Gênero e sexualidade

VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER

12.873 mulheres foram agredidas por dia no ano passado, diz pesquisa do Datafolha

Rumo ao 8 de Março, as mulheres precisam se colocar à frente para combater a violência machista e os ataques do governo Bolsonaro, que só farão piorar a situação.

terça-feira 26 de fevereiro| Edição do dia

Segundo pesquisa do Instituto Datafolha divulgada hoje (26), uma em cada cinco mulheres diz ter sido agredida por um vizinho. Na pesquisa de 2017, esse tipo de agressão representava 3,8% do total. Na divulgação de hoje, a violência causada por vizinhos cresceu e chegou a 21,1%. O vizinho como principal agressor fica atrás somente das estatísticas que abarcam namorado ou companheiro. Segundo matéria do G1, que analisou a pesquisa: cônjuge/companheiro/namorado são responsáveis por 23,8% dos casos e vizinhos por 21,1%.

Sobre os locais das agressões, 42% acontecem em casa, 29,1% na rua e 8,2% a partir de contato pela internet (em 2017, apenas 1,2% disse ter sofrido violência a partir de redes sociais e aplicativos).

Uma projeção feita pela pesquisa é de que, no último ano, 12.873 mulheres foram agredidas por dia, o que significa 536 por hora e 9 por minuto.

A pesquisa também mostra situações que caracterizam assédio, como comentários desrespeitosos no trabalho ou ser beijada sem consentimento. 37,1% das mulheres, cerca de 22 milhões, responderam ter sido assediadas no último ano. E esse valor mais que dobra entre as mulheres de 16 a 24 anos para 66,1%. De 25 a 34 anos o percentual é de 53,9%.

É importante ressaltar também que no Brasil a violência contra as mulheres atinge principalmente as mulheres negras. De modo geral a população negra é a principal vítima de homicídios no país, mas o assédio também é maior entre as mulheres negras. Enquanto 34,9% das mulheres brancas disseram ter sido assediadas no último ano, o número sobe para 36,7% entre as mulheres pardas e 40,5% entre as pretas, segundo a análise do G1.

É necessário que se fortaleça o combate à violência contra as mulheres a partir de cada sindicato e entidade estudantil nos locais de trabalho e estudo por um Plano Nacional de Emergência contra a violência às mulheres que deveria ser responsabilidade do Estado.

Mas após o golpe institucional de 2016 as políticas públicas para combater a violência contra mulher, que já eram insuficientes nos governo de Lula e Dilma, foram mais rebaixadas ainda, e a redução absurda nos gastos com isso são um grande exemplo de como o Estado não se preocupa com a vida das mulheres.

O MEC de Bolsonaro (PSL) segue à risca a ideologia de reacionária do presidente de extrema direita. O Ministério, para usar as palavras do próprio presidente, diz que quer combater o que chama de “lixo marxista” e já propôs que livros didáticos sejam censurados e não tratem do combate à violência contra a mulher e nem da resistência dos quilombos e trabalhadores do campo.

Fazemos um chamado a todas as mulheres, estudantes e trabalhadoras para que em cada escola, fábrica, universidade ou local de trabalho se organizem com o Pão e Rosas para construir um 8 de março em que as mulheres possam se colocar na linha de frente da luta contra Trump e Bolsonaro, por justiça por Marielle, contra a reforma da previdência, pelo direito ao aborto legal seguro e gratuito, contra a violência às mulheres e o projeto Escola Sem Partido.

Leia também: Mulheres à frente contra Trump, Bolsonaro, justiça por Marielle e contra a reforma da previdência




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