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10 motivos para não votar em Fernando Holiday (MBL/DEM) para vereador em São Paulo

Na semana passada, o CAPPF (Centro Acadêmico da Pedagogia da USP) me convidou para um debate entre candidatos a vereador de São Paulo, numa mesa com Fernando Holiday (MBL/DEM) e Eduardo Suplicy (PT), mas a mesa foi cancelada. Como não vou ter oportunidade de debater com Holiday, escrevo alguns dos vários motivos pelos quais não se deve votar nele nem apoiá-lo.

Diana Assunção

São Paulo | @dianaassuncaoED

segunda-feira 19 de setembro| Edição do dia

Holiday pretende ser a “cara nova” de uma “nova direita”, mas trata-se das velhas idéias de direita “recicladas” com as formas e métodos da nova era da internet. Qualquer análise da política, dos financiadores e dos aliados de Holiday mostra isso cabalmente.

1) Como explicamos detalhadamente neste artigo no Esquerda Diário, o MBL é financiado, entre outros capitalistas e imperialistas, pelos Irmãos Koch. De acordo com a própria Carta Capital, os irmãos Charles e David Koch são sócios, possuem 42,9 bilhões de dólares e estão em sexto e sétimo lugar na última lista dos 10 mais bilionários do mundo. Antes de financiarem o MBL no Brasil, já alimentaram o surgimento de movimentos “novos” (via redes sociais) similares ao MBL em outros países que passam por crises, como a Ucrânia e a Venezuela. São sempre movimentos de uma direita golpista e reacionária, típicos imperialistas, estes que querem fingir que são “invenção da esquerda”. Por exemplo, nos EUA são ligados ao Tea Party, parte do que existe de mais reacionários nos EUA. Você poderá encontrar em uma menção ou outra do MBL a ridícula demagogia “contra os monopólios”, é de dar nojo tendo financiadores como esse;

2) Holiday e o MBL estão se apresentando nas eleições pelos partidos que são parte da elite corrupta da velha direita nacional, como o DEM, que ele próprio se candidata, além do PSDB, PMDB, PSC, PPS e o tal “Partido Novo”, outra tentativa de cara nova da direita golpista. Seus maiores aliados são a bancada parlamentar BBB (Boi, Bíblia e Bala), o que existe de mais reacionário no país, com Cunha à cabeça, e alguns “mentores” da direita raivosa pitoresca como Reinaldo Azevedo;

3) São aquela direita típica para os empresários estrangeiros e nacionais. Seu representante direto nas eleições em Porto Alegre é Marchezan, em São Paulo, João Dória Jr. Pregam o liberalismo econômico mais extremo, com uma forte propaganda contra os impostos, mas sua preocupação é deixar os capitalistas ainda mais livres para atuar no Brasil e fazer um verdadeiro leilão de tudo que existe no Brasil para o grande capital;

4) Dizem que são “contra as ditaduras”, mas além de que em todo o mundo seus financiadores são apoiadores de movimentos da direita mais reacionária, vários deles fascistas, além de ter Ronaldo Caiado (senador do DEM), um latifundiário ditador dos mais tacanhos do país, entre seus maiores aliados, pelo “Fora Dilma”, se ligou a uma série de “verde-amarelo” que saíram às ruas e bateram panelas que são saudosistas abertos da ditadura militar. O próprio Marchezan é herdeiro direto da ditadura, filho de destacado membro da ARENA, Nelson Marchezan. A fúria golpista do MBL está longe de ter pro trás qualquer espírito democrático, são uns direitistas fanáticos dispostos a tudo;

5) Dizem que são um movimento “contra a corrupção”, mas para além dos seus aliados que são símbolos do que existe de mais corrupto do país (que só quem acredita em papai Noel ou no Holiday acha que se restringe ao PT), seu próprio movimento já foi motivo de áudios vazados e denúncias, uma delas envolvendo um de seus líderes;

6) Se diz a favor da diminuição do salário dos políticos, mas além de que sequer falam pra quanto, mostrando como é pura demagogia, o que discorremos até aqui mostra como que seu projeto vai muito além do salário que receberia como vereador. Ele e seus aliados tem muito mais vias de financiamento do que o salário do político. Trata-se de uma mera demagogia para empalmar com o sentimento contra os privilégios dos políticos;

7) Eles falam contra os que recebem “pão com mortadela” nas marchas, mas recebem muito mais que isso para fazer seu serviço sujo em terras tupiniquins, contando também com a grana de uma ampla corja de capitalistas e políticos corruptos do país inteiro para financiar as marchas de direita que organizaram, para a qual pagavam gente pelo país inteiro para construir;

8) Holiday e o MBL são um símbolo do ódio contra a esquerda e os movimentos sociais. Não foi à toa que o MBL escolheu um rosto negro para isso. Era a forma de evitar a cara do empresariado brasileiro e estrangeiro e poder atacar a esquerda e o que ele chama de “vitimização” do povo negro. Vendo aqui os apoiadores do MBL pode-se perceber que Holiday está longe de ser alguém “sofrido” que “subiu na vida” com “seu esforço”. Holiday está longe de representar os negros e negras e suas lutas contra a violência policial e o racismo, justamente porque é contra demandas do movimento negro como as cotas raciais nas universidades. Combater esse ícone da direita é tarefa de todos que se colocam no campo da esquerda, como forma também de combater o sentimento anti-esquerda que propaga. Por isso, já fiz também vídeo contra Holiday em uma das vezes que veio com esse seu discurso reacionário contra os trabalhadores e os movimentos sociais;

9) É porque sabia que no debate da Faculdade de Educação, onde trabalho, teria que enfrentar todos estes argumentos, que antes do debate ser cancelado por vários motivos, Holiday apagou minha figura da mesa com ele e Suplicy. Algo esperado da direita reacionária, que vai querer sempre invisibilizar os anticapitalistas, mais ainda quando são mulheres. Não à toa o MBL não tem nenhuma mulher como figura. Seus aliados são todos homens. São parte também da direita misógina. Quem arregou do debate Fernando Holiday?

10) Esses 10 motivos não são um diálogo com a base votante convicta de Holiday, que é a direita orgulhosa nacional, mas pretende ser mais uma ferramenta no combate contra Holiday, o MBL e essa direita golpista reacionária. Nesse combate, como venho defendendo sempre, nossa luta precisa ser independente do PT, que alimentou essa direita, bloqueia a luta dos trabalhadores e dos movimentos sociais e já optou por conciliar e governar com a burguesia há muito tempo. Faço um chamado amplo a nestas eleições combater os golpistas, mas buscando fortalecer uma alternativa à esquerda do PT, que seja anticapitalista. É a serviço dessa perspectiva que me lancei como candidata a vereadora.


Diana Assunção é candidata a vereadora do MRT pelo PSOL em São Paulo, número 50.200




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