Política

10 motivos para não votar em Carlos Grana (PT) para Prefeito em Santo André

Maíra Machado

ABC paulista

quinta-feira 22 de setembro| Edição do dia

A menos de duas semanas para as eleições, cada dia que passa, mais incertezas para os trabalhadores sobre quem votar para as eleições. Não atoa, as primeiras pesquisas eleitorais apontam um aumento importante de votos nulos; em Santo André, chegam a 29%, muito acima das intenções de voto no atual prefeito Carlos Grana, que aparecia com 14%.

Com a clausula de barreiras, a esquerda segue censurada quanto a participar dos principais debates eleitorais, e os trabalhadores não podem conhecer nossas propostas e críticas. Com medo da força que teriam ideias como "Que todo político ganhe o mesmo salário que uma professora", questionando os altos privilégios dos políticos, deixam as eleições ainda mais antidemocráticas do que sempre foram. Por isso escrevo ao Esquerda Diário, 5 motivos para não votar ou apoiar o atual prefeito, Carlos Grana do PT.

1) O PT não enfrentou o golpe, aplicou ajustes e se coligou com os golpistas

Sem coragem para seguir defendendo o vermelho do PT, Carlos Grana ex-sindicalista dos Químicos, mostrou que assim como Lula, Dilma e o PT não enfrentaram o golpe institucional, assim como não darão esta batalha nas eleições. Pelo contrário, nas atuais eleições, Carlos Grana tem 10 coligações, entre elas, o PSC de Feliciano e Silas Malafaia, que querem retirar todos os direitos das mulheres e da população LGBT. Estão unidos para descarregar a crise sobre os trabalhadores, aceitando todas as demissões que ocorrem hoje nas autopeças e nas montadoras, como a Mercedes Benz que lucrou milhares com todo o apoio da prefeitura, e não encontra nenhuma resistência para deixar milhares de famílias nas ruas.

2) Roubou 28 milhões da FSA

Como denunciaram os professores e estudantes no início do ano, o prefeito Carlos Grana recolheu indevidamente 28 milhões da Fundação Santo André que deveriam ter sido pagos para a Receita Federal. Mesmo após a denúncia, o prefeito se recusou a pagar a dívida, levando a universidade a uma profunda crise que é descarregada nos professores, que estão com seus salários atrasados, e nos estudantes, que sofrem com o aumento exorbitante das mensalidades. Aliado à reitoria da universidade, Carlos Grana acompanha silenciosamente a dissolução do centro universitário em um "centro de custos", deixando claro que para a educação só ajudará a iniciativa privada e os grandes tubarões de ensino.

3) Para os trabalhadores, falta de Água. Para Grana só importa o dinheiro

A falta de água para milhares de famílias ainda hoje é uma triste realidade. Um rodízio cruel impõe a muitos trabalhadores problemas com questões básicas de saúde, como falta de água para banhos, para descarga, para cozinhar ou mesmo para lavar uma louça. Enquanto isso, uma dívida enorme com a Sabesp só aumenta, tendo inclusive a empresa pedido a prisão do prefeito, mas Grana culpa gestões anteriores, sem nada ter feito para sanar esta situação. E as contas de água continuam chegando todos os meses, com valores altíssimos, diga-se de passagem.

4) Privilégios, escândalos e citação no listão da Odebrecht

Acostumado com os privilégios tão comuns aos dirigentes sindicais, que não trabalham e vivem da contribuição recolhida de forma obrigatória dos trabalhadores, Grana chegou à prefeitura e esbanjou de um salário nada menos que de R$ 23.905,71, enquanto os trabalhadores vivem com um salário mínimo, e a juventude está desesperada com o desemprego que é maior que a média nacional. Apesar das propostas de congelar os salários ou cortas despesas, desafiamos que vivam iguais aos professores da rede pública.

Numa campanha milionária, Grana tem segundo o TSE, limite de gasto no primeiro turno de R$3.329.179,68 e no segundo R$998.753,90. No total de recursos recebidos R$466.453,71. A questão é: de onde vem esse dinheiro? Com certeza não é apenas dos trabalhadores, mas sim de grandes patrões que apostam que com Grana seus lucros estarão garantidos.

Além disso, o atual prefeito também foi um dos 11 políticos do ABC citados no listão da Odebrecht, e teve sua cassação pedida pelo Ministério Público por irregularidades na prestação de contas da eleição passada.

