de Trabalhadores, ex-candidata a vereadora de São Paulo pelo PSOL e que nessa semana ira representando o MRT no congresso do PTS na Argentina.



Ao final do debate, aprovou-se uma carta que busca sintetizar os principais elementos abordados na discussão e servir como um forte instrumento de preparação para os próximos 20 dias de combate até o dia 28. Desde o MRT, Pablito, chamou os diversos companheiros independentes que estavam dispostos a lutar por esse projeto e serem parte de construírem conosco em cada local de estudo e trabalho as agrupações do Movimento Nossa Classe, o grupo de mulheres Pão e Rosas e a juventude Faísca. Como parte de batalhar para a construção de uma alternativa anticapitalista e revolucionária dos trabalhadores e da juventude.

Por uma greve geral efetiva no 28A para derrotar Temer e suas reformas!

O golpe institucional acelerou e aprofundou ataques a classe trabalhadora. Abriu caminho para Temer e seus aliados da direita promoverem um espetáculo de horrores no congresso e no Senado. Com as reformas da previdência, trabalhista e a recém aprovada lei da terceirização, querem que trabalhemos até morrer, retirando nossos direitos e buscando que nós paguemos a conta da crise, essa criada pela ganancia e sede de lucros dos patrões e capitalistas. O PT de Lula e Dilma, que governaram durante anos com essa direita resignou-se. Aceitaram o golpe, terminando de rifar de vez os direitos dos trabalhadores, das mulheres, negros e LGBTs, em troca de manter a estabilidade de um regime carcomido pela corrupção impondo um sentimento de derrota para neutralizar a disposição de resistência ao conservadorismo.

Entretanto, veio a paralisação nacional no 15M, provando que a etapa aberta das manifestações massivas de junho de 2013 não se encerrou, mostrando para todos que a direita ainda não venceu e que esse jogo ainda não terminou. Os governos e políticos do regime voltaram a sentir medo, pois os trabalhadores surgiram na cena política do país. Apesar das suas direções, que vinham fazendo de tudo para que isso não acontecesse. Uma burocracia de dirigentes sindicais que há anos não trabalham e negociam os nossos em direitos em troca de seus interesses políticos e manutenção dos seus privilégios.

O 15M também mostrou que centrais como a CUT e CTB não querem vencer as reformas nem Temer, querem sim construir a candidatura de Lula para que o PT aplique os ataques a sua maneira. Como também escancarou o objetivo de centrais golpistas como a Força Sindical de Paulinho só interessadas na grana oriunda do imposto sindical pago pelos trabalhadores. Essas centrais estão tentando sequestrar nossa luta e nós não podemos deixar!

Na Argentina os trabalhadores também mostraram sua força fazendo uma grande paralisação nacional no 6A, e a esquerda desde a FIT (Frente de Esquerda dos trabalhadores) foi fundamental para radicalizar os métodos de mobilização, e diferentemente da burocracia sindical ao invés de levar somente o aparato para as ruas, levou milhares de trabalhadores nas bases de local de trabalho para assumir o protagonismo político na luta contra os ataques do governo Macri.
Uma esquerda com esse novo tipo de sindicalismo faz falta no Brasil. A esquerda deve deixar de ser conselheira da burocracia sindical e lutar com seu programa e método para conquistar a unidade da classe trabalhadora.

Por isso, nós trabalhadores do MRT e independentes do Movimento Nossa Classe organizados em grupos nas diversas categorias, estudantes e secundaristas da juventude Faísca, as mulheres que estão na linha de frente do Grupo Pão e Rosas, reunidos nesse encontro nos colocamos uma tarefa: Exigir a construção de uma greve geral de verdade no 28A para derrotar Temer e fazer com que os capitalistas paguem a conta da crise! Alertamos que se deixarmos essa batalha nas mãos da burocracia sindical, essas centrais vão nos trair como já fizeram! Fortalecemos nossa exigência e chamado para a criação de comitês populares, para a realização de assembleias de base nos locais de trabalho e estudo, que tirem representantes para organizar essa luta. Levantando a convocação de uma assembleia constituinte livre e soberana que de uma saída de fundo diante a crise política e econômica através do não pagamento da divida pública, da reestatização das empresas e serviços públicos sob controle dos trabalhadores, a redução da jornada de trabalho sem redução de salário e o fim da terceirização com a efetivação de todos os trabalhadores terceirizados sem concurso público. Nas nossas mãos, com a força da classe trabalhadora Temer vai tremer e nós podemos vencer!




Comentários

Comentar