Educação

172 mil estudantes sem resposta, somente nossa mobilização pode resolver a crise do Enem

Mariana Duarte

Diretoria do centro acadêmico da faculdade de educação da USP

quinta-feira 30 de janeiro| Edição do dia

Já é conhecido por todos a situação de crise absurda que se instaurou no último dia 18, com a divulgação pelo MEC – fruto do imenso número de reclamações ao Inep – de que havia erros na correção da prova do ENEM de 2020. São 172 mil estudantes que sequer tiveram suas dúvidas respondidas em relação aos erros na prova, e que hoje, frente a decisão do STJ de derrubar a liminar que impedia a divulgação do resultado da prova, permanecem em dúvida acerca de sua nota e muitos, acerca de seu próprio futuro.

Em meio a essa situação, Weintraub e Bolsonaro seguem deixando cada vez mais claro seu enorme descaso com a vida desses milhares de estudantes, que passaram meses e meses se dedicando para uma prova que é na realidade um verdadeiro filtro social, que muitas vezes impede que os filhos da classe trabalhadora tenham acesso ao ensino público.

O Esquerda Diário e a Juventude Faísca já se posicionaram em diversas oportunidades denunciando essa situação, que coloca 172 mil estudantes em uma situação de desespero por não saberem suas notas.

Alguns Centros Acadêmicos pelo país tem se posicionado em relação a tamanho escândalo, colocando a importância de que a UNE e a UBES, entidades que representam estudantes universitários e secundaristas a nível nacional, organizem uma mobilização real contra o descaso do MEC e de Bolsonaro e pela saída de Weintraub. Não é possível mais aceitar que esses milhares de estudantes fiquem reféns das atitudes do MEC, que já se mostrou totalmente indiferente ao sofrimento daqueles que tiveram suas provas mal corrigidas.

Dias formais de manifestações não serão suficientes para responder a esses milhares de jovens. É necessário que as entidades estudantis coloquem toda a sua força em função de convocar uma mobilização nacional.

Somente a força dos estudantes organizados pode ser capaz de dar uma resposta contundente para regularizar a situação de todos aqueles que foram prejudicados e tirar de uma vez por todas Weintraub do Ministério da Educação, sabendo que a saída do ministro não é a solução para nossos problemas, já que são parte de uma política do governo que se estende para além de sua atuação, mas frente a tamanho desrespeito é necessária sua saída.

Por isso é fundamental que essas mesmas entidades organizem em cada local de estudo assembleias para organizar um plano de lutas real que dê conta de sanar essa crise, e a partir disso que impulsionem uma campanha por todo o país por uma comissão independente que investigue todos os erros.

Enfrentar essa crise e lutar pelo fora Weintraub é fundamental nesse momento, mas sabemos que para garantir que todos tenham acesso ao conhecimento produzido na universidade, apenas batalhando pelo fim do vestibular e pela estatização das universidades privadas, para que tenham vagas para todos.




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