Sociedade

16 de março de 1968: Estados Unidos massacra o povado de My Lai (Vietnam)

O comandante foi julgado como responsável pelo massacre. Mas sem dúvida este foi parte do começo do retrocesso da ocupação imperialista no Vietnam que terminará em derrota no ano de 1975.

sexta-feira 16 de março| Edição do dia

As tropas estadounidenses estavam buscando membros da frente de Libertação Nacional (Vietcong). Mas só encontraram uma pequena população desarmada.

Violaram, torturaram, fuzilaram a quase todos os moradores incluindo mulheres, crianças e velhos. Queimaram as casa, colheita, o gado. Os sobreviventes foram abatidos jogando-os em poços e depois jogando granadas sobre eles. Os helicópteros metralhavam aqueles que tentavam escapar.

De acordo com a informação do Museu de My Lai, morreram 504 pessoas, entre elas 182 mulheres, 17 das quais estavam grávidas, e 73 crianças, inclusas 56 bebes. Aparentemente, apenas duas pessoas sobreviveram passando-se como mortas.

Alguns atribuem esse massacre à ferocidade e ambição do comandante da operação, tenente Willian Calley, que ordenou o assassinato de toda a população.

O tenente Calley

Apenas Calley foi condenado à prisão perpétua. Mesmo assim não cumpriu estando em prisão domiciliar por três anos e depois o presidente Richard Nixon o perdoou.

Mas Calley não era "louco fascista", sim encontrava-se no contexto da campanha "luta pela democracia contra o comunismo" que os EUA estavam realizando.

O imperialismo ianque quiz esconder com todas as suas armas que não conseguiu vencer uma população que o enfrentava desde o início de sua intervenção. População essa que já havia derrotado o imperialismo francês na batalha de Dien Bien Phu (1954).

Diante do fracasso do imperialismo francês em combater o avanço do "comunismo", os EUA invadiram o Vietnã do Norte (liderado por Ho chi Minh) em 1964. Mas não só não consegue avançar, como começam a aumentar suas baixas e os caixões transportados por aviões de volta para EUA. As mobilizações se espalham na casa do mesmo invasor, especialmente na juventude. A resistência para combater o Vietnã aumenta.

Em 31 de janeiro de 1968, o Vietcong lançou a ofensiva de Têt que foi um ponto de virada na guerra. Uma vez que "demonstrou os limites do imperialismo estadounidense e desencadeou a solidariedade com o povo vietnamita".

A ofensiva de Têt e a revelação do massacre de My Lai deram um impulso imparável ao movimento anti-guerra, que se expressou parcialmente na crise do Partido Democrata nos EUA.

Diferente da ofensiva de Têt (que tinha sido uma derrota militar para os vietnamitas) o massacre de My lai foi revelado apenas pelo jornalista Seymour Hersh em 13 de novembro de 1969.

Ainda hoje, ex-veteranos denunciam que o Pentágono em seu site omite ou distorce os eventos referentes ao que aconteceu em My Lai como um simples "incidente".

Três estudantes negros assassinados nos Estados Unidos

Em 8 de março, três estudantes (negros) serão assassinados em um campus universitário nos EUA, na Carolina do Sul. O racismo e o antiracismo também fizeram parte do fenômeno que se desenvolveu nos EUA nesses anos.

Enquanto isso, a Europa estava chegando ao fim de seu boom pós-guerra. Este será o quadro que abrirá as portas para a promoção do trabalho estudantil de 1968. Uma mobilização contra a Guerra do Vietnã na Universidade de Nanterre em 22 de março e sua repressão irá detonar o que será conhecido como o maio francês.




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