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2 milhões de pessoas no RJ estão em áreas sob influência de milícias

Atualmente, no Rio de Janeiro, 2 milhões de pessoas estão em áreas sob influência de milícias. Quadrilhas estão presentes em 165 favelas da região metropolitana e 37 bairros, o que equivale a ¼ da cidade do Rio, e a intervenção militar decretada por Temer não chegou em nenhuma dessas regiões.

quarta-feira 14 de março| Edição do dia

Os milicianos atuam cobrando por segurança, coagindo as pessoas a consumirem água mineral, botijão de gás, alimentos de cestas básicas fornecidos por eles, a utilizarem seu transporte por vans, a pagarem internet e televisão dessas quadrilhas. O avanço dessas organizações nos últimos períodos se deu principalmente na Zona Oeste do Rio, Baixada Fluminense e município de Itaguaí, regiões a aproximadamente 70km da capital, nas quais existem déficits do Estado, que não oferece serviços básicos como transporte e segurança.

A expansão da milícia nos últimos tempos, então, tem uma grande influência da falta de suporte do poder público em diversas regiões para fornecer direitos básicos. Inicialmente, as organizações eram formadas por policiais civis, militares, bombeiros, agentes penitenciários e alguns moradores. Com a expansão atual, no entanto, algumas quadrilhas deixam a chefia no comando de civis e traficantes.

Em 1997, um grupo de policiais e moradores foi criado na comunidade de rio das pedras, na zona oeste, com a justificativa de combater o tráfico e promover segurança, mas a situação não melhorou. Os milicianos, que são muito organizados, ampliam para outros negócios, lucrando muito em cima da exploração de serviços.

Um dos principais milicianos que atuava na região da Baixada foi preso em 2016 e contou à polícia que muitos crimes cometidos pela franquia da Liga da Justiça, uma das milícias, envolvem ocultação de cadáveres, ameaças de morte, extorsões financeiras a comerciantes e empresários, uso de veículos clonados, dentre outros. Apesar desse fato, os militares, desde que foi decretada a intervenção federal no Rio, não fizeram nenhuma ação nas inúmeras regiões sob influência da milícia, o que mostra sua parcialidade e sua farsa, pois mesmo se tivessem chegado a esses locais, seria com caráter extremamente repressor.

O governador do Rio, Luiz Fernando Pezão, ao ser questionado sobre se os militares irão atuar nessas regiões, afirmou que "eles vão entrar em todos os lugares", para tentar enganar a população e mascarar o verdadeiro motivo da intervenção, que passa longe de garantir segurança. As áreas sob influência foram computadas a partir de informações da polícia civil, secretaria de segurança pública e ministério público estadual.

A fundo, os problemas de segurança pública estão completamente ligados aos problemas sociais, que precisam urgentemente ser cobrados do Estado, que tem a obrigação de garantir direitos básicos como transporte à população. A intervenção federal veio com objetivo de intensificar a repressão sobre as populações das favelas e comunidades, em medidas demagógicas que não atingem em nada a raiz do problema tendo fins eleitoreiros, nos locais dominados pelas facções, enquanto as áreas dominadas pelas milícias seguem poupadas.




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