5) R$ 4,8 milhões para pintar a calçada e chamar de ciclovia

Como uma de suas "grandes obras", Grana se gaba de ter construído uma humilde ciclovia que não passa de uma pintura vermelha na calçada, retirando o espaço de pedestres, que começa e termina sem lugares de acesso. Para isso, o prefeito gastou 4,8 milhões de reais, cerca de 180 mil reais por quilômetro. Como denunciamos https://www.facebook.com/ProfMairaMachado/videos/257828134611663/ , além do perigo para os ciclistas e para a juventude skatista, o preço desta “grande obra” é de grande desconfiança por parte da população. Para a juventude, não há direito ao lazer, o Cine Teatro Carlos Gomes, histórico em Santo André, tem mais uma vez reforma adiada.

6) Não legalizou o Conselho LGBT da Cidade, mas se reuniu com lideres religiosos

Mesmo com a insistência da ONG Atravessa, que visa o atendimento da população trans em condições de vunerabilidade, entre elas as travestis e transexuais em situação de prostituição na Av. Industrial, Carlos Grana se recusou a debater e legalizar o Conselho LGBT que poderia elaborar projetos e políticas públicas de combate a LGBTfobia, reduzindo essa trágica situação. A situação das mulheres, que são 52% da população, como denunciamos aqui, só piorou, nos últimos 4 anos, 760 mulheres denunciaram estupros, sendo que sabemos a maioria das denúncias não são registradas, mais de 39,9 mulheres criam suas filhas sozinhas e ainda 35% recebem salários menores que os homens, mesmo ocupando os mesmos cargos.

Em contrapartida, o atual prefeito se reuniu em 2015 com líderes religiosos para fazer uma parceria entre o poder público e a Igreja Adventista do Sétimo Dia, para servirem juntos à comunidade, onde o mesmo ofereceu os teatros municipais da cidade para eventos da entidade.

7) Aumentou o preço da Tarifa e reprimiu a juventude

Apesar do discurso de melhoria do transporte, o exorbitante preço da tarifa é um resultado de uma velha liderança da máfia dos transportes para garantir seus lucros. Carlos Grana nunca se enfrentou com estas máfias, pelo contrário, seguiu aumentando a tarifa junto com as demais prefeituras do grande ABC e chegou a reprimir com sua polícia os protestos que exigiam o passe-livre para que a população tivesse direito à cidade. Não fez diferente de como tratou as ocupações de escola no ano passado, não sendo um apoio na luta contra Alckmin e o PSDB.

8) Saúde pública precarizada e incentivo privado

A realidade da saúde pública no ABC, como denunciamos aqui (https://www.facebook.com/ProfMairaMachado/videos/262965167431293/), é conhecida pela maioria dos trabalhadores, filas enormes que duram horas e as vezes dias. São apenas 352 leitos para tratamento intensivo na UTI, 39 cardiologistas para 676 mil habitantes. A casa da gestante do hospital das mulheres não foi entregue, e Santo André foi campeã de vitimas fatais em decorrência da H1N1. Enquanto isso, Grana não precisa de atendimento nos hospitais públicos, pois tem seus privilégios como Prefeito para garantir uma saúde de qualidade.

9) Junto aos sindicatos da CUT e CTB não se enfrenta com os patrões

Carlos Grana aprendeu com seus anos de sindicalista como fazer acordos que beneficiem os grandes empresários. Junto aos sindicatos da CUT e CTB, abafa as revoltas nas fábricas para passar goela abaixo propostas como o PPE ou as demissões diretamente, como ocorre hoje na Mercedes Benz. Em 2014, os garis e coletores foram as ruas por aumentos de salários inspirados nos heroicos garis do RJ, seguiram sua greve contra a direção da UGT e conseguiram que a comissão independente dos trabalhadores fosse recebida e reconhecida, uma vez que o sindicato não poderia mais conter a revolta. A fábrica LABORTEX de Santo André encerrou suas atividades, demitindo todos os trabalhadores da sua planta. Grana assistiu todos estes ataques assim como o fechamento de 18.557 vagas de trabalho e o desemprego que atinge em especial a juventude.

10) Moradias não, só especulação imobiliária

O grande ABC tem um déficit de 230 mil moradias para a região. Segundo a pesquisa realizada pela UFABC junto ao consórcio municipal, necessitam ser criadas 100,3 mil casas; E há 129,7 mil, de moradias sem a infraestrutura necessária. Sem saneamento básico, urbanização e casas inacabadas.

Esta é a realidade do núcleo Espírito Santo, na Cidade São Jorge, onde foram removidas 700 famílias desde o ano passado para um projeto de “urbanização” da prefeitura, que na verdade serve para limpar os terrenos e entregá-los ao milionário mercado imobiliário. Se a própria prefeitura teve de reconhecer que existem hoje 32 mil moradias em área de risco em Santo André, com mais de uma família morando em uma mesma residência, é porque todos estes anos de governo petista só se beneficiaram os grandes empresários. Essa é a mesma realidade da ocupação do Jardim Alvorada.




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