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MÚSICA/OPINIÃO

15 anos de Chop Suey!: um grito ao suicídio

Este mês se completam 15 anos do lançamento da canção Chop Suey!, do System of a Down. Escrevemos sobre seu sentido, suas diferentes versões e seu impacto.

quarta-feira 17 de agosto| Edição do dia

Em 1998, a banda de origem armênia System of a Down (SOAD) já nos havia sacudido com seu primeiro álbum, homônimo. E durante um tempo não se sabia se nos surpreenderiam com algo mais. Até que, em 13 de agosto de 2001, saiu Chop Suey!, um adianto do álbum Toxicity. Esse álbum foi anunciado como uma forte crítica aos Estados Unidos, e como esse país os recebeu (já que viviam na Califórnia), mas esta canção estava descontextualizada do resto do álbum.

Jet Pilot e X tratam dos bombardeios feitos pelo exercido dos Estados Unidos em diferentes países e do que sofreram os armênios, enquanto ATWA (Air, Trees, Water, Animals) [ar, árvores, água, animais] e Science falam da conscientização ecológica e do aquecimento global. Já Chop Suey! começa com um "Wake up [Acorde]" e sugere como a pessoa retratada na letra esconde as cicatrizes de sua tentativa de suicídio.

A canção foi escrita por Shavo, o baixista da banda, e a princípio se chamaria Suicidal, mas logo mudaram o nome por considerá-lo muito forte. Ele cresceu com sua avó, que faleceu durante sua adolescência. Há relatos de que esta foi a fonte de inspiração da letra da canção, junto com as tentativas de suicídio de Shavo que se seguiram a esse acontecimento.

Na história do rock não é a primeira vez em que se alude ao suicídio. Em Bohemian Rhapsody, dos ingleses do Queen, há a referência a essa situação, e em sua parte de encerramento, quase no fim, diz: "Você pensa que pode me apedrejar e cuspir nos meus olhos? / Pensa que pode me amar e me deixar para morrer? / Oh, amor, não faça isso comigo / Preciso sair / Preciso sair daqui... / Nada realmente importa / Qualquer um pode ver / Nada realmente importa para mim... / Para qualquer lado aonde sopre o vento..."

Em Chop Suey!, o trecho equivalente diz: "Pai, em tuas mãos deixo meu espírito / Pai, em tuas mãos, por que me abandonaste? / Em teus olhos me abandonaste / Em teus pensamentos me abandonaste / Em teu coração me abandonaste / Oh, confia em meu suicídio egoísta / Eu choro quando anjos merecem morrer / Em meu suicídio egoísta, / Eu choro quando anjos merecem morrer..."

Em ambos está a procura por uma explicação divina, que não encontram e por isso são incapazes de compreender sua situação.

Depois de 15 anos, o SOAD continua em pé, depois de muitas idas e vindas, e esta canção continua sendo uma de suas melhores. Longa vida a eles.

Tradução: Heitor Carneiro




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