ELEIÇÕES 2016

10 momentos da biografia da candidata Diana Assunção

Nessas eleições, as candidaturas de esquerda e dos trabalhadores sofrem uma censura ainda maior. Não tem espaço na televisão, nem em veículos da mídia patronal. Por isso, apresentamos aqui dez motivos para votar na candidatura de Diana Assunção, do Movimento Revolucionário de Trabalhadores (MRT), que concorre a vereadora pelo PSOL nessas eleições.

Fernando Pardal

@fepardal

sexta-feira 30 de setembro| Edição do dia

1- Formada em história pela PUC-SP, desde sua graduação Diana dedicou seus estudos para conhecer a história da luta dos trabalhadores, difundir ela e ajudar os setores mais explorados e oprimidos a terem acesso às lutas que travamos contra a exploração capitalista há séculos. Nesse sentido, publicou, por exemplo, na revista da Associação de Professores da PUC (APROPUC) um estudo sobre a luta das mulheres nas barricadas da Comuna de Paris, a primeira experiência histórica de um governo dos trabalhadores, em 1871. Abaixo, pode-se ver uma intervenção dela em um debate sobre esse tema na celebração dos 140 anos da Comuna feita pela Apropuc:

2- Seu envolvimento político desde sempre esteve ligado à luta pelos direitos das mulheres, e em particular das mulheres trabalhadoras. Por isso, ainda como estudante da PUC, esteve à frente da confrmação do grupo de mulheres Pão e Rosas no Brasil. Uma organização de mulheres que hoje existe em diversos países da América Latina, como Argentina, Chile, México e Bolívia, além de estar presente na Europa no Estado Espanhol, Alemanha e França. O Pão e Rosas traz uma perspectiva marxista e revolucionária ao feminismo, ou seja, a ideia de que a emancipação das mulheres só pode se dar com a organização das mulheres ao lado da classe trabalhadora para derrotar o capitalismo, um sistema social que se apropria e se beneficia da opressão das mulheres para aumentar o lucro da classe dominante. Abaixo, uma intervenção recente de Diana em um debate na PUC em que explica a perspectiva com a qual leva adiante a luta das mulheres pela sua emancipação:

3- Há quase dez anos Diana é trabalhadora da USP, no setor de pós-graduação da Faculdade de Educação. Ao longo desse tempo, teve uma atuação destacada na organização sindical e política dos trabalhadores, participando da diretoria do Sindicato de Trabalhadores da USP (Sintusp) e da criação da Secretaria de Mulheres do Sintusp, que organiza as mulheres trabalhadoras para reivindicar seus direitos. Nesse tempo, participou de muitas lutas importantes, greves dos trabalhadores, estudantes e professores em defesa da universidade pública e contra o desmonte do ensino, pela democratização radical da estrutura de poder da universidade e do seu acesso, lutando pela ampliação de verbas, por cotas étnico-raciais, contra o filtro social do vestibular, por melhores condições de trabalho e ensino. Graças às lutas desses setores, o projeto de governos privatizadores do PSDB teve que conter sua ambição de lotear a USP para as empresas e acabar com os cursos que não têm interesse de mercado.

4- Durante esses anos, contudo, Diana teve uma participação especial em outra luta fundamental que ocorre na USP: a dos trabalhadores terceirizados. Em sua imensa maioria mulheres negras, as greves que ocorreram com o apoio de um setor de estudantes e do Sintusp, cumpriram um papel muito importante não apenas para assegurar os direitos mais elementares desses trabalhadores (recebimento de salários e benefícios atrasados, pagamento de verbas rescisórias, garantia de permanência no emprego etc.), como foram muito importantes para escancarar uma realidade absurda: dentro da chamada “universidade de excelência”, persiste um regime de semiescravidão, um verdadeiro apartheid. Até hoje, muitas companheiras e companheiros dessas greves reconhecem o papel fundamental do apoio de pessoas como Diana. Abaixo, podemos ver uma matéria da Rede Bandeirantes sobre uma dessas lutas, dos trabalhadores da empresa BKM em 2011, com breve depoimento de Diana defendendo a efetivação dos terceirizados.

5- Diana cumpriu um papel importante não apenas em cada uma dessas lutas, mas também para que essa experiência fosse generalizada e se transformasse em patrimônio de nossa classe. Para isso, foi a principal autora do livro “A precarização tem rosto de mulher”, baseado em depoimento de sua companheira de luta Silvana Araújo, que foi linha de frente da luta dos trabalhadores terceirizados da empresa Dima em 2005. Na segunda edição do livro, foi incorporado relato da luta vitoriosa das trabalhadoras da União, de 2011, que já pode aprender com a experiência relatada no próprio livro. Abaixo, um vídeo em que Diana, em meio à greve de 2011, apresenta “A precarização tem rosto de mulher” para as trabalhadoras em luta:

5- Lutando pela unidade das fileiras dos trabalhadores, Diana não apenas combate pela unificação entre efetivos e terceirizados, com iguais direitos e salários, mas também é ativa para apoiar cada luta dos trabalhadores em diversas categorias. Na importante greve dos metroviários de São Paulo em 2014, esteve lado a lado desses lutadores. E, como diretora do Sintusp, foi também uma grande impulsionadora da luta pela reintegração dos metroviários demitidos por lutar e enfrentar a intransigência do governo Alckmin. O lema “uma só classe, uma só luta”, para unificar os trabalhadores e enfrentar os patrões, é parte da luta cotidiana de Diana. Veja abaixo intervenção de Diana em uma assembleia dos metroviários:

6- Mas não é apenas no Brasil, Diana é uma lutadora internacionalista da classe trabalhadora. Segue a máxima do Manifesto Comunista, mais atual do que nunca: “Trabalhadores do mundo, uni-vos.” Além de impulsionar no Brasil o apoio ativo a todas as lutas dos trabalhadores internacionalmente, e construir com companheiros de diversos países uma organização internacional de trabalhadores revolucionários, e hoje constrói a Rede Internacional do Esquerda Diário. A experiência de sua candidatura no Brasil é muito inspirada na experiência de seus companheiros argentinos do PTS (Partidos dos Trabalhadores Socialistas) que, junto com outras organizações, fizeram a FIT (Frente de Esquerda e dos Trabalhadores), levando uma posição dos trabalhadores para o parlamento e que permite fortalecer cada luta nas ruas, fábricas e demais locais. Abaixo, uma intervenção de Diana quando esteve no Chile para apoiar a importante luta dos estudantes pela educação gratuita:

E sua intervenção no ato internacionalista organizado pelo PTS na Argentina em 2013:

7- Além de participar ativamente nas lutas das trabalhadoras e ser linha de frente da defesa dos direitos das mulheres, Diana tem a compreensão de que cada luta que travamos deve estar a serviço de uma luta maior, uma luta anticapitalista para derrotar esse sistema que cotidianamente nos explora e oprime. Nessa perspectiva, ela debate de igual para igual com grandes intelectuais brasileiros que discutem as perspectivas sociais em nosso país. Um vigoroso exemplo disso foi quando, em maio às gigantescas jornadas de junho de 2013 que levaram milhões às ruas em todo o o país e dobraram governos do PT, PSDB e PMDB, Diana esteve em uma mesa de debate com a intelectual petista Marilena Chauí, se contrapondo à visão de que tais manifestações eram dominadas pela direita e visavam desestabilizar o governo “progressista” do PT. Veja abaixo a intervenção de Diana no debate:

8- Após as jornadas de junho, Diana, junto com seus camaradas do MRT (na época ainda chamada Liga Estratégia Revolucionária – Quarta Internacional – LER-QI), se dedicou a procurar dar uma saída estratégica para a revolta que se expressou nas ruas. Sabendo que amanhã os governos procuram tomar em dobro o que foram obrigados pela luta a ceder (como se demonstrou em São Paulo os posteriores aumentos da passagem que chegaram a 3,80, muito superior aos 3,20 que foram barrados em 2013), Diana foi uma das que procurou organizar essa revolta em um patamar superior, levando ela para as fábricas, locais de trabalho e estudo. No encontro “jornadas de junho”, mais de 800 pessoas se reuniram para debater essa perspectiva. Veja abaixo a intervenção de Diana nesse encontro:

9- Tendo combatido com todo o vigor o governo petista e todos os ataques que fez aos trabalhadores e à juventude, as concessões à direita e às bancadas reacionárias como a evangélica e a ruralista, Diana soube se posicionar, junto ao MRT, decididamente contra o golpe institucional da direita que colocou Michel Temer no poder. Com total independência do PT, Diana foi linha de frente de levantar a exigência de uma greve geral às centrais sindicais como CUT e CTB, para que se pudesse combater efetivamente o golpe, e não apenas com palavras como fez o PT. Abaixo, vídeo de sua campanha que coloca seu posicionamento de combate aos golpistas:

10- A candidatura de Diana é para levar a luta dos trabalhadores, jovens, mulheres, negros, LGBTs para o parlamento, para poder a partir daí ser um ponto de apoio para cada mobilização nas ruas. Diferente dos que usam as lutas para apoiar um projeto eleitoral, o que ela quer é usar o espaço das eleições e do parlamento para fortalecer a luta independente dos trabalhadores. Por isso, além de levantar a necessidade de uma greve geral e uma luta por uma Assembleia Constituinte para lutarmos por nossos direitos contra os golpistas, Diana luta para que possamos, organizados e fortalecidos, derrubar esse regime político e construir um governo dos trabalhadores. Só um governo feito por nós mesmos poderá levar até o fim nossas demandas. Veja vídeo da sua campanha que coloca essa questão:




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