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VENEZUELA

17 países buscam acordo para aumentar a interferência contra o governo de Maduro

Chanceleres e representantes da América e do Caribe iniciaram em Lima uma reunião convocada com urgência pelo Peru. Buscam uma posição conjunta frente à crise política e social na Venezuela.

quinta-feira 10 de agosto| Edição do dia

Na reunião, que começou nesta terça-feira na sede do Ministério peruano de Relações Exteriores, participam os chancelleres da Argentina, Jorge Faurie; Brasil, Aloysio Nunes; Chile, Heraldo Muñoz; Colombia, María Ángela Holguín; México, Luis Videgaray; e Peru, Ricardo Luna.

Além destes estão presentes representantes da Costa Rica, Guatemala, Guyana, Honduras, Jamaica, Panamá, Paraguay, e Santa Lucía. Canadá está representado pelo seu vice chanceler, David Morrison; Uruguay pelo seu embaixador no Peru, Carlos Barros.

A chanceler peruana estabeleceu medidas de segurança restritas que só permitem tirar fotos no início da reunião no Salão de Embaixadores do Ministério de Relações Exteriores e os resultados desta só serão tornados públicos na coletiva de imprensa final.

O esperado é que após o encontro seja emitida uma resolução conjunta em tom de interferência sob a ordem constitucional na Venezuela, dando ênfase ao rechaço à nova Assembleia Constituinte.

A declaração poderia ir no mesmo sentido que a resolução tomada pelos chanceleres do MERCOSUL ao aplicar a “cláusula democrática” do bloco que permite a aplicação de sanções aos países que rompam o fio institucional, inclusive de tipo econômico e comercial. Esta cláusula foi aplicada pela segunda fez e não foi colocada em discussão frente ao golpe institucional no Brasil contra o governo de Dilma Rousseff.

Este tipo de sanções e medidas conjuntas dos governos da região buscam aumentar a pressão contra as autoridades venezuelanas. Favorecem a oposição de direita da MUD que busca utilizar a grande pressão internacional contra Maduro a seu favor.

Não é casual que horas antes da reunião, o chanceler do governo golpista do Brasil postasse uma série de mensagens na sua conta do twitter, contra Maduro e a favor dos protestos da oposição.

O Presidente do Peru, Pedro Pablo Kuczynski, poderia oferecer declarações sobre o assunto após as conclusões da reunião. A partir do governo peruano sinalizaram que esperariam a reunião de chanceleres para tomar uma ação individual sobre a crise venezuelana, já que não se trata de “um problema bilateral” mas sim da região, “que precisa ser enfrentado com seriedade”.

Neste sentido, o bloco regional dos governos de direita têm atuado em consonância com a política e as sanções aplicadas pelos Estados Unidos. Ainda que nesta reunião chamou atenção a decisão de deixar “fora da sala” o governo estadunidense, a decisão se tomou acordada com o subsecretário de Estado para Assuntos Políticos dos EUA, Thoman Shannon, segundo informa a Agência EFE.

Estas movimentações se dão enquanto no plano interno avançou na destituição da Fiscal Geral, mediante decreto da Assembleia Constituinte,e no domingo passado aconteceu um assalto a um quartel do exército, o Forte Paramacay. Neste assalto no qual vinte homens, em cumplicidade com o oficial responsável pelo parque de armas, tinham removido o armamento deste arsenal, com um saldo de três mortos e sete presos, segundo informações dadas pelo governo, ao mesmo tempo que em um vídeo aparecia um oficial foragido, declarando-se em “rebeldia” contra o governo de Maduro.

Cada vez mais esvaziado de apoio popular, o governo de Maduro está sustentado pelas Forças Armadas e pela repressão. As sanções internacionais, a começar pelas aplicadas pelos Estados Unidos, às quais seguramente se somarão as declarações da reunião no Peru, buscam fortalecer uma oposição de direita na Mesa da Unidade Democrática (MUD) para que volte a governar e aplicar um plano econômico mais antipopular.

Está claro que a política do governo não representa uma saída da crise favorável para os trabalhadores e o povo pobre venezuelano. Tampouco virá por meio das sanções internacionais e um eventual governo da direita. Somente uma saída própria dos trabalhadores poderá resolver a crise política a favor da maioria dos trabalhadores e do povo.




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